Famílias de baixa renda já podem garantir um cartão alimentação de R$ 100, R$ 200, R$ 250 ou R$ 300 por mês para reforçar as compras.
E quem é do Bolsa Família deve ficar ainda mais atento: em um desses programas, estar no benefício federal é justamente um dos requisitos para receber o cartão.
Confira, a seguir, onde cada programa funciona, quem tem direito e como fazer para garantir o seu.
Onde cada cartão funciona e qual pede o Bolsa Família
Entre os quatro programas, o Ceará Sem Fome, do Ceará, é o que mais interessa a quem já recebe o Bolsa Família. Isso porque, nele, estar no benefício federal não é um detalhe: é uma exigência. Só entra na lista a família que já recebe o Bolsa Família e mantém o cadastro em dia.
Ainda assim, vale destacar que o cartão não é liberado a todos os beneficiários do Bolsa Família. Ele é pago apenas a quem cumpre, além dessa condição, os demais requisitos do programa, como a atualização do cadastro e a presença de uma criança ou adolescente na família.
Os outros três seguem uma lógica diferente e mais aberta. Olham para a renda e para o Cadastro Único (CadÚnico), sem cobrar que a família esteja no Bolsa Família. São eles:
- Cartão Prato Cheio (DF): R$ 250 por mês;
- Cesta da Família (RR): R$ 200 por mês;
- Pró-Família (MT): R$ 100 por mês.
Na prática, quem não recebe o benefício federal também pode ter direito a esses três.
Ceará Sem Fome: cadastro no Bolsa Família é obrigatório
O Ceará Sem Fome, da Secretaria da Proteção Social (SPS) do Ceará, paga R$ 300 por mês em um cartão para a compra de alimentos e já atende cerca de 45 mil famílias nos 184 municípios do estado. O programa é permanente e foi criado pela Lei estadual nº 18.312/2023.
Por ser voltado a quem já está no Bolsa Família, o programa define regras que precisam ser cumpridas ao mesmo tempo:
- Ser beneficiária do Bolsa Família, com renda por pessoa de até R$ 218;
- Ter o Cadastro Único atualizado nos últimos 24 meses;
- Ter, na família, pelo menos uma criança ou adolescente de até 14 anos;
- Ter, preferencialmente, uma mulher e uma pessoa de baixa escolaridade como responsável familiar;
- Estar com o Bolsa Família ativo, sem bloqueio ou suspensão.
A seleção é automática, feita pela SPS e pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) a partir dos dados do CadÚnico, sem necessidade de inscrição.
A lista de contemplados é divulgada nos canais oficiais do programa e das prefeituras, e a consulta pode ser feita pelo NIS no site oficial do Ceará Sem Fome. Depois de convocado, o responsável familiar tem até 45 dias para retirar o cartão.
R$ 250 no Cartão Prato Cheio, do Distrito Federal

No Distrito Federal, o Cartão Prato Cheio, da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), garante um crédito mensal de R$ 250 para a compra de alimentos, disponível em um cartão do BRB. O programa foi criado pela Lei nº 7.009/2021, que instituiu o benefício.
Para ter direito, a família precisa cumprir os seguintes requisitos:
- Morar no Distrito Federal;
- Ter renda por pessoa de até meio salário mínimo;
- Estar em situação de insegurança alimentar e nutricional;
- Estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) ou no sistema da própria Sedes.
Têm prioridade as famílias chefiadas por mulheres com crianças de 0 a 6 anos. O crédito cai no primeiro dia útil do mês e não permite saque em dinheiro.
Para participar, o caminho é procurar a assistência social e passar por uma avaliação socioassistencial, com agendamento pelo telefone 156 ou pelo site da Sedes. Se a família cumprir os critérios, o cadastro é feito e o cartão liberado para retirada.
R$ 200 no Cesta da Família, de Roraima
Executado pela Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) de Roraima, o Cesta da Família entrega uma cesta básica de alimentos ou um cartão alimentação com crédito mensal de R$ 200. O programa atende famílias da capital e do interior, incluindo comunidades indígenas, ribeirinhas e migrantes.
O critério central para participar é ter renda por pessoa de até meio salário mínimo. Além disso, o Governo de Roraima prioriza estes grupos na concessão do benefício:
- Pessoas em situação de rua;
- Ribeirinhos;
- Povos originários (indígenas);
- Famílias chefiadas por mulheres;
- Mulheres vítimas de violência.
Os cadastrados passam por atualização periódica, e a lista dos contemplados é divulgada no site oficial e nas redes sociais da Setrabes. Para retirar a cesta ou o cartão, é obrigatório apresentar um documento oficial com foto.
R$ 100 no Pró-Família, de Mato Grosso
Coordenado pela Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Setas) de Mato Grosso, o Pró-Família dá um crédito mensal de R$ 100 para a compra exclusiva de alimentos em mercados credenciados. O cartão não pode ser usado para bebidas alcoólicas, cigarros, combustíveis nem cosméticos.
Para participar, a família precisa se enquadrar nos seguintes requisitos:
- Viver em situação de vulnerabilidade social, com prioridade para pobreza e extrema pobreza;
- Ter renda por pessoa inferior a um terço do salário mínimo;
- Ser identificada pelos Agentes Comunitários de Saúde, que constatam a situação da família;
- Ter a situação confirmada por assistentes sociais e validada pelo Comitê Gestor Municipal.
Para participar, o caminho é procurar o Cras mais próximo e manter o CadÚnico atualizado. A seleção acontece por busca ativa das equipes, que visitam as famílias e encaminham os casos para validação.
O benefício tem caráter temporário, com permanência estimada de um ano, podendo ser renovado após avaliação.
Como saber se você tem direito e onde pedir
Como cada estado tem o seu programa, o primeiro passo é confirmar se ele existe onde você mora e quais são as regras locais. Para não perder a chance, vale seguir três cuidados:
- Manter o CadÚnico atualizado, de preferência a cada 24 meses ou sempre que a renda ou a composição da família mudar;
- Procurar o Cras mais próximo para conferir se há um programa disponível na sua cidade e como entrar;
- Acompanhar o site oficial da secretaria de assistência ou proteção social do seu estado.
Vale reforçar que esses cartões são estaduais e independentes do Bolsa Família. Manter o Cadastro Único em dia, porém, é o que abre a porta para a maioria deles e garante que a família seja localizada quando surgirem vagas.
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