Muitas gírias que já foram amplamente usadas em todo o país hoje quase não são mais ouvidas e, muitas vezes, nem reconhecidas pelas gerações atuais. As gírias funcionam como marcas de uma época, sendo palavras e expressões que, com o passar do tempo, acabam se tornando obsoletas ou estranhas, até serem abandonadas pelas novas gerações — provavelmente por serem consideradas “coisa de velho”.
A seguir, confira 9 gírias que já foram muito usadas por milhares de brasileiros. Você pode até já ter ouvido alguma delas, mas talvez não saiba o que realmente significam.
O que fez as gírias antigas se tornarem populares?
As gírias antigas ganhavam destaque quando ligadas a manifestações culturais de grande audiência e a fenômenos sociais regionais. Novelas globais dos anos 1970 e 1980, além de programas de auditório e humorísticos, funcionavam como vitrines desses termos ao incluí-los em roteiros, quadros e bordões.
A TV e o rádio tinham um papel central na padronização dessas expressões, que rapidamente viravam moda entre jovens e, em muitos casos, eram absorvidas por camadas mais velhas do público.
No país dos festivais de música popular, letras de canções também popularizavam termos regionais em âmbito nacional. O ciclo se repetia: uma expressão surgia em um contexto restrito, tornava-se febre graças à mídia e, depois de anos de uso, era rejeitada pelas novas gerações em busca de diferenciação. O uso massivo por artistas e personagens era a principal porta de entrada dessas gírias para o vocabulário comum.
9 gírias que não são mais usadas
Confira a seguir não apenas as 9 gírias, mas também como elas surgiram:
- Supimpa — Ganhou fama entre as décadas de 1950 e 1980, muito usada em programas infantis como “Sítio do Picapau Amarelo”. Transmitia aprovação de modo exagerado, tornando-se marca registrada na fala de personagens carismáticos.
- Abacaxi — Passou a integrar o vocabulário brasileiro como metáfora para problemas difíceis, popularizada em anedotas e quadros humorísticos na TV, especialmente pela referência à fruta de casca dura.
- Marcar touca — Símbolo do jeito descontraído dos anos 1980 e 1990, era comum entre jovens para “dar mole” ou perder chances, ecoando no linguajar dos colégios e rodas de amigos, além de críticas sociais em novelas adolescentes.
- Transado — Ligada à revolução de costumes dos anos 1970 e à ascensão da cultura pop. Em músicas e novelas, descrevia o que era avançado ou estiloso, remetendo a um ideal de juventude moderna e urbana.
- Bulhufas — Termo disseminado por rádios e programas populares para sinalizar incompreensão total. Seu uso carregava certo tom de humor e reconhecimento coletivo da ignorância diante de algo estranho ou complexo.
- Cafona — Nos anos 1960 e 1970, o termo emergiu junto com a polarização entre “brega” e “chique”, sendo tema de paródias musicais e sátiras televisivas, apontando para padrões de gosto e consumo novos e antigos.
- Sebo nas canelas — Com raiz em brincadeiras do Nordeste, especialmente nas festas e corridas do Ceará, a expressão foi nacionalizada por narradores esportivos, simbolizando pressa e movimento rápido.
- Barra pesada — Destacada em novelas e reportagens, descrevia situações difíceis, ameaçadoras ou “punk”, ilustrando os dilemas da juventude urbana diante das crises da época.
- Dar tábua — Bastante comum em novelas dos anos 1980, marcava o fim de um interesse amoroso ao ser usada como sinônimo de rejeição ou “fora”, sendo tema recorrente em roteiros românticos da TV aberta.
Comparativo: do passado ao presente
A tabela abaixo mostra um panorama do ciclo dessas gírias e suas novas equivalências no vocabulário atual:
| Gíria antiga | Significado | Geração Z/2026 |
|---|---|---|
| Supimpa | Ótimo, excelente | Top, brabo, hitar |
| Abacaxi | Problema difícil | Perrengue, BO |
| Marcar touca | Perder oportunidade | Vacilou, deu ruim |
| Transado | Estiloso, descolado | Despojado, hypado |
| Bulhufas | Não entender nada | Zerado, bugado |
| Cafona | Brega, fora de moda | Cringe |
| Sebo nas canelas | Correr, se apressar | Partiu, vapo |
| Barra pesada | Situação difícil/perigosa | Tenso, treta |
| Dar tábua | Dispensar, ignorar | Levar ghost, ser ignorado |
Por que as gírias antigas caíram em desuso?
Essas gírias saíram do cotidiano porque mudanças culturais, novas tecnologias e a ascensão da internet alteraram os canais de transmissão e renovação do vocabulário informal. Hoje as redes sociais e influenciadores digitais aceleram o ciclo de surgimento e substituição de gírias, tornando antigas expressões rapidamente obsoletas.
O envelhecimento dos falantes, associado ao desejo das novas gerações de criar identidade própria, distancia palavras antigas dos vocabulários atuais.
Esse processo é intensificado pelo alcance global e imediato de tendências. Gírias que antes circulavam lentamente agora são disseminadas por aplicativos e plataformas, facilitando a substituição constante e reduzindo o ciclo de vida das expressões antigas. O resultado é que a cada cinco ou dez anos, boa parte do vocabulário informal é renovada.
Você conhecia essas gírias? Que tal compartilhá-las com os seus amigos que também não conhecem? Para mais conteúdos como este, continue acessando o Blog Pensar Cursos!

