O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) registrou lucro de R$ 14,7 bilhões em 2025, segundo informações preliminares de técnicos do setor. No ano anterior, cerca de 95% do lucro de R$ 12,9 bilhões, referente a 2024, foi distribuído para aproximadamente 134 milhões de trabalhadores.
O percentual que será repassado em 2026 ainda será definido pelo Conselho Curador do FGTS no fim deste mês. A expectativa é de que a distribuição seja menor que a do ciclo anterior, devido a medidas que reduziram as reservas do fundo.
A Caixa deve realizar o crédito da participação nos lucros até 31 de agosto. Terão direito os trabalhadores que possuíam saldo no FGTS em dezembro de 2025, com o valor calculado de forma proporcional ao montante disponível na conta.
Após o depósito, o dinheiro poderá ser consultado pelo aplicativo FGTS ou pelos canais oficiais da Caixa, mas o saque seguirá limitado às regras previstas para retirada do fundo.
Como funciona a distribuição do lucro do FGTS?
As contas do FGTS contam com a correção anual prevista em lei, composta por juros de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR). Conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a atualização dos valores deve garantir, no mínimo, a reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).
O Conselho Curador, liderado pelo ministro do Trabalho Luiz Marinho, é responsável por propor um valor de distribuição que mantenha equilíbrio entre saúde financeira e retorno aos trabalhadores.
Motivos para redução do valor distribuído
Diversas medidas do governo avançaram sobre as reservas do FGTS em 2025. Uma delas foi a aplicação de R$ 12 bilhões a fundo perdido, sob forma de descontos para facilitar a compra de imóveis no programa Minha Casa Minha Vida, beneficiando famílias de baixa renda. Além disso, destacam-se o saque residual para trabalhadores demitidos que optaram pelo saque-aniversário e previsões de resgates, somando R$ 7,7 bilhões.
Outro fator foi a liberação de parte dos saldos para quitação de dívidas pelo Desenrola 2, com estimativa de impacto de R$ 8,2 bilhões. Essas movimentações provocam discussões entre representantes do setor da construção civil, que defendem uma partilha menor, e sindicatos, que pressionam por um percentual mais elevado para os trabalhadores.
Reforço do patrimônio e investimento em políticas públicas
Na visão do Conselho Curador do FGTS, existe a necessidade de aprimorar o patrimônio líquido do fundo, avaliado entre R$ 110 e R$ 112 bilhões em 2025, frente ao valor total de ativos próximo a R$ 840 bilhões. Um objetivo central dessa retenção de parte do lucro é garantir recursos para continuar investimentos em habitação, saneamento básico e mobilidade urbana.
Dessa forma, parte do lucro é direcionada para fortalecer a segurança financeira do fundo e respaldar financiamentos essenciais à infraestrutura nacional.
Arrecadação bruta e robustez do fundo em 2025
O FGTS manteve patamares altos de arrecadação. Em 2024, por exemplo, a receita bruta alcançou R$ 192 bilhões, um aumento de 9% sobre 2023. Esse movimento foi impulsionado sobretudo pela recuperação da formalização no mercado de trabalho e pela elevação dos salários. Esses fatores sustentam a geração recorrente de lucros e garantem o cumprimento das exigências do STF.

Imagem: Blog Pensar Cursos
Novas regras e benefícios ao trabalhador
A exigência de correção mínima pelo IPCA desencadeou uma maior transparência e adequação entre a remuneração do FGTS e a realidade inflacionária, reduzindo as perdas históricas sofridas pelo trabalhador. O modelo atual ainda permite que a distribuição de lucro seja usada como instrumento complementar para assegurar essa rentabilidade, servindo de ajuste sempre que a rentabilidade regular fique abaixo da inflação.
O percentual aprovado será depositado pela Caixa até 31 de agosto nas contas dos trabalhadores que possuíam saldo no FGTS em dezembro do ano anterior. Vale acrescentar que a quantia depositada se soma ao saldo existente e só poderá ser retirada nas modalidades admitidas em lei, como demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria ou doenças graves.
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