O plural de palavra-chave tem duas formas registradas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), a lista oficial de palavras da Academia Brasileira de Letras.
A confusão nasce de uma regra decorada na escola, a de que, em composto formado por dois substantivos, os dois vão para o plural. Ela existe, mas não vale para todos os casos.
Confira, a seguir, a forma recomendada e a regra que a explica, os exemplos que mais derrubam candidato em prova e onde esse detalhe aparece no dia a dia.
A forma recomendada e a regra por trás dela
O plural mais indicado é palavras-chave. A forma palavras-chaves também consta do VOLP, mas dois dicionários de referência no Brasil, o Houaiss e o Aulete, registram somente palavras-chave.
A explicação está na regra dos substantivos compostos ligados por hífen. Quando os dois substantivos têm peso igual na expressão, ambos vão para o plural: couve-flor vira couves-flores e decreto-lei vira decretos-leis.
Quando o segundo substantivo apenas indica o tipo, a função ou a finalidade do primeiro, ele passa a funcionar quase como um adjetivo e permanece no singular. É o que acontece em navios-escola, salários-família e grupos-alvo.
O teste que resolve a dúvida em segundos
Antes de escrever, faça uma pergunta ao segundo termo do composto: “que tipo de?”. Se ele responder, fica no singular.
Um navio-escola é um navio do tipo escola, e não um navio que também é uma escola. Uma palavra-chave é a palavra que abre o sentido do texto, e não uma palavra que também é uma chave. A mesma lógica se aplica a pontos-chave e questões-chave.
O que leva tanta gente a escrever a outra forma
Se as duas grafias existem, por que uma se espalhou tanto? O que sustenta palavras-chaves é a aplicação automática da regra dos dois substantivos, sem checar a função do segundo termo. Isso não transforma a forma em erro, mas a deixa em desvantagem.
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ENTRAR NOS GRUPOS →O Houaiss chega a classificar chave, nessa posição, como um determinante invariável, com sentido de importante, decisivo ou estratégico. É o mesmo papel que a palavra cumpre em ideia-chave, peça-chave e posto-chave.
Em trabalho acadêmico, artigo científico e conteúdo para a internet, palavras-chave é a escolha segura, porque é aceita por todas as referências e não gera correção.
Em prova, a cobrança costuma ser outra. Como as duas grafias estão registradas, dificilmente uma banca vai considerar palavras-chaves errado. O que ela cobra é a regra que decide o plural de cada composto, e aí existem casos em que apenas uma forma é aceita.
Como saber em qual grupo o seu composto se encaixa
O plural dos compostos não depende de memorizar palavra por palavra. Depende de identificar a classe gramatical de cada elemento:
| Como o composto é formado | Exemplos no plural |
|---|---|
| OS DOIS ELEMENTOS VÃO AO PLURAL | |
| Substantivo + substantivo de peso igual | cirurgiões-dentistas, tenentes-coronéis |
| Substantivo + adjetivo | obras-primas, amores-perfeitos |
| Adjetivo + substantivo | gentis-homens, más-línguas |
| SÓ UM ELEMENTO VAI AO PLURAL | |
| Substantivo + substantivo que indica tipo | palavras-chave, hospitais-escola |
| Verbo + substantivo | guarda-chuvas, beija-flores |
| Palavra invariável + palavra variável | abaixo-assinados, sempre-vivas |
| Elementos ligados por preposição | pés-de-moleque, mulas-sem-cabeça |
| Palavras repetidas ou onomatopeias | tico-ticos, reco-recos |
Com esse mapa, dá para resolver casos que parecem exóticos. Pé-de-moleque vira pés-de-moleque porque há preposição entre os elementos, e sempre-viva vira sempre-vivas porque a primeira palavra é invariável.
Os casos que mais derrubam candidato em prova
Alguns compostos fogem do padrão e aparecem com frequência nas provas. Estes são os quatro que mais confundem:
- Guarda como verbo: só o segundo elemento muda. Guarda-roupa vira guarda-roupas.
- Guarda como substantivo: os dois mudam. Guarda-civil vira guardas-civis.
- Compostos que já terminam em s: nada muda. O lava-louças vira os lava-louças, e o guarda-costas vira os guarda-costas.
- Compostos com vice, grão e grã: só o segundo elemento muda. Vice-presidente vira vice-presidentes, e grão-mestre vira grão-mestres.
E tem o mais comum de todos, aquele que aparece em qualquer agenda: segunda-feira vira segundas-feiras. Nesse caso, os dois termos mudam, porque feira é substantivo com o mesmo peso na expressão.
Onde esse detalhe faz diferença no dia a dia
Quem escreve trabalho acadêmico encontra o termo logo abaixo do resumo, no campo reservado aos descritores do texto. É ali que a forma escolhida fica exposta ao avaliador.
Na internet, a expressão nomeia os termos que levam o leitor até a página pelos buscadores. Nos dois casos, o problema não é escolher uma das formas aceitas, e sim alternar entre elas dentro do mesmo texto.
A saída prática é definir um padrão e manter até o fim, critério que também vale para os outros compostos citados aqui. Alternar as duas grafias no mesmo trabalho passa a impressão de descuido, mesmo quando as duas estão corretas.
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