O salário mínimo nacional de 2026 foi oficializado em R$ 1.621, mas nem todos os trabalhadores brasileiros recebem esse valor. Alguns estados adotam um piso regional próprio, garantindo remunerações superiores para determinadas categorias profissionais.
Com o Decreto nº 12.797, publicado em dezembro de 2025, o governo federal confirmou o reajuste de 6,79% sobre o piso anterior. Porém, cinco estados mantêm autonomia para definir valores mais altos: São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, historicamente, Rio de Janeiro — embora este último esteja sem atualização desde 2019.
Entender como funciona o salário mínimo regional é fundamental para trabalhadores e empregadores. Afinal, quem não tem piso definido por convenção coletiva precisa saber qual valor deve receber. Confira a seguir os estados que pagam acima do piso nacional e os valores praticados em 2026.
O que é o salário mínimo regional?
O salário mínimo regional é um valor estabelecido por lei estadual que deve ser superior ao piso nacional. A Lei Complementar Federal nº 103/2000 autoriza estados a fixarem seus próprios pisos para categorias que não possuem remuneração definida por acordo coletivo ou legislação federal.
Esse modelo busca adequar os salários ao custo de vida de cada região. Estados com economia mais forte e despesas mais elevadas podem oferecer pisos maiores, garantindo um melhor poder de compra para os trabalhadores locais.
Diferença entre salário mínimo e piso salarial
Muitas pessoas confundem os dois conceitos. O salário mínimo é o valor mínimo nacional que qualquer trabalhador pode receber. Já o piso salarial pode ser regional (definido pelo estado) ou da categoria (definido por convenção coletiva ou sindicato).
Na prática, o empregador deve pagar sempre o maior valor entre o salário mínimo nacional, o piso regional e o piso da categoria.
Estados com salário mínimo regional em 2026
Atualmente, cinco estados possuem legislação própria para piso regional. Confira os valores praticados:
São Paulo
O salário mínimo paulista está fixado em R$ 1.806 desde julho de 2025. O valor foi definido pela Lei nº 18.153/2025 e representa R$ 185 a mais que o piso nacional.
Mais de 76 profissões que não têm piso definido por convenção coletiva são beneficiadas, incluindo empregados domésticos, cuidadores de idosos e pessoas com deficiência, vendedores do comércio varejista e trabalhadores administrativos.
A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pode aprovar novo reajuste ao longo de 2026, mas até o momento o valor de R$ 1.806 permanece vigente.
Paraná
O piso salarial do Paraná é dividido em quatro faixas, conforme o nível de qualificação e setor de atuação. Os valores vigentes são:
- Faixa I (trabalhadores rurais e florestais): R$ 1.984,16
- Faixa II (comércio, serviços e trabalho doméstico): R$ 2.057,59
- Faixa III (produção industrial): R$ 2.123,42
- Faixa IV (técnicos de nível médio): R$ 2.275,36
O Paraná mantém desde 2006 uma política contínua de pisos regionais. Os valores são definidos anualmente pelo Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda (CETER) e podem ter aplicação retroativa a janeiro.

Rio Grande do Sul
O piso gaúcho também funciona por faixas salariais, estabelecidas pela Lei nº 16.311/2025. Os valores variam de R$ 1.789,04 a R$ 2.267,21:
- Faixa 1: R$ 1.789,04
- Faixa 2: R$ 1.893,06
- Faixa 3: R$ 1.989,91
- Faixa 4: R$ 2.099,87
- Faixa 5: R$ 2.267,21
A faixa mais alta supera o piso nacional em mais de R$ 600. O reajuste de 8% aprovado pela Assembleia Legislativa gaúcha em 2025 impacta diretamente milhares de trabalhadores que não possuem convenção coletiva específica.
Santa Catarina
O estado catarinense possui quatro faixas de piso regional, negociadas diretamente entre representantes de empregadores e trabalhadores. Os valores de 2025 foram:
- Faixa 1: R$ 1.730,00
- Faixa 2: R$ 1.792,00
- Faixa 3: R$ 1.898,00
- Faixa 4: R$ 1.978,00
As negociações para 2026 já começaram, com os trabalhadores reivindicando reposição integral do INPC mais 5% de aumento real. Santa Catarina é o único estado do país onde o piso é definido por negociação direta entre as partes, sem imposição governamental.
Rio de Janeiro
Embora possua legislação de piso regional, o Rio de Janeiro não atualiza os valores desde 2019. Com isso, as faixas inferiores ficaram abaixo do salário mínimo nacional e perderam a validade prática. Assim, trabalhadores fluminenses passaram a seguir o piso de R$ 1.621.
Tabela comparativa do salário mínimo regional 2026
| Estado | Valor mínimo | Valor máximo | Diferença para o nacional |
|---|---|---|---|
| São Paulo | R$ 1.806 | R$ 1.806 | + R$ 185 |
| Paraná | R$ 1.984,16 | R$ 2.275,36 | + R$ 363 a R$ 654 |
| Rio Grande do Sul | R$ 1.789,04 | R$ 2.267,21 | + R$ 168 a R$ 646 |
| Santa Catarina | R$ 1.730,00 | R$ 1.978,00 | + R$ 109 a R$ 357 |
Quem tem direito ao salário mínimo regional?
O piso regional se aplica a trabalhadores da iniciativa privada que não possuem remuneração definida em:
- Lei federal específica
- Convenção coletiva de trabalho
- Acordo coletivo sindical
Não têm direito ao piso regional:
- Servidores públicos estaduais e municipais
- Aposentados e pensionistas do INSS (seguem o piso nacional)
- Diaristas (negociam livremente o valor)
- Trabalhadores com piso de categoria superior
Por que alguns estados pagam mais?
A autorização para criar pisos regionais existe desde 2000 e visa atender realidades econômicas distintas. Estados como São Paulo e Paraná possuem custo de vida mais elevado, o que justifica salários maiores.
Além disso, o modelo de faixas salariais adotado por Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina considera o grau de qualificação exigido para cada função. Técnicos de nível médio, por exemplo, recebem pisos superiores aos de trabalhadores em funções operacionais.
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