A língua portuguesa guarda surpresas curiosas quando o assunto é o nome dos animais. Você sabia que a fêmea do elefante pode ser chamada de aliá? Ou que o macho da abelha atende pelo nome de zangão? Pois é, o universo dos substantivos que designam machos e fêmeas no reino animal é bem mais rico do que se imagina.
Muita gente acredita que basta trocar a vogal final para indicar o gênero, mas a realidade é outra. Existem regras específicas, palavras completamente diferentes para o mesmo animal e até casos em que macho e fêmea compartilham exatamente o mesmo nome.
Mais de 95 espécies seguem padrões linguísticos distintos no português brasileiro, e dominar essas variações ajuda a escrever com mais precisão. Confira a seguir os nomes que provavelmente passavam despercebidos no vocabulário cotidiano e entenda como funciona a formação dessas palavras tão particulares.
O que define o masculino e o feminino dos animais
A formação do gênero nos substantivos que indicam animais segue regras gramaticais específicas. Em alguns casos, a mudança é simples e segue o padrão comum da língua. Em outros, surgem palavras totalmente diferentes para identificar o macho e a fêmea da mesma espécie.
Os gramáticos classificam esses substantivos em dois grandes grupos: os biformes, que possuem formas distintas para cada gênero, e os epicenos, que mantêm uma única forma para machos e fêmeas.
Substantivos biformes: quando macho e fêmea têm nomes próprios
Os biformes apresentam duas palavras diferentes, uma para cada gênero. Essa variação pode acontecer por meio de pequenas alterações na palavra ou pelo uso de termos completamente distintos.
Substantivos epicenos: uma palavra para os dois gêneros
Já os epicenos são aqueles em que a mesma palavra serve tanto para o macho quanto para a fêmea. Quando há necessidade de distinguir o gênero, basta acrescentar os termos macho ou fêmea ao nome do animal.
Animais com palavras totalmente diferentes para macho e fêmea
Esse é o grupo que mais surpreende. São casos em que o nome do macho e da fêmea não têm nenhuma semelhança fonética ou gráfica entre si.
Confira alguns exemplos clássicos:
- Boi e vaca
- Cavalo e égua
- Carneiro e ovelha
- Bode e cabra
- Cão e cadela
- Galo e galinha
- Zangão e abelha
A abelha é um caso interessante. O macho da espécie é chamado de zangão, palavra que muita gente desconhece. Já o boi e a vaca formam um dos pares mais conhecidos, embora o touro também seja usado para designar o macho reprodutor.
Quando basta trocar a vogal final
Em diversos animais, a passagem do masculino para o feminino acontece pela simples troca da vogal -o por -a. Esse é o processo mais comum e segue a regra geral dos substantivos da língua portuguesa.
Veja alguns exemplos práticos:
- Gato e gata
- Lobo e loba
- Urso e ursa
- Macaco e macaca
- Coelho e coelha
- Pato e pata
- Pombo e pomba
- Veado e veada
Nesses casos, a regra é direta e raramente causa dúvidas entre os falantes do português.
Femininos formados pelo ditongo -oa
Ainda existe um grupo específico em que o feminino se forma pela troca do ditongo -ão por -oa. Essa formação é menos conhecida, mas aparece em animais bastante comuns no Brasil.
Os principais exemplos são:
- Leão e leoa
- Pavão e pavoa
- Leitão e leitoa
- Faisão e faisoa
Quem nunca ouviu falar em pavoa? Apesar de pouco usada no cotidiano, essa é a forma correta para designar a fêmea do pavão, segundo as regras da gramática normativa.
Femininos irregulares: as formas que fogem do padrão
Alguns animais possuem femininos que não seguem nenhuma das regras anteriores. São casos especiais que precisam ser memorizados, pois a formação foge completamente do esperado.
Casos curiosos do feminino irregular
- Peru e perua
- Javali e javalina
- Elefante e elefanta (também aceito aliá)
- Pardal e pardoca (ou pardaloca)
- Perdigão e perdiz
- Lebrão e lebre
- Grou e grua
A fêmea do elefante, por exemplo, pode ser chamada tanto de elefanta quanto de aliá, palavra de origem africana incorporada ao português brasileiro. Já a fêmea do pardal recebe o nome de pardoca, termo praticamente desconhecido fora dos estudos linguísticos.
Animais com gênero único: os epicenos
Diversos nomes de animais não fazem distinção entre macho e fêmea na própria palavra. Quando é preciso especificar o sexo, acrescentam-se os termos macho ou fêmea, com ou sem hífen.
Exemplos de animais epicenos
- A baleia-macho e a baleia-fêmea
- O jacaré-macho e o jacaré-fêmea
- A girafa-macho e a girafa-fêmea
- O gorila-macho e o gorila-fêmea
- A cobra-macho e a cobra-fêmea
- O tatu-macho e o tatu-fêmea
- A onça-macho e a onça-fêmea
Mais de 95 espécies seguem essa lógica no português, incluindo animais como tartaruga, polvo, beija-flor, borboleta, formiga e tigre. Curiosamente, o tigre admite tanto a forma tigresa quanto tigre-fêmea para designar a fêmea da espécie.
Substantivos de dois gêneros
Ainda existe uma categoria especial em que a mesma palavra pode ser usada no masculino ou no feminino, sendo o gênero indicado apenas pelo artigo. São os chamados substantivos de dois gêneros.
Os exemplos mais conhecidos são:
- O sabiá e a sabiá
- O gambá e a gambá
- O avestruz e a avestruz
- O lhama e a lhama
Nesses casos, somente o contexto e o artigo definem se o animal mencionado é macho ou fêmea.
Variações regionais que enriquecem o vocabulário
O Brasil é um país imenso, e diferentes regiões adotam nomes próprios para machos e fêmeas de alguns animais. Essas variações regionais agregam ainda mais riqueza ao idioma.
Algumas curiosidades pouco conhecidas:
- Gironda ou tarimba: fêmea adulta do javali
- Macharrão: macho adulto da onça
- Capitari: macho da tartaruga
- Caxaréu: macho adulto da baleia
- Pardaleja: fêmea do pardal
- Abada: fêmea do rinoceronte
Esses termos aparecem principalmente em obras literárias, dicionários especializados e na fala de comunidades tradicionais.
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