Como surgiram as favelas no Brasil?

 

Uma das estruturações birrais mais comuns do Brasil são as favelas. Dados do IBGE mostram que há mais de 6 mil favelas, em mais de 5 mil cidades; essas são ocupadas por mais de 17 milhões de habitantes.

As favelas brasileiras são bastante peculiares, embora em outros países haja bairros em situação semelhantes, como o caso de Soweto, em Johanesburgo (África do Sul), do Harlem, em Nova York (EUA) Dharavi, em Mumbai (Índia).

O caso brasileiro, porém, é peculiar pela sua formação sociocultural, bem como por sua organização econômica. Tanto que “Favela”, foi incorporado ao Inglês (e, consequentemente, a outras línguas).

A palavra “Slum” era usada para falar das favelas do Brasil e do mundo. Atualmente, contudo, muitos antropólogos e urbanistas fazem essa distinção.

Assim, o que é uma Favela Brasileira?

 

Subúrbios e bairros africanos no século 19

Desde meados do século 19, já existiam bairros suburbanos, em grandes cidades, como era o caso de Madureira ou Benfica, no Rio de Janeiro, ou Brasilândia e Parelheiros em São Paulo.

Além disso, nessas cidades existia o conceito de “bairro africano”, isso é um bairro onde ex-escravizados moravam, como é o caso da Lapa carioca ou da Liberdade paulista.

O crescimento das indústrias, porém, aumentou a demanda por moradores no centro, fazendo com que a população carente precisasse ir cada vez mais longe.

Por sua vez, a crescente automatização de lavouras, bem como a substituição de mão-de-obra escravizada, por mão-de-obra livre, europeia, foram gerando um êxodo rural.

A “libertação” dos escravizados, em 1888 (afinal, essas pessoas foram, praticamente, expulsas das propriedades, sem recursos financeiros para recomeçar, intensificou esse movimento.

Assim, a conjetura urbana de grandes cidades brasileiras, no século 19, era essa: milhares de ex-escravizados, sem dinheiro ou emprego, sendo forçados a migrarem dos campos, a uma urbe potencialmente hostil e custosa.

Qual foi a solução encontrada por muitos? Ocuparem os morros e vilarejos, que cercavam as metrópoles. Foi o surgimento das favelas.

 

Ocupações irregulares e miscigenação cultural

Esses milhares de indivíduos, majoritariamente negros, foram se adaptando da forma como era possível.

Isso incluía a construção de casas irregulares, adaptações e improvisos, em termos de medidas sanitárias, além da abertura de terreiros de candomblé, casas de oração e demais aparelhos religioso-culturais – embora essa noção só venha a surgir depois.

Um importante registro dessa época é o romance O Cortiço (1890) de Aluísio de Azevedo. É um romance que, guardadas e reconhecidas as devidas críticas, representa muito bem esse movimento social.

As transformações que as favelas foram sofrendo, e que levaram elas ao formato que têm hoje, porém, só veio a surgir no século 20, com medidas de perseguição religiosa e política, e, consequentemente, o aumento da vulnerabilidade social desses moradores, já tão vulneráveis.

Daí para o surgimento de um poder paralelo, foi uma questão de alguns anos, a partir da década de 1970.

Hoje, as favelas, apesar de serem bairros carentes e dominados pelo crime, centros de formação identitária, abrigando movimentos de resistência cultural e política.

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