A proposta que põe fim à escala 6×1 sem redução salarial não vai ampliar a informalidade no mercado de trabalho brasileiro.
Essa foi a posição firmada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em entrevista recente ao programa Bom Dia, Ministro, transmitido pelo Canal Gov. A declaração ocorre em meio ao avanço do projeto de lei no Congresso Nacional, que tem gerado intensa repercussão entre empregadores, trabalhadores e juristas.
O debate sobre o fim da escala 6×1 aquece os bastidores de Brasília e desperta dúvidas sobre os efeitos práticos da mudança. Setores empresariais temem o aumento de custos, enquanto entidades sindicais defendem a medida como avanço histórico. No centro da discussão, está a possibilidade de que mais brasileiros migrem para o trabalho sem carteira assinada, caso a alteração seja aprovada.
Confira o que está em jogo, os argumentos do governo e o que pode mudar na rotina de milhões de profissionais com a nova jornada de trabalho.
O que diz o governo sobre o fim da escala 6×1
O ministro Luiz Marinho descartou qualquer risco de aumento da informalidade com a aprovação da proposta. Para ele, o caminho é justamente o oposto: ampliar a formalização das relações de trabalho.
Segundo o titular da pasta, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já oferece diversos modelos de contratação. A atuação conjunta entre sindicatos patronais e de trabalhadores é apontada como peça central para fomentar contratos coletivos e fortalecer vínculos formais.
Posição oficial do Ministério do Trabalho
A pasta defende que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, melhora as condições do mercado. Empresas que já testaram modelos similares relatam ganhos de produtividade e satisfação dos colaboradores.
Como funciona a proposta em tramitação
Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou mensagem presidencial que formaliza o envio do projeto de lei ao Congresso, com pedido de urgência constitucional. A medida prevê o fim da escala 6×1, sem qualquer redução nos salários atuais.
Na Câmara dos Deputados, duas propostas sobre o tema já tiveram sua constitucionalidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Os textos seguem agora para análise em comissão especial e, posteriormente, para votação em plenário.
Flexibilidade nas folgas
A proposta governamental não impõe que as folgas sejam obrigatoriamente em sábados e domingos. O ministro citou o exemplo da manicure, que precisa do sábado para faturar e pode preferir folgar em outro dia da semana.
As pausas semanais poderão ser consecutivas ou intercaladas. A decisão dependerá de convenções coletivas firmadas entre sindicatos patronais e dos trabalhadores.

Impactos esperados no mercado de trabalho
Dados oficiais apontam que o Brasil vive o menor índice de desemprego da série histórica em 2026. Mesmo nesse cenário, muitas empresas relatam dificuldade para preencher vagas abertas, especialmente em funções com escalas exaustivas.
A proposta busca enfrentar uma demanda crescente da juventude e das mulheres, que cobram mais tempo livre para cuidar da família, da saúde e da qualificação profissional.
O que muda para o trabalhador
Com a nova jornada, profissionais terão duas folgas semanais e carga reduzida em quatro horas. Os defensores da medida apontam ganhos em qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
O que muda para as empresas
Negócios que precisam funcionar nos sete dias da semana continuarão autorizados a fazê-lo. A diferença é que a organização das escalas exigirá negociação entre as partes, com respaldo dos sindicatos.
Pequenas empresas terão tratamento especial
O governo sinalizou disposição para dialogar com setores que possam sofrer impactos mais severos com a mudança. Caso pequenos empreendedores apresentem dificuldades, o Executivo promete análise conjunta com entidades representativas.
Linhas de crédito específicas e políticas de apoio podem ser estudadas, a exemplo do que ocorreu em outros momentos econômicos.
Por que a informalidade não deve crescer
Especialistas ouvidos pelo governo apontam que a formalização depende mais da fiscalização e do dinamismo econômico do que da carga horária em si. Países que reduziram jornadas mantiveram ou ampliaram o emprego formal.
A experiência internacional reforça que jornadas menores estão associadas a maior produtividade e menor rotatividade. Esses fatores favorecem a manutenção de vínculos formais e desestimulam práticas precárias de contratação.
O papel das negociações coletivas
A flexibilização proposta pelo governo coloca os acordos coletivos no centro da nova organização do trabalho. Sindicatos terão protagonismo para definir, com cada categoria, o melhor formato de folgas e turnos.
Esse modelo respeita as particularidades de cada setor e evita engessamento. Empresas de comércio, serviços, indústria e agronegócio poderão adaptar suas rotinas conforme a demanda específica.
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Aproveite para assistir ao vídeo abaixo e confira mais informações sobre a redução da carga horária de diferentes tipos de trabalhadores:









