Esse gesto parece pequeno, quase invisível, mas roer as unhas todos os dias pode revelar muito mais do que um simples hábito nervoso. Cerca de 20% a 30% da população apresenta esse comportamento em algum momento da vida — e, quando ele persiste na fase adulta, costuma estar ligado a questões emocionais que merecem atenção.
Entender o que está por trás desse gesto é o primeiro passo para lidar com ele de forma consciente.
O que é a onicofagia e por que ela acontece?
Onicofagia é o nome técnico para o hábito de roer as unhas. Trata-se de um comportamento repetitivo que pode ocorrer em momentos de nervosismo, tédio, estresse ou até de forma inconsciente, como durante os estudos ou antes de dormir.
Embora seja mais comum entre crianças de 7 a 10 anos, o hábito se torna motivo de atenção clínica quando se estende à adolescência ou à vida adulta.
Quando o hábito se torna um problema
Segundo especialistas, a onicofagia deixa de ser um comportamento passageiro quando:
- Ocorre diariamente e de forma difícil de controlar
- Causa ferimentos, infecções ou danos nas unhas e cutículas
- Gera vergonha ou baixa autoestima
- Interfere na qualidade de vida social e profissional
Causas emocionais de roer as unhas
O hábito de roer as unhas está diretamente relacionado ao estado emocional. As principais causas incluem:
- Ansiedade e nervosismo acumulados ao longo do dia
- Estresse diante de situações desafiadoras
- Necessidade de liberar tensão em momentos de frustração
- Busca inconsciente por conforto ou distração
Pessoas que apresentam esse comportamento frequentemente encontram nesse gesto uma forma de lidar com sentimentos internos difíceis de expressar verbalmente.
A relação com a personalidade
Além do aspecto emocional, roer unhas pode refletir traços de personalidade. Indivíduos perfeccionistas ou autocríticos tendem a apresentar o hábito com mais frequência, como uma resposta às próprias expectativas elevadas e à dificuldade de relaxar diante de situações cotidianas.
O que a psicologia diz sobre roer as unhas?
Segundo especialistas, o hábito de roer as unhas, segundo a psicologia, vai além de um simples vício comportamental.
Estudos apontam relação entre a onicofagia e transtornos como:
- Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
- Transtornos de ansiedade
- Em casos mais graves, depressão
A psicologia classifica esse comportamento como um comportamento repetitivo focado no corpo (BRFC), categoria que inclui outros hábitos como arrancar cabelos ou morder a bochecha. Nesses casos, o acompanhamento profissional pode ser necessário para identificar a origem emocional do comportamento.
Onicofagia e autoestima
Adultos que não conseguem controlar o hábito frequentemente relatam baixa autoestima, sentem-se envergonhados e evitam mencionar o assunto em público. Essa dimensão emocional reforça a importância de tratar o comportamento com seriedade — e sem julgamentos.
Consequências para a saúde de roer as unhas
Roer as unhas não afeta apenas a estética. O hábito pode trazer consequências físicas concretas:
- Danos às cutículas e à pele ao redor da unha
- Risco elevado de infecções bacterianas e fúngicas
- Dificuldade no crescimento saudável das unhas
- Alterações no esmalte dentário
- Contaminação por bactérias, já que as mãos tocam superfícies diversas ao longo do dia
Como parar de roer as unhas: estratégias práticas
Para quem deseja reduzir ou eliminar o hábito, algumas abordagens práticas têm demonstrado resultados:
- Identificar os gatilhos emocionais que levam ao comportamento
- Manter as mãos ocupadas com atividades alternativas, como escrever ou usar objetos antistresse
- Aplicar produtos com sabor amargo específicos para unhas
- Investir em cuidados regulares com as unhas, como hidratação e esmaltação
- Usar barreiras físicas, como luvas ou curativos, para evitar o contato com os dentes
- Buscar apoio psicológico, especialmente quando o hábito estiver ligado à ansiedade ou ao estresse intenso
Quando buscar ajuda profissional
Se o hábito persistir ou causar danos frequentes, é recomendado buscar orientação de um profissional. O tratamento pode envolver psicólogo, psiquiatra, dermatologista e dentista — dependendo da intensidade e das consequências do comportamento.
Crianças que roem as unhas: o que os pais devem observar
O comportamento é bastante comum na infância, especialmente entre 7 e 10 anos. Nessa faixa etária, roer as unhas pode ser uma resposta natural ao estresse escolar, mudanças familiares ou adaptações sociais.
A atenção dos pais é importante quando o hábito:
- Persiste por meses sem melhora
- Causa ferimentos recorrentes
- Está associado a outros sinais de ansiedade ou dificuldade de concentração
O acolhimento e o diálogo são mais eficazes do que repreensões diretas.
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