De acordo com estudo da consultoria Regulus Partners divulgado pela BBC News, o Brasil entrou para o top 5 dos maiores mercados de apostas do mundo. Esse resultado acende um alerta sobre a ludopatia, doença que afeta pessoas viciadas em jogos de aposta.
Se você quer entender melhor esse transtorno, continue a leitura e veja os principais sinais, causas e consequências.
Como Brasil entrou no top 5 do mercado e o que é a ludopatia?
O Brasil entrou no top 5 do mercado mundial de apostas esportivas após a regulamentação do setor e o aumento expressivo no número de apostadores. Segundo o estudo da consultoria Regulus Partners, só em 2025 o país movimentou cerca de R$ 22 bilhões em apostas esportivas, ficando à frente de muitos mercados tradicionais.
Além de trazer mais arrecadação de impostos e novos empregos, esse crescimento aumentou os casos de dependência do jogo. A ludopatia, ou vício em apostas, é reconhecida como doença desde 2018 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Quem sofre desse problema perde o controle sobre o impulso de apostar, mesmo quando isso traz prejuízos sociais, financeiros e emocionais.
A ludopatia funciona de forma parecida com outros vícios, como álcool ou drogas. O cérebro sente uma grande vontade de apostar para experimentar a emoção e a sensação de prazer. Isso acontece porque, ao apostar, o corpo libera dopamina, um hormônio relacionado ao prazer. Essa sensação faz a pessoa querer apostar cada vez mais, até perder o controle.
Por que a ludopatia é prejudicial?
A ludopatia prejudica diretamente a vida do apostador, afetando o bem-estar, a saúde emocional e a situação financeira. O vício em apostas pode levar ao endividamento, afastamento da família, perda de produtividade no trabalho e, em casos graves, até depressão profunda e pensamentos suicidas.
Os principais sinais de alerta da ludopatia incluem:
- Necessidade de apostar quantias cada vez maiores para sentir emoção;
- Dificuldade em parar ou controlar o impulso de apostar;
- Ficar irritado ou ansioso ao tentar parar de jogar;
- Mentir para a família e amigos sobre as apostas;
- Perder relações importantes por causa do jogo;
- Criar grandes dívidas devido às apostas;
- Apostar tudo o que tem acreditando que vai recuperar o dinheiro ou ganhar o dobro.
O problema não atinge só o apostador, mas toda a família e até a sociedade, pois pode causar sobrecarga nos sistemas de saúde, de assistência social e aumentar conflitos judiciais.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Apostas esportivas: o que diz o Código Civil brasileiro?
O Código Civil, nos artigos 814 a 817, determina que dívidas causadas por jogos e apostas não podem ser cobradas na justiça. Ou seja, se alguém perde dinheiro em uma aposta e não paga, a outra parte não pode exigir esse valor judicialmente.
Porém, a partir de 2025, as apostas esportivas passaram a ter regras próprias no Brasil. Agora, para operar legalmente, as empresas precisam de autorização e passam por fiscalização do governo. Existem regras para proteger o consumidor, controlar a publicidade e garantir o funcionamento correto das apostas (por exemplo: as regras das “bets”).
A legislação também distingue entre jogo (quando depende da habilidade do jogador, como pôquer ou xadrez) e aposta (quando depende do resultado de jogos de outros, como apostas esportivas). As apostas exigem controles e fiscalização maiores.
Atualmente, o contrato entre quem aposta e a empresa de apostas tem valor legal, mas precisa seguir as regras da regulamentação em vigor.
O que o governo tem feito para ajudar?
Com a regulamentação, o governo federal instituiu medidas de fiscalização e prevenção, criando a Secretaria de Prêmios e Apostas, responsável por monitorar e restringir apostas feitas com recursos de programas assistenciais.
Projetos de lei em análise no Congresso Federal propõem a Política Nacional de Jogo Responsável e a proibição de publicidade para plataformas de apostas.
Além disso, exigências de identificação de usuários e bloqueio de perfis com histórico de vício passaram a integrar as boas práticas exigidas das operadoras licenciadas.
O Ministério da Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), recomenda a busca por atendimento especializado e realiza campanhas para conscientizar sobre os riscos da dependência em jogos de azar. O órgão oferece um autoteste online e disponibiliza orientações individuais por meio da plataforma Meu SUS Digital.
Como procurar ajuda para ludopatia?
Pessoas que percebem sinais de dependência em jogos devem buscar orientação especializada, pois lidar com o problema sozinho pode ser muito difícil.
No Brasil, o tratamento é oferecido pelo SUS em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e também em grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos.
Se você sente que o jogo está causando prejuízos em sua vida ou tem sintomas persistentes, procure um profissional de saúde mental. Ele poderá ajudar a encontrar o tratamento mais adequado para o seu caso.
Para mais conteúdos sobre psicologia e comportamento humano, continue acessando o Blog Pensar Cursos.


