A palavra “qualquer” tem o único plural do português com o “s” no meio: vira “quaisquer” e escapa de vez da regra comum.
Na maioria dos casos, basta acrescentar “s” ou “es” ao fim da palavra. Mas a formação composta, a origem estrangeira e outras particularidades criam plurais que surpreendem até quem já tem intimidade com o idioma.
Confira a seguir por que “quaisquer” é uma exceção tão rara, o que acontece com o plural de “caráter” e quais palavras não mudam nada ao irem para o plural.
Por que alguns plurais fogem do padrão?
O plural mais comum se forma com o acréscimo de “s” ou “es” ao fim da palavra. Duas situações, porém, quebram esse hábito e explicam os casos mais curiosos do português: “quaisquer” e “caracteres”.
No primeiro grupo estão as palavras compostas, formadas pela união de dois termos. Nelas, a marca de plural pode aparecer fora do lugar esperado, como acontece em “quaisquer”.
No segundo estão as palavras herdadas de outras línguas, como o grego, que trazem consigo uma estrutura própria, é o caso de “caracteres”, plural de “caráter”. Conhecer a origem e a composição de cada palavra ajuda a entender por que a regra simples nem sempre funciona.
Como nasce “quaisquer”, o plural com “s” no meio
“Quaisquer” surge da junção de duas palavras: “qual” e “quer”. Ao passar para o plural, apenas a primeira parte muda; “qual” vira “quais”; enquanto “quer” permanece igual.
O resultado é “quaisquer”, em que o “s” fica cravado no meio do termo. Os estudiosos chamam esse fenômeno de plural medial.
Como pronome indefinido, a palavra indica pessoa ou coisa sem identidade definida. Segundo o dicionário Michaelis, “qualquer” aponta para algo genérico, e o plural mantém essa ideia, apenas ajustando a concordância.
O uso correto aparece em frases como “Quaisquer dúvidas devem ser esclarecidas antes da prova” ou “Aceitarei quaisquer decisões do grupo”.
O plural de “caráter” e outras heranças de fora
Diferente de “quaisquer”, o plural de “caráter” não tem nada de medial, mas guarda a própria surpresa: a forma correta é “caracteres”, e não “caráteres”.
A palavra vem do grego e, no plural, retoma a estrutura do termo original, com deslocamento da sílaba mais forte na pronúncia. Por isso não basta somar “s” ou “es” ao fim.
Esse comportamento aparece em vários vocábulos de origem estrangeira, que chegam ao português já com plurais fora do padrão.
Nesses casos, a etimologia, ou seja, a história da palavra, pesa mais do que a regra geral do idioma, e o falante precisa recorrer à memória ou ao dicionário para não escorregar.
Outros plurais que pegam o falante de surpresa
Fora as duas exceções mais famosas, o português reúne uma lista de plurais que desafiam a intuição:
- Pão → pães
- Mão → mãos
- Cidadão → cidadãos
- Órgão → órgãos
- Mal → males
- Lápis → lápis (não muda)
- Ônibus → ônibus (não muda)
As palavras terminadas em “-ão” seguem três caminhos diferentes, virando “-ães”, “-ãos” ou “-ões”, o que costuma gerar confusão até entre falantes atentos. Já termos como “lápis” e “ônibus” são invariáveis: têm a mesma forma no singular e no plural, e só o artigo ou o contexto da frase revela a quantidade.
Como evitar erros nos plurais irregulares
Não existe truque que resolva todos os casos de uma vez, mas alguns hábitos reduzem os deslizes. Consultar dicionários atualizados sempre que surgir a dúvida é o passo mais seguro, já que essas obras registram a forma aceita e trazem exemplos de uso.
A leitura frequente também ajuda: quanto mais a pessoa vê a palavra escrita do jeito certo, mais natural fica reproduzi-la. E reservar um momento para revisar o próprio texto antes de publicá-lo fecha o ciclo, evitando que pequenos erros passem despercebidos.
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