Como avaliar os alunos em aulas de Literatura

Alunos do ensino regular têm uma matéria que cai em vestibulares e que, para muitos, é chata: Literatura. Ler romances e poesias, interpretar eles, analisar o que os autores falam… essas etapas são essenciais para compreender um livro e as mensagens que há neles.

O grande problema é que as aulas de literatura costumam ser “chatas”. Falamos disso no artigo anterior, e você pode ler ele aqui, e ver formas de tornar a aula mais divertida, e os livros, acessíveis aos alunos.

Isso, entretanto, não nos exime de um problema. Avaliar a leitura.

Como fazer para sua aula de Literatura ser mais dinâmica e a avaliação não ser uma simples “decoreba”?

Confira aqui algumas propostas de aula e de avaliação (testadas na prática, porque eu sou professor na Prefeitura de São Paulo).

 

1.     Adaptando o livro para outra linguagem

 

Romances clássicos como Dom Casmurro, ou Dom Quixote contam com adaptações em HQs, e nessas, a essência da história é mantida, apesar de a linguagem ser diferenciada. Além disso, elas trazem o apelo visual, que facilita bastante o entendimento da trama.

Por sua vez, clássicos de aventura como Os Três mosqueteiros e A Ilha do Tesouro são obras excessivamente adaptadas para cinema, televisão, programas de TV e afins.

Não pense nas adaptações como inimigas. Pense, contudo, que seus alunos têm mais familiaridade com filmes do que com livros. Logo, para um primeiro momento, prefira o filme, discuta com os alunos, crie empolgação.

Depois você vai para o livro. Então, avalie a leitura pedindo para o aluno criar a versão dele, do livro.

Pode ser um trabalho em grupo, pode ser individual, pode ser vídeo do YouTube, HQ produzida por eles. Eventualmente, você pode até propor um festival cultural, na escola, para apresentar ao público.

 

2.     Compare as situações do livro, com o contexto do aluno

 

Trazer o contexto do aluno pode parecer um pouco complicado, se você pensar livros como Dom Quixote ou Drácula. São livros que se passam no passado, ou têm grandes doses de fantasia.

Mas no fundo, as coisas mágicas existem porque elas têm um equivalente na existência real. E sentimentos e emoções são coisas atemporais. Faça o aluno perceber essas pontes, perceber as metáforas nas fantasias.

Certa vez, fiz um projeto onde relacionei O coração denunciador de Poe com a homofobia: em ambos os casos, há violência sem razão. Os alunos fizeram essa ligação e o resultado foi incrível.

 

3.     Estabeleça comparações entre a Literatura e a cultura pop (sem julgar)

 

Use a cultura dos alunos (mesmo se for funk), para fazê-los perceberem as mensagens da Literatura. E mais importante, faça sem julgar. Serão contextos diferentes, e produções diferentes.

Por exemplo, Mc Gui e Camões falam sobre o amor. Mas cada um tem um contexto e uma forma própria. Compare ambos, e faça os alunos perceberem o que há de Camões no Funk.

Avalie o aluno com uma atividade semelhante: fazer uma comparação entre o “erudito” e o “popular”.

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