Quase metade dos brasileiros vítimas de fraude financeira no 1º semestre de 2026 tem entre 18 e 34 anos, segundo levantamento da Quod. O país registrou mais de 9 milhões de tentativas e golpes no período, aumento de 10,3% em relação ao semestre anterior, devido a novas regras do Banco Central que reforçaram o compartilhamento de dados entre instituições.
A elevação dos registros reflete principalmente o maior investimento em mecanismos de detecção, após a entrada em vigor da Resolução 501 do Banco Central, que potencializou a troca de informações sobre fraudes. O estudo utiliza dados da base colaborativa Registro Unificado de Fraudes (Rufra).
O principal critério para o recorte do levantamento considera apenas suspeitas e golpes confirmados no ambiente digital, com destaque para fraudes envolvendo celulares e transferências via Pix.
Segundo a Quod, das 3,1 milhões de pessoas afetadas por fraudes no período, 49,1% estão na faixa de 18 a 34 anos. A maioria das operações ilícitas ocorre pelo celular, e quase todos os casos envolvem contas correntes e transferências via Pix.
Como os crimes financeiros ocorrem e quem são as principais vítimas
Entre janeiro e junho de 2026, 78% das tentativas de fraude utilizaram celulares, tornando esses dispositivos o canal dominante para golpistas. Em 94% dos casos, as vítimas tiveram as contas correntes comprometidas, e em 85% houve movimentação via Pix, segundo a Quod e dados do Banco Central acessados pela Agência Brasil.
A faixa etária mais impactada (18 a 34 anos) representa 49,1% dos casos notificados, enquanto pessoas de 35 a 49 anos somam 30%. Homens respondem por 51% das ocorrências e mulheres por 48%. Mais da metade dos atingidos tem renda de até dois salários mínimos.
A reincidência também é alta: cerca de 799 mil vítimas sofreram fraudes duas vezes ou mais no semestre.
O que mudou na detecção das fraudes com as novas normas
A implementação da Resolução 501 tornou a comunicação entre bancos mais ágil, ampliando o registro oficial de tentativas e golpes efetivamente ocorridos. O Rufra centraliza relatos compartilhados por instituições financeiras e empresas, facilitando identificação, bloqueio preventivo e histórico de crimes e vítimas.
Segundo a Quod, esse avanço regulatório fortaleceu não só a repressão às fraudes, mas também revelou tentativas até então subnotificadas, inflando números comparados a períodos anteriores. A Resolução 501 foi decisiva para o aumento das notificações, alinhando o setor financeiro às necessidades crescentes de monitoramento de delitos digitais.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Boa parte dos golpes (40%) se fundamenta em engenharia social, manipulação psicológica para obtenção de informações ou convencimento para transferências. Somente no 1º semestre de 2026, foram registradas mais de 3,6 milhões de ocorrências associadas a esse tipo de golpe.
Quais cuidados diante dos crimes digitais
Recomenda-se cautela com decisões financeiras durante o trabalho, horário preferido dos criminosos para explorar distrações.
Segundo a Quod, consumidores não devem clicar em links suspeitos recebidos por mensagem e evitar fornecer dados bancários ou ceder contas correntes para terceiros.
Ainda não há sinalização de que o ritmo dos crimes vá desacelerar sem ações coordenadas continuadas e maior educação financeira para o uso de pagamentos instantâneos e aplicativos móveis.
O que esperar da prevenção e próximas mudanças
Com novas regras e plataformas como o Rufra, o setor financeiro amplia a capacidade de investigar golpes rapidamente, prevenindo prejuízos maiores.
O aperfeiçoamento na troca de informações entre bancos deve continuar pressionando os responsáveis por fraudes e facilitar o bloqueio de transações suspeitas.
Usuários de serviços bancários, sobretudo jovens, principais alvos, continuam como público estratégico em campanhas de prevenção e orientação sobre segurança digital.
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