Quando falamos em vacinação contra doenças, pensamos em um ato médico algo comum e cotidiano, previsto no calendário, e até obrigatório, na maior parte dos casos.
Entretanto, nem sempre foi assim.
O caso mais conhecido, no Brasil, foram as séries de campanhas que culminaram no motim popular ocorrido entre 10 e 16 de novembro de 1904, no Rio de Janeiro, que terminou por ficar conhecido como “Revolta da Vacina”.
E você sabe o que foi esse episódio histórico? Sabe por que ele foi tão relevante, não só para a história sanitária, mas também para a história política brasileira?
Confira!
Precedentes
Apesar de o nome do levante ser Revolta da Vacina, os motivos que originaram a revolta foram sociais e políticos. Tudo começou quando o então presidente Rodrigues Alves (1848-1919), com apoio do congresso, começou uma campanha de modernização urbana da então capital, Rio de Janeiro, em 1902.
Apesar de ser a capital federal, a cidade ainda tinha muitos elementos de cidade pequena, como ruas estreitas, um porto mal equipado, moradias irregulares, entre outros.
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ENTRAR NOS GRUPOS →Essa organização metropolitana favorecia condições sanitárias precárias. Como consequência, milhares de pessoas adoeciam – e outras milhares iam a óbito – por doenças como peste bubônica, varíola e febre amarela.
No intuito de modernizar a cidade, e melhorar a saúde pública, o presidente iniciou uma série de reforças urbanas, coordenadas pelo prefeito Francisco Pereira Passos (1836-1913) e pelo médico Oswaldo Cruz (1872-1917).
Despejos e invasões
As principais medidas foram o alargamento de ruas e avenidas, demolições de casas, cortiços e demais habitações insalubres. Consequentemente, milhares de famílias de baixa renda foram desalojadas e despejadas para as regiões periféricas da cidade.
Outras medidas incluíam ações que hoje parecem óbvias, mas que eram extremamente comuns no Rio de então.
Dentre elas, a proibição de vacas leiteiras nas ruas, a proibição de hortas urbanas e criações de porcos e proibição de atos como cuspir e urinar em público.
Parte dessas leis ia de encontro com o plano de saneamento urbano de Cruz, que assumira a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), também adotando medidas de fiscalização agressiva, como invasão de focos de doenças e desinsetização de propriedades.
Vacinação obrigatória
A partir de então, o clima no Rio foi de revolta ao governo
O ápice foi a vacinação obrigatória, aprovada pelo congresso de agosto de 1904. Quem se recusasse a tomar a vacina sofreria sanções sociais.
O povo, motivado por lideranças antigoverno e mídias oposicionistas, começou a enfrentar os agentes de saúde com truculência, e violência, até que no dia 10 de novembro, começaram as manifestações.
Essas foram ganhando violência, até que no dia 13, o clima era de guerra civil, e golpe de estado, até a instauração de um Estado de Sítio no dia 16, e mais de 900 prisões, e a suspensão da lei.
Outros estados tentaram fazer seus próprios levantes, mas os líderes dos movimentos foram presos.
E a varíola? Sem vacinação, tornou-se epidêmica em 1908 levando a milhares de mortes.











