Fernando Miralles, especialista em oratória com mais de 3,5 milhões de seguidores nas redes sociais, aponta o hábito de redirecionar conversas para si mesmo como uma das falhas de comunicação mais comuns entre profissionais e também nas relações do dia a dia.
Sabe quando você conta uma situação para alguém e, antes mesmo de terminar, a pessoa responde com frases como “isso aconteceu comigo…” ou “quando eu passei por isso…”? Segundo o especialista, esse comportamento pode prejudicar os relacionamentos interpessoais e dificultar a construção de redes de contato mais sólidas.
Miralles, campeão da Espanha em oratória e formador em escolas de negócios e universidades, destaca que, muitas vezes, a pessoa só quer ser ouvida — e não entrar em uma disputa sobre quem viveu a experiência mais difícil, intensa ou importante.
E você, já percebeu se também faz isso durante uma conversa? Continue a leitura e veja como evitar esse comportamento.
Por que redirecionar a conversa para si prejudica relacionamentos
Quando alguém desvia sistematicamente o diálogo para suas próprias experiências, transmite a mensagem de que os problemas do outro são menos relevantes. Esse padrão de comportamento transforma o que deveria ser uma troca em um monólogo disfarçado.
Você provavelmente já vivenciou essa situação: ao compartilhar uma experiência importante, a outra pessoa interrompe com frases como “isso também aconteceu comigo” ou “se eu te contar o que passei”. O foco muda instantaneamente e sua história fica incompleta.
Segundo Miralles, o egocentrismo é um comportamento que deve ser evitado na comunicação. Em um de seus vídeos, ele é categórico ao alertar: “Nunca faça isso quando estiver conversando com alguém. É horrível.”
@fermiralles Nunca hagas esto en una conversación ❌ Te lo explico en el vídeo. #comunicacionnoverbal #hablarenpublico #oratoria #fermiralles #fernandomiralles #comunicacion #politica #empresas
Do ponto de vista da inteligência emocional, esse comportamento demonstra dificuldade em exercer empatia. A pessoa que redireciona constantemente a conversa para si mesma não consegue suspender temporariamente suas próprias necessidades para acolher o outro.
O impacto no ambiente de trabalho e no networking
Em contextos profissionais, o erro mais comum ao falar compromete diretamente oportunidades de carreira. Reuniões, entrevistas e eventos de networking exigem capacidade de ouvir ativamente antes de contribuir.
Profissionais que monopolizam conversas com suas próprias histórias criam uma percepção negativa. Colegas e gestores identificam esse padrão como falta de interesse genuíno, o que dificulta a construção de confiança.
Segundo Matt Abrahams, professor de comunicação estratégica na Stanford Graduate School of Business:
“o maior erro que as pessoas cometem na comunicação é começar do lugar errado”.
Em vez de pensar no que querem dizer, deveriam considerar o que o interlocutor precisa ouvir.
Como praticar a escuta ativa nas conversas
Imagem: Blog Pensar Cursos
A solução para corrigir esse comportamento envolve uma mudança de abordagem. Em vez de buscar conexões imediatas com sua própria experiência, você deve formular perguntas abertas que incentivem o outro a continuar falando.
Perguntas abertas começam com “como”, “o que” ou “por que” e não permitem respostas de sim ou não. Elas demonstram interesse genuíno e criam espaço para que a pessoa desenvolva seu raciocínio.
Exemplos práticos de perguntas abertas:
- Como você se sentiu quando isso aconteceu?
- O que você pretende fazer a partir de agora?
- Por que essa situação foi tão significativa para você?
Esse tipo de pergunta gera empatia e faz com que o interlocutor se sinta valorizado. O resultado é uma conversa mais produtiva e uma conexão mais profunda.
A técnica “conte-me mais” para aprofundar diálogos
Segundo o professor de comunicação, uma forma simples de demonstrar interesse genuíno durante uma conversa é usar a frase: “conte-me mais”. Quando você utiliza essa expressão, transmite três mensagens importantes:
- Você está prestando atenção ao que o outro diz.
- Você considera o assunto relevante.
- Você quer entender a perspectiva do interlocutor em profundidade.
A técnica funciona porque convida a pessoa a expandir suas ideias sem direcionar a conversa. Diferente de perguntas específicas, “conte-me mais” deixa o outro livre para escolher quais aspectos deseja aprofundar.
Ouvir mais e falar menos: o princípio fundamental
O erro mais comum ao falar tem uma correção direta: inverter a proporção entre escuta e fala. Profissionais que dominam a comunicação interpessoal dedicam mais tempo a ouvir do que a expressar suas próprias opiniões.
Esse princípio não significa permanecer em silêncio. A escuta ativa inclui sinais verbais e não verbais de atenção, como acenos, expressões faciais e pequenas confirmações que indicam compreensão.
A comunicação eficaz não se trata de você, mas da sua audiência. Muitas pessoas pensam no que precisam comunicar, porém a comunicação é mais sobre o que o outro precisa ouvir. Ouvir é fundamental para uma comunicação efetiva.
Como identificar se você comete esse erro
A autocrítica é o primeiro passo para a mudança. Observe seu comportamento nas próximas conversas e identifique quantas vezes você traz o assunto para sua própria experiência.
Sinais de alerta que indicam o problema:
- Você interrompe histórias com “comigo foi assim também”.
- Você busca experiências pessoais para “complementar” o que o outro disse.
- Você percebe que fala mais do que ouve na maioria das interações.
- Pessoas parecem frustradas quando conversam com você.
Se você identificou pelo menos dois desses padrões, concentre esforços em reformular sua postura comunicacional.
Exercícios práticos para desenvolver a habilidade
A mudança de comportamento exige prática consciente. Nos próximos 30 dias, experimente os seguintes exercícios:
- Em cada conversa, formule pelo menos três perguntas abertas antes de compartilhar sua própria experiência.
- Quando sentir vontade de falar sobre si, substitua por “conte-me mais”.
- Observe a reação do interlocutor quando você pratica a escuta ativa.
- Ao final de conversas importantes, anote o que aprendeu sobre a outra pessoa.
Esses exercícios criam novos padrões neurais que, com repetição, substituem o comportamento automático de redirecionar conversas.
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