O setor agro fechou abril com saldo negativo de 8.378 vagas formais no país. O setor teve o pior desempenho entre os grandes grupos no mês.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego na quinta-feira (28). O resultado contrasta com o saldo positivo dos demais setores e ajuda a explicar a desaceleração do mercado de trabalho.
Confira a seguir o recuo do setor, as principais culturas afetadas e o que pesou na queda.
O recuo do setor no mercado de trabalho em abril
O Novo Caged é o cadastro do governo que registra cada admissão e demissão com carteira assinada no país. Os dados são informados pelas empresas mês a mês, e o levantamento serve como o principal termômetro do mercado de trabalho formal brasileiro.
Em abril de 2026, a agropecuária ficou negativa em 8.378 postos, o pior resultado entre os cinco grandes grupos de atividade no mês.
O comércio também fechou no vermelho, com perda de 8.114 vagas, enquanto serviços, construção e indústria continuaram a contratar e seguraram o saldo nacional do mês no campo positivo.
Os principais cultivos por trás da queda
Nem toda lavoura passa pelo mesmo momento ao mesmo tempo. Em abril, três culturas concentraram parte do desligamento de trabalhadores: as áreas de soja, laranja e maçã, todas com grande peso no agro brasileiro.
Essas três culturas costumam concentrar muita mão de obra durante a colheita e, terminada a safra, demitem boa parte dos trabalhadores temporários.
Esse padrão se repete todo ano, em maior ou menor escala, e acaba puxando o saldo do setor para baixo em meses específicos.
No agro, é comum que a contratação volte forte poucos meses depois, quando começam os preparos para o próximo ciclo.
Por que a agropecuária perdeu 8,3 mil vagas em abril
A queda no setor está ligada principalmente ao calendário de cada lavoura. O Ministério do Trabalho aponta a desmobilização das frentes de colheita como o principal fator do recuo.
Os pontos centrais da explicação técnica são:
- Fim do ciclo de colheita da soja, com dispensa de trabalhadores temporários
- Mesma desmobilização nas frentes de cultivo de laranja e maçã
- Encerramento de contratos por safra, comuns no campo brasileiro
Esse padrão sazonal é antigo e foi visto em outros anos. Em abril de 2022, por exemplo, a agropecuária também fechou no vermelho, com 1.021 vagas a menos.
A diferença em 2026 é a intensidade do recuo, bem mais forte do que o registrado em ciclos anteriores no mesmo mês.
O cenário no Nordeste e nas outras regiões
O recuo da agropecuária não se distribuiu de forma igual pelo país. No Nordeste, o setor ficou negativo em todos os nove estados, um sinal de que a entressafra atingiu boa parte das culturas da região no mesmo mês.
Mesmo com o recuo do agro, o Nordeste fechou abril com saldo positivo geral de 18.714 postos, puxado por outros setores.
A Bahia liderou a região com 8.461 vagas, seguida por Ceará (3.509) e Pernambuco (3.340). Alagoas, que já vinha em queda nos meses anteriores, encerrou o mês com perda de 1.505 postos, o pior desempenho regional.
O resultado de abril e o comparativo com outros setores
No total, o Brasil criou 85.888 vagas formais em abril, número bem abaixo do que o mercado esperava. Analistas projetavam um saldo perto de 211 mil postos, e o resultado foi o pior abril desde 2017.
O setor de serviços liderou a criação, com 69.601 postos, seguido pela construção, com 23.525, e pela indústria, com 9.256.
No acumulado de janeiro a abril, o saldo nacional segue positivo em 699.762 vagas, ainda que abaixo das 913 mil registradas no mesmo período do ano passado.
O salário médio real de admissão em abril foi de R$ 2.386,56, com leve alta em relação a março e ganho real de 1,8% na comparação com abril de 2025.
A entressafra explica o recuo de abril, mas o que vem por aí depende muito do ritmo das próximas safras. Acompanhe o Blog Pensar Cursos e descubra antes como o agro vai reagir no Caged dos próximos meses.

