Os transtornos emocionais não afetam apenas os adultos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 10% e 20% das crianças e adolescentes no mundo convivem com algum tipo de transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão alguns dos quadros mais comuns.
A infância é uma fase de descobertas, mudanças e desafios. Por isso, nem sempre é fácil diferenciar comportamentos típicos do desenvolvimento de sinais que exigem atenção. Ainda assim, é fundamental observar quando alterações emocionais, comportamentais ou físicas fogem do esperado para a idade.
A seguir, veja quais sinais podem indicar depressão em crianças.
Sinais de alerta: mudanças comportamentais e emocionais
Dificilmente a criança consegue nomear suas emoções, expressando-as muitas vezes através do corpo ou de atitudes cotidianas. Entre os sinais mais comuns estão:
Alterações frequentes de humor
Variações repentinas entre tristeza, irritabilidade e raiva, sem causas aparentes, podem representar indícios desse transtorno. Se o comportamento diferente se mantém por semanas, é recomendado buscar orientação especializada.

Imagem: Blog Pensar Cursos
Perda de interesse e apatia
Crianças que demonstravam entusiasmo por certas atividades, como brincar, desenhar ou se relacionar com amigos, podem apresentar desinteresse repentino. Esse sintoma frequentemente surge no ambiente escolar e pode ser notado por professores diante da falta de participação ou motivação.
Queixas físicas recorrentes
Dores de cabeça, estômago, ou mesmo cansaço excessivo, são possíveis manifestações emocionais. É comum que essas queixas levem a idas ao médico, mas, na ausência de causas clínicas, o componente psicológico deve ser considerado.
Comportamentos alimentares alterados
Mudanças no apetite, tanto o excesso quanto a falta de vontade de comer, são mencionadas por profissionais da área como sinais frequentes da depressão infantil. A desatenção dos pais pode resultar em atrasos no reconhecimento do quadro.
Dificuldades na escola e concentração insuficiente
Desempenho escolar abaixo do habitual, desatenção e tarefas inacabadas costumam surgir juntamente com quadros de ansiedade. Professores e responsáveis devem atentar para esse comportamento, considerando também o histórico emocional da criança.
Por que os sinais são confundidos e ignorados?
O desconhecimento sobre os sintomas da depressão infantil e o tabu em torno da saúde mental fazem com que muitos casos permaneçam sem tratamento. A interpretação equivocada desses sinais como falta de disciplina ou preguiça é prejudicial ao desenvolvimento e pode atrasar o início de intervenções.
Diagnóstico: o papel da família e dos profissionais
O diagnóstico adequado da depressão infantil é feito a partir da combinação de diferentes informações, envolvendo o contexto familiar, o ambiente escolar e a avaliação clínica realizada por profissionais especializados. Mudanças na rotina da família, experiências traumáticas, como luto ou separação, e a presença de outras condições de saúde em tratamento também são fatores considerados na análise.
Quando a família percebe sinais de sofrimento emocional na criança, é importante buscar orientação e conhecer os recursos disponíveis. O atendimento na rede pública de saúde, o acompanhamento psicológico e a comunicação constante entre responsáveis, escola e especialistas são medidas essenciais para lidar com esses casos com cuidado, respeito e empatia.
Também é fundamental diferenciar comportamentos pontuais de alterações persistentes. Situações isoladas, como birras ou momentos de irritação, não indicam necessariamente um quadro depressivo. Já a depressão costuma envolver sinais que permanecem por semanas ou meses e interferem no bem-estar e na rotina da criança.
Como ocorre o tratamento em crianças?
O tratamento da depressão infantil deve contar, necessariamente, com acompanhamento psicológico. Entre as abordagens mais utilizadas está a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a criança a identificar, compreender e reorganizar pensamentos e emoções diante das situações do dia a dia.
A participação da família também é importante para a evolução do tratamento. Pais e responsáveis são orientados a acompanhar o processo de perto, oferecendo apoio, acolhimento e informação. Essa orientação, chamada de psicoeducação, contribui para que a criança se sinta mais segura e compreendida.
Ao longo do acompanhamento, é comum que a criança misture elementos da imaginação com situações reais, principalmente quando há medo envolvido. Isso pode intensificar o sofrimento emocional. Por isso, o terapeuta utiliza técnicas específicas para estimular o autocontrole, fortalecer a confiança e ajudar a criança a lidar melhor com suas emoções.
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