Conquistar um diploma universitário não tem representado, para muitos brasileiros, a certeza de conquistar espaço no mercado de trabalho.
Cursos como História, Relações Internacionais e Serviço Social aparecem entre os que apresentam maior índice de desemprego logo após a formatura, segundo pesquisas recentes.
Essa realidade exige análise criteriosa de quem pensa em investir anos de estudo para garantir sua futura remuneração e estabilidade financeira.
Cursos que mais enfrentam obstáculos após a formatura
De acordo com levantamento do Instituto Semesp, a taxa de desemprego entre formados em História chega a 31,6%. Relações Internacionais segue próxima, com 29,4%, e Serviço Social não fica atrás, registrando 28,6% de diplomados sem ocupação remunerada após concluírem o ensino superior.
Esses percentuais representam profissionais que não estão atuando nem em suas áreas de formação, nem em qualquer outra ocupação formal.
Além do desafio de encontrar vaga logo após a conclusão do curso, esses profissionais costumam migrar para setores não relacionados à sua graduação. Por exemplo, mais de 40% dos egressos de Engenharia Química e Radiologia trabalham fora do campo para o qual se prepararam.
O impacto é percebido também no rendimento mensal: os salários tendem a ser em média 27,5% inferiores se comparados àqueles que atuam na própria área de formação.
Por que alguns cursos oferecem menos oportunidades?
A dificuldade de empregabilidade varia conforme a demanda do mercado e a estrutura de cada setor. Na área de História, a oferta de vagas é majoritariamente voltada para atuação em escolas, museus ou arquivos – setores com poucas oportunidades e grande número de profissionais qualificados disponíveis.
No caso de Relações Internacionais, o domínio de idiomas estrangeiros e experiências internacionais são requisitos quase obrigatórios, tornando a entrada na área ainda mais limitada a quem possui esses diferenciais.
Já o Serviço Social, frequentemente dependente de concursos públicos, acaba sendo impactado diretamente pela disponibilidade de vagas em órgãos públicos e políticas sociais.
Migração de carreira e salários mais baixos
O distanciamento entre o que se aprende na universidade e o que o mercado demanda faz com que muitos formados optem por migrar para ramos vizinhos ou até mesmo totalmente distintos.
Quem deixa a área de formação para atuar em outros segmentos enfrenta normalmente a realidade de ganhar menos. Esse fenômeno é observado, conforme apontado pelo Semesp, com prejuízo financeiro considerável para esses profissionais.
Para alguns, a saída é investir em pós-graduação, tentar concursos públicos ou buscar funções alternativas em outros setores. Essas estratégias, quando bem planejadas, aumentam as chances de inserção e crescimento profissional, reduzindo a distância entre a formação acadêmica e a prática do mercado.
Planejamento antes da escolha universitária
É fundamental avaliar detalhadamente o cenário de cada carreira antes de iniciar uma graduação. Conhecer o índice de desemprego, as alternativas de atuação, a necessidade de complementação acadêmica e a faixa salarial pode fazer toda a diferença no retorno sobre o investimento em educação superior.
Além disso, acompanhar tendências e demandas emergentes pode abrir caminhos mais promissores. Adquirir competências complementares, como domínio de tecnologias e habilidades comportamentais, pode ser decisivo na empregabilidade, mesmo nos cursos tradicionalmente menos absorvidos pelo mercado.
O diploma, por si só, não é mais garantia de estabilidade profissional e financeira. A análise constante sobre as transformações do mercado de trabalho deve orientar a decisão dos futuros universitários e também motivar a busca por atualização contínua dos graduados.
Para quem encara ou pretende ingressar em áreas com maior índice de desemprego, traçar estratégias de diferenciação e ampliar o leque pode ser a chave para conquistar o tão desejado espaço no mercado.
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