Trabalhadores pretos enfrentam desemprego 55% maior que brancos no Brasil em 2026.
O dado mais recente da Pnad Contínua, divulgado pelo IBGE, escancara um abismo que cresceu em relação ao trimestre anterior e expõe o ritmo lento das mudanças no mercado de trabalho brasileiro.
Os números reforçam o que pesquisadores e movimentos sociais vêm alertando há décadas: raça e gênero ainda definem quem trabalha, quem ganha melhor e quem permanece à margem.
Desemprego afeta mais pretos do que brancos
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego entre pessoas que se autoidentificam como pretas chega a 7,6% no primeiro trimestre de 2026. Esse número não só é superior à média nacional de 6,1%, como também 55% mais alto do que o registrado entre trabalhadores brancos, cuja taxa ficou em 4,9%.
No recorte temporal, observa-se um aumento da distância entre esses grupos raciais: no último trimestre de 2025, essa diferença era de 52,5%.
Em relação ao mesmo período de 2025, a taxa de desemprego aumentou entre pretos, mostrando uma tendência de aprofundamento do problema. A maior diferença da série histórica ocorreu em 2020, auge da pandemia, quando a desigualdade bateu 70%.
População parda: uma condição estrutural
A população parda também encontra mais barreiras na busca por emprego. Em 2026, a taxa de desocupação desse grupo ficou em 6,8%, resultado 38,8% acima do índice entre brancos. Apesar de oscilações, a desigualdade estrutural permanece, reforçando desafios no acesso à renda e estabilidade.
O analista William Kratochwill, do IBGE, explica que os fatores responsáveis por essa diferença vão além da cor da pele. Escolaridade, acesso ao mercado formal e localização geográfica contribuem para que essa disparidade permaneça como uma realidade sistemática, e não apenas momentânea.
Informalidade: pretos e pardos mais vulneráveis
Outro dado relevante é a informalidade, que atinge mais trabalhadores pretos e pardos do que brancos. A média nacional ficou em 37,3%, mas entre pardos subiu para 41,6% e entre pretos, 40,8%. O percentual entre brancos foi de 32,2%.
O conceito de informalidade, segundo o IBGE, abrange trabalhadores sem carteira assinada, autônomos e empregadores sem registro formal.
Na prática, significa ausência de benefícios trabalhistas, como férias, 13º salário e acesso à proteção social. Isso acentua a instabilidade financeira e reduz a possibilidade de mobilidade social desses grupos.
Mulheres: maior taxa de desemprego e desafios históricos
O IBGE revela ainda uma desigualdade entre homens e mulheres. Em 2026, a taxa de desemprego para mulheres ficou em 7,3%, 43,1% superior à dos homens (5,1%).
Apesar de a diferença ter diminuído desde 2012, quando era quase 70%, ela segue impedindo que mulheres tenham igualdade de acesso ao emprego e à renda.
Curiosamente, no que diz respeito à informalidade, as mulheres apresentam uma taxa de 35,3%, abaixo dos homens (38,9%).
Isso indica que, embora estejam em desvantagem na conquista de empregos formais, as mulheres conseguem certa preservação de direitos trabalhistas no universo informal, ainda que enfrentem outros desafios, especialmente ligados à dupla jornada e discriminação.
Jovens têm maior dificuldade de inserção
A idade também influencia nos obstáculos para acesso ao mercado de trabalho. Jovens de 14 a 17 anos apresentam a maior taxa de desocupação do país: 25,1%.
O analista do IBGE explica que muitos dessa faixa etária assumem empregos temporários ou menos estáveis para começar a ganhar experiência.
Pessoas acima de 60 anos, por outro lado, registram a menor taxa de desemprego: 2,5%. Esse dado está ligado ao fato de muitos já terem se desligado do mercado, seja por aposentadoria, seja por dificuldades de reinserção.
Autoidentificação e perfil populacional
A pesquisa considera sempre a autoidentificação racial. Entre os entrevistados do primeiro trimestre de 2026, 45,4% se disseram pardos, 42,5% brancos e 11,1% pretos.
Esses dados reforçam a necessidade de políticas que contemplem toda a diversidade da população e combatam os efeitos históricos do racismo e do sexismo nas relações de trabalho brasileiras.
A discussão em torno da desigualdade no mercado de trabalho vai além de números. Envolve histórias de oportunidades negadas, o peso do preconceito e a urgência de criar caminhos mais justos para o futuro do país.
Desafios para inclusão produtiva e proteção social
O cenário atual mostra que políticas públicas são essenciais para combater desigualdades e promover a inclusão de mulheres, pessoas pretas, pardas e jovens no mercado de trabalho.
Incentivos à formalização, qualificação profissional, ampliação do acesso à educação e enfrentamento do racismo estrutural e do machismo são caminhos comprovados para diminuir as distâncias reveladas pelo IBGE.
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