A PEC do fim da escala 6×1 será votada em 26 de maio na Câmara — e o resultado pode mudar a rotina de milhões de trabalhadores.
É essa a expectativa criada pelo cronograma da PEC que propõe o fim da escala 6×1, anunciado nesta terça-feira (5) pelo relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O calendário prevê a votação do parecer na comissão especial em 26 de maio e, já no dia seguinte, a apreciação do texto pelo plenário da Câmara, conforme compromisso firmado com o presidente da Casa, Hugo Motta.
Antes do desfecho, parlamentares têm pela frente uma rodada intensa de audiências públicas, com ministros, sindicatos e representantes do setor produtivo. As discussões podem ainda mexer em pontos sensíveis do texto, como prazo de adaptação, exceções por setor e regras de transição.
Confira, a seguir, o que está em jogo, quais são as datas-chave da tramitação e o que pode mudar na rotina do trabalhador caso a proposta avance.
O que é a escala 6×1 e quem trabalha nela
A escala 6×1 é o regime de trabalho em que o profissional cumpre seis dias seguidos de jornada e folga apenas um. É o modelo predominante em comércio, supermercados, restaurantes, postos de combustível, serviços de portaria e atividades de atendimento ao público que funcionam todos os dias da semana.
Na rotina, isso significa pouca convivência com a família nos fins de semana, dificuldade para emendar folgas e tempo reduzido para se recuperar do desgaste físico e mental. Estudos da área de saúde do trabalho associam esse tipo de jornada a maior incidência de ansiedade, lesões por esforço repetitivo e burnout.
Como a discussão chegou ao Congresso Nacional
O debate ganhou força no Brasil a partir de uma forte mobilização nas redes sociais, com adesão expressiva de jovens trabalhadores. A pauta saiu da internet, repercutiu entre parlamentares e se transformou em uma Proposta de Emenda à Constituição que tramita atualmente na Câmara dos Deputados.
Por se tratar de uma PEC, o texto precisa ser aprovado em dois turnos na Câmara e em dois turnos no Senado, com pelo menos três quintos dos votos em cada casa. Antes de ir ao plenário, a proposta passa por uma comissão especial — fase em que se encontra agora, sob a relatoria do deputado Leo Prates.
Quando a PEC contra a escala 6×1 será votada
De acordo com o plano de trabalho apresentado pelo relator, o cronograma fixa duas datas centrais para a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados:
- 26 de maio: votação do parecer dentro da comissão especial;
- 27 de maio: votação em plenário, conforme compromisso assumido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.
O relator pediu colaboração dos colegas parlamentares para que o texto chegue à votação com consenso, evitando surpresas de última hora capazes de travar a tramitação.
Entenda como funciona a votação

No dia 26, o que vai a plenário da comissão é o parecer do relator, documento em que Leo Prates consolida o texto final da proposta após as audiências públicas e reuniões com os setores envolvidos. Esse parecer pode trazer ajustes ao projeto original, como prazos de adaptação, exceções por setor e regras de transição.
Veja, em resumo, como será essa etapa:
- Quem vota: deputados que integram a comissão especial criada para analisar a PEC;
- Como vota: cada parlamentar registra voto a favor ou contra o parecer, e o resultado é definido por maioria simples dos presentes;
- Próximo passo: se aprovado, o texto vai ao plenário da Câmara, onde precisa do apoio de três quintos dos 513 deputados, em dois turnos de votação.
Depois disso, ainda faltam mais duas votações no Senado, também com o quórum reforçado de três quintos, antes que a proposta possa ser promulgada.
Calendário de audiências públicas e debates
Antes da votação final, a comissão especial vai promover uma série de audiências, reuniões técnicas e seminários, com participação tanto de entidades empresariais quanto de representantes dos trabalhadores. A ideia é abrir espaço para diferentes pontos de vista e construir um texto que dê conta dos impactos da mudança.
Confira as principais datas confirmadas:
| Data | Tema | Quem participa |
|---|---|---|
| 6 de maio | Uso do tempo no trabalho | Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego |
| 7 de maio | Reunião externa em João Pessoa (PB) | Comissão especial e entidades regionais |
| 12 de maio | Impactos econômicos do fim da 6×1 | Dario Durigan, ministro da Fazenda |
| 13 de maio | Aspectos sociais da proposta | Secretaria-Geral da Presidência, Inspeção do Trabalho e Dieese |
| 20 de maio | Apresentação do relatório | Comissão especial — 9ª reunião |
| 26 de maio | Votação do parecer | Comissão especial — votação final |
| 27 de maio | Votação em plenário | Câmara dos Deputados |
Segundo Leo Prates, parlamentares interessados em incluir entidades específicas nos debates devem encaminhar o pedido ao deputado Arlindo Chinaglia. A proposta é trabalhar com temas amplos, agrupando setores e categorias que se cruzam na discussão sobre jornada e descanso.
O que pode mudar na vida do trabalhador
Caso seja aprovada nos dois turnos da Câmara e nos dois turnos do Senado, a proposta altera a Constituição Federal e estabelece uma nova jornada padrão para milhões de brasileiros. Os principais efeitos esperados pelos defensores da mudança são:
- Mais folgas consecutivas: duas folgas seguidas em vez de apenas uma, ampliando o tempo livre real para descanso e convivência familiar;
- Redução da carga semanal: diminuição do total de horas trabalhadas por semana, com efeito direto na qualidade de vida;
- Mais previsibilidade: escalas mais distribuídas que facilitam o planejamento de rotina, transporte e estudos;
- Reorganização das empresas: necessidade de novas escalas, possível contratação de pessoal e revisão de horários de funcionamento.
A mudança não seria imediata nem automática. Prazo de adaptação, exceções por setor e regras de transição estão entre os pontos que devem ser detalhados nas próximas reuniões da comissão especial.
Os dois lados da disputa
Por trás do calendário das audiências, há uma queda de braço entre dois grupos com interesses distintos. De um lado, entidades empresariais alertam para o impacto financeiro da mudança, principalmente no comércio e nos serviços. O argumento é que a redução da jornada exigiria mais contratações, o que elevaria custos e poderia se refletir nos preços ao consumidor.
Do outro lado, sindicatos e movimentos sociais sustentam que a escala atual não garante tempo de descanso real ao trabalhador e está fora dos padrões internacionais de jornada. Para esses grupos, a aprovação representa uma atualização histórica, comparável à criação do descanso semanal remunerado e das férias anuais.
As audiências com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, devem trazer dados oficiais para qualificar o debate e ajudar a costurar uma versão do texto capaz de avançar com a maioria necessária.
Próximos passos e como acompanhar a tramitação
Os próximos 21 dias serão decisivos para o futuro da escala 6×1 no Brasil. Acompanhar a evolução das audiências e a posição dos parlamentares ajuda o trabalhador a entender se o texto final virá como o esperado ou com flexibilizações que reduzam o impacto inicial da proposta.
Mesmo aprovada na Câmara, a PEC ainda terá pela frente os dois turnos no Senado antes da promulgação definitiva, o que pode resultar em novos ajustes.
Continue se informando: acompanhe o Blog Pensar Cursos para receber as novidades sobre direitos do trabalhador, mercado de trabalho e concursos públicos.
Fim da escala 6×1: sua profissão vai ser afetada ou está na lista de exceções? Veja, em poucos minutos, se a sua categoria entra na nova jornada que o Congresso está prestes a aprovar.









