O ministro Paulo Pereira defendeu, em 2 de junho de 2026, que o fim da escala de trabalho 6×1, aprovado na Câmara dos Deputados, trará mais consumo e produtividade para trabalhadores com carteira assinada em todo o país. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, a regra pode aumentar a frequência em atividades de lazer, educação e serviços.
Como a escala 6×1 funciona atualmente e o que muda com a proposta
Atualmente, a escala 6×1 permite trabalho por seis dias seguidos antes de um dia de folga, totalizando até 44 horas semanais, conforme a CLT.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada na Câmara substitui o regime por uma carga máxima de 40 horas e dois dias de descanso remunerado a cada sete dias, sendo vedada a redução salarial. O cronograma de implementação será definido caso o Senado confirme o texto nos próximos meses.
Essa alteração se reflete diretamente nas rotinas dos setores mais dependentes da escala 6×1, como supermercados, farmácias e serviços de atendimento ao público. Conforme a Câmara dos Deputados, 470 parlamentares votaram a favor e 22 contra a mudança, indicando ampla maioria.
Perspectivas econômicas: relação entre tempo livre e aumento do consumo
Segundo Paulo Pereira, a ampliação do tempo livre resultante do fim da escala 6×1 pode estimular segmentos como lazer, gastronomia, turismo e educação.
“A gente acha importante dizer que a gente acha que o grande impacto da redução da escala 6×1 é positivo para a economia. Em primeiro lugar, porque as pessoas vão ter mais tempo e, tendo mais tempo, elas vão consumir mais, vão mais ao cinema, vão mais aos restaurantes, vão estudar mais, as pessoas vão ter mais tempo para se formar, o que movimenta os negócios de educação e, ao mesmo tempo, aumenta a produtividade do trabalhador, que vai estar melhor formado e tudo mais”, disse o ministro em entrevista à Voz do Brasil nesta terça-feira (2).
O argumento central do Ministério é a expectativa de que a demanda por serviços aumente à medida que mais pessoas tenham dois dias consecutivos de descanso, com reflexo moderado nos pequenos negócios e serviços urbanos. Ainda segundo Paulo Pereira, a formação educacional será favorecida em médio prazo, pois as oportunidades de estudos aumentam com a flexibilização dos horários.
Entre as repercussões não destacadas em outros órgãos, analistas consultados pelo Senado preveem desafios de adaptação para empresas de menor porte, que podem precisar reorganizar escalas e contratar temporários nos finais de semana, ampliando custos operacionais. Esta reação, presente em setores de comércio regional, ainda não tem consenso no governo federal.
Impactos sociais e o ambiente de trabalho segundo fontes oficiais
O ministro apontou uma possível queda na rotatividade e nos afastamentos por motivos de saúde, com base em dados preliminares de 2025, quando mais de 500 mil trabalhadores ficaram afastados por doença. A expectativa é que a redução da carga semanal contribua para colaboradores menos exaustos, maior assiduidade e melhora na saúde mental, fatores associados à diminuição de licenças médicas e custos indiretos para empregadores.
Fontes da Secretaria de Inspeção do Trabalho identificam, porém, que a transição pode gerar pressão sobre escalas de serviços fundamentais e abrir debates sobre compensação de expediente em setores que operam todos os dias.
Além disso, associações empresariais monitoram impactos nas folhas de pagamento e na remuneração por produtividade, ainda sem dados mensuráveis publicados oficialmente até esta etapa de tramitação.
Contexto legislativo e próximos passos no Senado
A PEC que institui o fim da escala 6×1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026, mas depende de validação final pelo Senado Federal.
Se não houver alterações, a nova regra será promulgada e publicada em até 60 dias, iniciando então a contagem para entrada em vigor nos contratos ativos. Movimentos sindicais e representantes empresariais já protocolam sugestões e ressalvas, especialmente relacionadas ao segmento de pequenas empresas e atividades fundamentais contínuas.
A expectativa, segundo parlamentares que acompanham a pauta, é de que o relatório para deliberação no Senado seja apresentado ainda no segundo semestre de 2026, sem previsão exata para votação.
Expectativa do ministro para a economia
A análise das declarações de Paulo Pereira revela um alinhamento do Executivo com a proposta de modernização das relações trabalhistas, apostando no estímulo ao consumo e à produtividade por meio da redução da escala 6×1.
“De um modo geral, a gente imagina e espera um impacto positivo em vários negócios que vão crescer, pelo menos essa demanda dos trabalhadores, que terão mais tempo”, afirmou.
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