Seis dias trabalhando para descansar apenas um. Se você vive isso, saiba: essa realidade pode estar chegando ao fim — e a mudança pode ser maior do que você imagina!
Uma proposta que tramita no Congresso Nacional prevê o fim da escala 6×1 e uma redução significativa na jornada de trabalho semanal, sem que o trabalhador perca nada no salário.
O tema ganhou força no início de 2026 e virou prioridade tanto para o governo federal quanto para o Congresso. Com o vice-presidente Geraldo Alckmin reforçando publicamente o apoio à medida e uma proposta de emenda à Constituição já aprovada na CCJ do Senado, o debate avançou — e o que antes parecia distante começa a tomar forma concreta.
Se você trabalha com carteira assinada, é servidor público ou simplesmente quer entender o que pode mudar na sua rotina, continue lendo.
Por que a jornada de trabalho voltou ao centro do debate
Há quase quatro décadas, o Brasil não mexe na sua jornada máxima de trabalho. Desde a Constituição de 1988, o limite é de 44 horas semanais — e foi assim até hoje. Mas, o mundo do trabalho mudou muito desde então, e a pressão por uma atualização cresce em vários setores da sociedade.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou, em reunião com sindicalistas em São Paulo, que já se passaram quase 40 anos desde que a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. Para ele e para o governo federal, está na hora de dar o próximo passo — com mais tempo para o trabalhador e sem impacto no seu bolso.
A pressão que veio das ruas — e chegou ao Congresso
O movimento pelo fim da escala 6×1 começou a ganhar força fora do Congresso, impulsionado por trabalhadores que passaram a questionar publicamente a qualidade de vida sacrificada em nome da produtividade. A repercussão foi tão grande que rapidamente chegou às pautas legislativas.
Em dezembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 148/2015, com relatório do senador Rogério Carvalho.
A proposta está pronta para ser votada no Plenário do Senado — e o senador, que também é líder do governo na Casa, não esconde o tamanho do impacto esperado: a estimativa é de que 38 milhões de trabalhadores CLT sejam diretamente beneficiados, além de outros 120 milhões de brasileiros que, de alguma forma, sentirão os efeitos da mudança.
O que a proposta prevê na prática
A PEC propõe duas mudanças principais na Constituição:
- Redução da jornada máxima semanal de 44 para 36 horas, sem contar horas extras;
- Ampliação do descanso semanal mínimo de um para dois dias — preferencialmente, sábado e domingo.
E o salário? Não pode ser reduzido. Os empregadores ficam proibidos de cortar a remuneração como forma de compensar a diminuição das horas trabalhadas.
Na prática, o expediente poderia ser reorganizado de diversas formas. Algumas possibilidades:
- Oito horas de segunda a quinta-feira, e quatro horas na sexta-feira;
- Sete horas e 12 minutos de segunda a sexta-feira.
O limite de oito horas diárias seria mantido, e acordos trabalhistas poderiam adaptar os horários conforme cada setor.
Como seria a transição — e quem teria direito
A mudança não aconteceria de uma hora para outra. Segundo a PEC, a transição seria gradual, ao longo de seis anos:
Cronograma de transição previsto pela PEC 148/2015
Além dos trabalhadores com carteira assinada, também teriam direito à redução da jornada: servidores públicos, empregadas domésticas, trabalhadores portuários e outros trabalhadores avulsos.
Contratados como pessoa jurídica (PJ) não seriam contemplados diretamente. No entanto, o novo padrão do mercado tende a influenciar até esses contratos, segundo o relatório aprovado na CCJ.
A regra também não se aplica a profissionais que atuam em escalas diferenciadas, como a 12 por 36.
Qual é o caminho até a aprovação
A PEC ainda não está aprovada. Para entrar em vigor, ela precisa passar por:
- Duas votações no Plenário do Senado, com apoio de pelo menos 49 senadores;
- Duas votações na Câmara dos Deputados, com apoio de pelo menos 308 deputados.
Além disso, o Palácio do Planalto estuda enviar um novo projeto de lei em regime de urgência constitucional para acelerar a tramitação — o que pode mudar o caminho da proposta que chegará à votação final.
Há quem questione o impacto para as empresas
Nem todos apoiam a proposta sem ressalvas. O senador Izalci Lucas levantou questionamentos sobre os custos da medida para o setor produtivo, especialmente para pequenas empresas com poucos funcionários. Para ele, os efeitos econômicos ainda não foram devidamente calculados.
O debate é legítimo — e faz parte do processo. O fato é que a proposta segue em tramitação, com apoio do governo e pressão crescente da sociedade.
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