Duas grafias disputam o nome da tangerina mais popular do país, e apenas uma passa no crivo do dicionário. O impasse entre “ponkan” e “poncã” aparece em rótulos de mercado, cardápios, listas de compras e provas de língua portuguesa.
A dúvida tem uma razão de ser. O nome não nasceu em português e precisou ser acomodado em um alfabeto diferente do original, processo que deixou duas versões circulando ao mesmo tempo.
Confira, a seguir, qual delas os dicionários registram, de onde vem o termo e por que a outra continua estampada nas caixas do sacolão.
Qual das duas grafias o dicionário registra
Quem escreve em português deve usar “poncã”, com c cedilha e til. É essa a forma incorporada ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, e registrada nos dicionários como variedade de tangerina de origem japonesa.
“Ponkan” não é erro de digitação nem invenção comercial. Trata-se do nome original da fruta, mantido na literatura técnica e no mercado internacional.
O que define a escolha é o contexto: em texto corrido, redação e prova, a versão aportuguesada é a opção segura.
Já “poncan” e “pocã” não têm respaldo em nenhuma das duas tradições. A segunda nasce da fala apressada, que engole o n da primeira sílaba.
| COMO SE ESCREVE | SITUAÇÃO |
|---|---|
| poncã | Forma correta em português, registrada em dicionário |
| ponkan | Nome original, usado em rótulos e em textos técnicos |
| poncan | Grafia sem registro. Mistura as duas formas |
| pocã | Grafia sem registro. Perde o n da primeira sílaba |
De onde vem o nome
A palavra chegou ao português pelo japonês “ponkan”, termo que acompanha a fruta desde antes de ela desembarcar por aqui, no início do século passado, com a imigração japonesa.
A partícula “pon” remete a Poona, cidade indiana associada à origem da variedade. Já “kan” corresponde à designação de fruta cítrica.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Como o japonês não usa o alfabeto latino, “ponkan” já é, em si, uma transcrição. Ao entrar no português, a palavra passou por um segundo ajuste, dessa vez para caber na ortografia.
Nesse movimento, o k saiu de cena e o som final virou “cã”, com a nasalização marcada pelo til.
Por que a versão com k resiste
No campo e no comércio, “ponkan” nunca foi abandonado. Para pesquisadores da área agronômica, o argumento é direto: trata-se do nome próprio de uma variedade, e nome próprio não se traduz.
O Instituto Agronômico de Campinas, referência nacional em citricultura, identifica o material cultivado no país como Ponkan IAC 224. É essa grafia que aparece em catálogos de mudas, laudos técnicos e embalagens de exportação.
Na prática, os dois usos convivem em ambientes diferentes. A dúvida só vira erro quando alguém inventa uma terceira forma, sem apoio em nenhuma das duas.
Poncã, mexerica e bergamota: quem é quem
Todas são tangerinas, frutas da mesma espécie, a Citrus reticulata. O que muda é a variedade e, sobretudo, o nome que cada região adotou.
A poncã se destaca pelo tamanho maior, pela casca que sai com facilidade e pelo sabor mais doce, o que explica a preferência do consumidor. A mexerica tem gomos menores e casca mais fina.
O vocabulário regional completa a confusão. No Rio Grande do Sul, a fruta vira bergamota. Em parte do Nordeste, é chamada de laranja-cravo. No Piauí e no Maranhão, aparece como tanja, abreviação de tangerina.
Como não errar na prova
O caminho mais rápido é memorizar pelo contraste. Palavra com k dentro de um texto em português quase sempre sinaliza termo estrangeiro não adaptado, como acontece em “ketchup” e “kart”.
Quando existe versão aportuguesada registrada em dicionário, é ela a resposta esperada em prova, redação e documento formal. A lógica vale para “poncã” e também para casos conhecidos como “xampu” e “iogurte”.
Um último cuidado diz respeito à pronúncia. Falar “pocã” passa despercebido na conversa do dia a dia, mas transferir esse som para o papel elimina uma letra que precisa estar lá.
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