O fim da escala 6×1 avança no Congresso e deixa milhões de trabalhadores em dúvida sobre o próprio futuro profissional. Nem todos serão afetados pela nova regra.
A proposta que reduz a jornada e extingue o modelo de seis dias trabalhados por um de descanso está em análise, mas o texto indica exceções importantes. Categorias com regime próprio, plantões e contratos especiais tendem a seguir com regras diferenciadas mesmo após a mudança.
Dados do governo federal mostram que cerca de 14 milhões de brasileiros atuam hoje no regime 6×1, enquanto outros 37 milhões cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. A definição sobre quem entra e quem fica de fora passa por acordos coletivos, normas específicas e pela forma como cada atividade é regulada. Confira quais profissões podem permanecer com escalas atuais caso a proposta seja aprovada.
O que está em discussão sobre o fim da escala 6×1?
Três propostas tramitam no Congresso Nacional e tratam da redução da jornada de trabalho no país. Cada texto apresenta regras e prazos diferentes para os setores produtivos.
O governo federal enviou um projeto de lei em regime de urgência constitucional. A proposta fixa a jornada semanal em 40 horas e estabelece o modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Em paralelo, duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) seguem em análise.
PECs e projeto de lei: diferenças principais
A PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, prevê jornada de 36 horas semanais em quatro dias de trabalho e três de descanso. A PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes, propõe redução gradual para 36 horas semanais ao longo de dez anos.
O projeto do Executivo mantém a jornada diária de oito horas, assegura dois dias de repouso semanal e proíbe qualquer redução salarial. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, estima que a aprovação pode ocorrer em até três meses.
Profissões que podem ficar de fora da nova regra
O texto em discussão preserva categorias já estruturadas sob regimes próprios. Atividades essenciais e contratos com jornadas específicas tendem a manter o formato atual.
Entre as principais profissões que devem permanecer com escalas diferenciadas, estão:
- Servidores públicos com jornadas específicas previstas em estatutos próprios;
- Militares das Forças Armadas e forças auxiliares;
- Profissionais da saúde em regime de plantão 12×36;
- Aeronautas regulados por legislação específica;
- Marítimos e trabalhadores embarcados;
- Funcionários da indústria de petróleo em plataformas;
- Trabalhadores em regime 12×36 de diversos setores;
- Cargos de confiança e executivos dispensados do controle de jornada;
- Profissionais com autonomia de jornada, como trabalho remoto ou por produtividade.
Por que esses grupos seguem regras próprias
Segundo a advogada Júlia França, pós-graduada em direito cível e processual pela Escola Superior do Ministério Público de Pernambuco, a proposta tende a preservar categorias com normas específicas. Para ela, a negociação coletiva será central para ajustar eventuais mudanças.
O advogado Douglas Matos, pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela PUC-RS, reforça que a flexibilização está garantida no projeto, com a inclusão dessa faculdade no artigo 611-A da CLT. Acordos e convenções coletivas permitirão adaptar as regras à realidade de cada segmento.
Trabalhadores informais e autônomos também ficam fora
Motoristas de aplicativo, entregadores, ambulantes e empregados domésticos sem carteira assinada não devem ser alcançados pela mudança. O mesmo vale para autônomos informais que não se enquadram como pessoa jurídica ou microempreendedor individual.
Esses profissionais não estão cobertos pelos direitos da CLT e, por isso, não serão diretamente impactados pelo fim da escala 6×1. Trabalhadores com escala especial, como médicos, professores, engenheiros e profissionais de tecnologia, também já operam sob regras próprias.
O caso dos bancários
A categoria bancária conta com previsão legal específica que regula a jornada de trabalho. A rotina de seis horas diárias já está consolidada em norma própria e não depende da mudança em análise no Congresso.
Impacto para quem trabalha no regime 6×1 hoje
A proposta do governo garante a manutenção do salário mesmo com a redução da jornada semanal. O modelo 5×2 prevê repouso preferencialmente aos sábados e domingos, com possibilidade de ajuste por negociação coletiva.
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