Os quatro primeiros meses de 2026 representaram um período de avanços na inclusão de jovens no mercado de trabalho. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, foram registrados mais de 726 mil contratos ativos de aprendizagem para jovens entre 14 e 24 anos.
O saldo positivo de 54.821 novos aprendizes empregados impulsionou o Brasil ao seu maior número histórico de contratos ativos para jovens. Segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), esse desempenho representa o estoque mais elevado já registrado, evidenciando a consolidação da aprendizagem como rota relevante de inserção social.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), responsável pela fiscalização da Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000), reforça que esse crescimento resulta de políticas públicas direcionadas, focadas em gerar oportunidades de qualificação e emprego seguro para a juventude. Saiba mais a seguir!
Principais setores com mais oportunidades para aprendizes
Só a Indústria contribuiu com 35.751 contratos de aprendizes ativos entre janeiro e abril de 2026. Os Serviços vêm na sequência, com 7.613 vagas, seguidos por Comércio (5.056), Construção Civil (5.050) e Agropecuária (1.351).
Áreas ligadas a serviços administrativos e produção de bens industriais concentram a maioria dos aprendizes, demonstrando que o mercado está aberto para diferentes perfis de jovens, inclusive para aqueles que ainda buscam formação educacional complementar.
Movimentação mensal impulsiona estabilidade
Apenas em abril, mais 8.772 jovens foram admitidos como aprendizes, sendo a Indústria a maior empregadora deste grupo no mês, à frente do Comércio (2.547), Serviços (2.010), Construção Civil (835) e Agropecuária (647).
Retrato dos jovens aprendizes no Brasil
O perfil traçado pelo MTE aponta equilíbrio de gênero: 52,91% dos aprendizes ativos são mulheres e 47,09% são homens. Em termos de raça/cor, pardos representam a maior parte (47,22%), seguidos de brancos (41,59%), pretos (9,95%), amarelos (0,58%) e indígenas (0,25%).
A faixa etária mais frequente entre os aprendizes continua até 17 anos (65,67%), mas há espaço para jovens adultos: 33,97% têm entre 18 e 24 anos, e uma pequena parcela, destinada a pessoas com deficiência, supera os 25 anos.

Imagem: Blog Pensar Cursos
Garantias e benefícios previstos pela Lei da Aprendizagem
Estabelecida pela Lei nº 10.097/2000, a contratação de aprendizes impõe uma série de direitos e proteções específicas para os jovens. O contrato tem duração máxima de dois anos, com carteira de trabalho assinada, salário mínimo por hora, FGTS com alíquota diferenciada (2%) e 13º salário.
A carga horária de trabalho é limitada: até 6 horas diárias para quem não concluiu o ensino fundamental e até 8 horas para quem concluiu o ensino médio. As aprendizagens teóricas são ministradas por entidades reconhecidas e fazem parte das horas de trabalho.
As férias dos aprendizes são obrigatoriamente alinhadas ao calendário escolar e atividades insalubres para menores de 18 anos são proibidas.
Quem pode se tornar aprendiz?
São elegíveis ao programa jovens entre 14 e 24 anos que estejam matriculados e frequentando o ensino fundamental ou médio, caso não tenham finalizado a educação básica. Para aqueles com deficiência, a legislação federal permite a contratação acima dos 24 anos.
O vínculo deve sempre ser mediado por entidades formadoras autorizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, como as organizações do Sistema S (Senai, Senac, etc.), escolas técnicas ou entidades sem fins lucrativos cadastradas.
Responsabilidade das empresas e alcance nacional
A legislação obriga toda empresa com sete ou mais funcionários em funções que exijam formação profissional a contratar aprendizes, mantendo o percentual do quadro de 5% a 15% nessas vagas. Dessa forma, o cumprimento da cota não só incentiva o acesso, como estimula o desenvolvimento de jovens em múltiplas regiões do país.
Empresas que deixam de cumprir a exigência estão sujeitas à fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego e podem enfrentar sanções administrativas. Por outro lado, o investimento em jovens contribui para a construção de mão de obra futura mais qualificada e engajada em processos produtivos.
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