O que foi o Cinema Novo?

 

Quem gosta de cinema, ainda mais, cinema brasileiro, certamente já ouviu falar de Cinema Novo. Podemos, inclusive, dizer que o cinema brasileiro de hoje não existiria, sem o Cinema Novo, movimento que teve seu ápice na primeira metade dos anos 70.

Diretores como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, mudaram os rumos da estética cinematográfica brasileira, enquanto filmes como Macunaíma e Os Fuzis causaram polêmicas, chegando a ser proibidos em muitos cinemas, até o fim dos anos 80.

Inclusive, alguns desses filmes chegaram a fazer parte de vestibulares de universidades públicas de todo o país.

Logo, conhecer o Cinema Novo é, mais do que apreciar um bom cinema, conhecer uma face do Brasil, por meio de uma estética extremamente expressiva e simbólica.

Mas afinal, o que é o Cinema Novo?

 

Raízes do Cinema Novo: o neorrealismo italiano

O Cinema Novo tem suas raízes em um cinema fortemente político, produzido, principalmente na Itália do pós-Segunda Guerra.

Diante de um mundo destruído pela guerra, a Europa passava por um momento de privações das mais diversas, como fome, doenças e desemprego. Essa situação levou ao surgimento (ou fortalecimentos) de grupos criminosos e trabalhos escusos, como venda drogas e prostituição.

Esse panorama serviu de inspiração para muitos diretores, que fizeram filmes com forte carga psicológica, e uma estética influenciada pela estética de pinturas do expressionismo francês. Nas obras, a pobreza, as novas elites, e os dramas psicológicos do ser humano no pós-guerra são abordados em enredos complexos e profundos.

Diretores como Luchino Visconti, Federico Fellini e Jean Renoir são alguns dos principais nomes dessa nova tendência do cinema mundial, com filmes como La Dolce vita, Rocco e Seus Irmãos e Obsessão.

 

Cinema e política

Essa perspectiva de um fazer cinematográfico que misturasse psicologia social, ativismo político e imagens marcantes influenciou imensamente os diretores brasileiros dos anos 60.

Desde a fundação de Brasília, criava-se uma utopia de progresso nacional, e erradicação da pobreza. Ao mesmo tempo, havia um forte movimento social de políticos marxistas, pelo combate às desigualdades.

Entretanto, a instabilidade política do mundo, bem como interesses externos, não permitia que essas transformações se dessem nas camadas mais profundas da sociedade

Esse clima de utopia e vontade de transformar a realidade, somado à uma nova concepção sobre identidade brasileira, são alguns dos pilares do Cinema Novo.

 

Cinema social com “sotaque” brasileiro

Muitas das obras do Cinema Novo, principalmente as de Glauber Rocha, procuram retratar essa realidade brasileira, com suas contradições e violências, usando um simbolismo tirado da cultura popular (cordel, toadas).

Outra influência importante foi o movimento anterior ao Cinema Novo, chamado de Ciclo Baiano (na qual o imaginário popular sobre a Bahia, a espiritualidade, relações étnico-raciais são abordadas).

Os filmes do movimento causaram enormes polêmicas, ao mostrar uma realidade brasileira marcada por violências profundas, a sexualização agressiva e o descaso político, em roteiros com poesia e discursos políticos inseridos nas falas das personagens.

O movimento só perdeu sua força, após o engrossamento da Ditadura Militar em 1969.

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