O Inep negou mudanças nos critérios de correção da redação do Enem e anunciou que estuda usar inteligência artificial (IA) para acelerar a divulgação das avaliações.
O tema foi debatido em audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (10), após reclamações de participantes sobre a edição de 2025 do exame. A ideia é reduzir o tempo de espera dos estudantes.
Confira, a seguir, o que o instituto pretende mudar, o que ele nega e o que os estudantes cobraram.
Como a IA pode acelerar a correção da redação
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), informou que vai iniciar uma prova de conceito com empresas de tecnologia para testar o uso de inteligência artificial na correção.
O objetivo é encurtar o prazo de divulgação da folha espelho e da avaliação pedagógica da redação. A folha espelho é o documento em que o candidato vê a própria redação corrigida e a nota obtida em cada competência.
Hoje, esses dados são liberados cerca de 60 dias depois das notas oficiais. A intenção do instituto é reduzir essa espera com o apoio da tecnologia, ganhando velocidade na etapa de avaliação.
Estudantes cobram mais transparência na correção
Os representantes estudantis aproveitaram a audiência para pedir critérios de correção mais claros. As principais demandas foram:
- Critérios mais acessíveis: a diretora de Relações Institucionais da UNE (União Nacional dos Estudantes), Letícia Holanda, afirmou que muitos jovens das periferias têm dificuldade para entender editais e documentos do Enem. Conhecer os critérios, segundo ela, ajuda a planejar os estudos e aumenta a confiança na prova;
- Cautela com a IA: ainda para Holanda, sem controle público e social, a tecnologia pode reforçar vícios e padrões nas redações, em vez de ampliar a transparência;
- Contestação mais simples: o presidente da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Paulo Henrique Viana, defendeu que a folha espelho ajude o estudante a identificar onde errou e a registrar formalmente eventuais inconsistências. Hoje, segundo o Inep, o canal oficial para esse tipo de pedido é a plataforma Fala BR.
Inep nega mudança nos critérios da redação

A audiência foi marcada após questionamentos de estudantes sobre supostas inconsistências e falta de transparência nas notas da edição de 2025 do exame.
O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Eduardo Carvalho Sousa, afirmou que a matriz de referência da redação é a mesma desde 2009. Segundo ele, houve apenas mais rigor na identificação de textos feitos a partir de modelos padronizados, o que chamou de indústria de redações pré-fabricadas, em que o candidato muda apenas algumas frases.
Sobre o processo, o diretor explicou que cada redação é avaliada por dois corretores independentes, que não sabem a nota dada pelo outro. Quando a diferença entre as duas notas passa de 80 pontos em uma competência, o texto é enviado para nova análise. Ele acrescentou que os corretores recebem treinamento específico.
O debate foi puxado por um requerimento do deputado Túlio Gadelha (PSD-PE). Segundo o parlamentar, estudantes relataram divergências matemáticas nos boletins e possíveis alterações em orientações internas do exame.
Por que a redação ganhou destaque na audiência
Representando o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), a coordenadora de educação digital do Paraná, Lorena Pantaleão da Silva, destacou que a prova estimula a cidadania, o pensamento crítico e a capacidade de argumentação, que é justamente o que está em jogo na discussão sobre como corrigir e avaliar esses textos.
Para ela, esse papel formativo reforça a necessidade de um processo de avaliação confiável. Nesse sentido, integrar o Enem ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) poderia ajudar as secretarias estaduais a monitorar o ensino médio e a acompanhar os resultados da aprendizagem de forma mais próxima.
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Antes de se preocupar com a correção, vale se organizar. No vídeo a seguir, veja quais são as datas do Enem 2026 e não perca nenhum prazo:







