O desemprego perto de 6% mudou a percepção dos brasileiros sobre o mercado de trabalho. Uma pesquisa do Datafolha mostra que 71% dos trabalhadores dizem não ter medo de perder o emprego, no maior nível de confiança registrado desde 2013.
Confira a seguir o que mostra a pesquisa, a relação com o desemprego e quais grupos se sentem mais seguros.
O que mostra a pesquisa do Datafolha
O Datafolha é um dos principais institutos de pesquisa de opinião do país. O levantamento mediu como o trabalhador enxerga o risco de perder o emprego.
Sobre o que mostra a pesquisa, os pontos centrais são os seguintes:
- 71% dos trabalhadores afirmam não arriscar ficar sem trabalho
- É o maior nível de confiança registrado pelo instituto desde 2013
- Outros 19% ainda veem um risco grande de serem demitidos
- A pesquisa ouviu 1.312 pessoas em 139 municípios do país
A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos. Foram ouvidas pessoas com 16 anos ou mais que fazem parte da população ativa.
O recorde da série aconteceu em março de 2013, quando o índice chegou a 75%. O número atual é o que mais se aproxima desse patamar nos últimos anos.
A relação com a taxa de desemprego
A confiança do trabalhador acompanha de perto o cenário do mercado de trabalho. A taxa de desemprego ajuda a explicar isso.
Sobre a relação com o desemprego, os dados mostram o seguinte:
- A taxa de desemprego está próxima de 6%, um dos menores níveis da série
- Em 2019, quando só 58% não temiam a demissão, a taxa era de 11,9%
- O número de quem busca trabalho há mais de dois anos também caiu
A taxa de desemprego mede a parcela de pessoas que procuram trabalho e não acham. Quando ela cai, a sensação de segurança no trabalho tende a aumentar.
Quais grupos se sentem mais seguros
A sensação de segurança no emprego não é igual para todos os trabalhadores. A pesquisa mostra diferenças entre faixas de idade, renda e tipo de trabalho.
Sobre os grupos que se sentem mais seguros, os dados apontam:
- Entre os servidores públicos, 84% não temem perder o trabalho
- Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o índice chega a 80%
- Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, o índice é de 75%
Os servidores públicos formam o grupo com a maior sensação de segurança. Isso se explica pela estabilidade que o cargo público costuma oferecer.
A maior escolaridade também aparece ligada à menor preocupação com a demissão. Quem estudou mais tende a encontrar mais oportunidades no mercado de trabalho.
O que explica a maior confiança
Especialistas ouvidos sobre a pesquisa apontam alguns motivos para o resultado. O cenário do mercado de trabalho é o ponto central das explicações.
Entre os fatores que explicam a maior confiança estão:
- O baixo desemprego, que aumenta a sensação de oferta de vagas
- A força de trabalho por aplicativo, vista como uma opção sempre disponível
- Os reajustes salariais acima da inflação no início do ano
Quem ainda sente mais insegurança
Apesar do otimismo geral, parte dos trabalhadores ainda teme a demissão. A insegurança é maior em alguns grupos específicos.
Sobre quem ainda sente mais insegurança, a pesquisa aponta:
- Entre quem ganha até dois salários mínimos, o índice de confiança cai para 65%
- Os mais jovens, de 16 a 24 anos, também se sentem menos seguros
- As pessoas com menor escolaridade aparecem entre as mais preocupadas
Esses grupos costumam ocupar postos com menor estabilidade no mercado. Por isso, sentem mais o peso de uma eventual perda de renda.
O cenário mostra que a confiança cresceu, mas não chegou de forma igual a todos. A insegurança ainda é mais presente nas faixas de menor renda do país.
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