Trocar “mas” por “mais”, usar crase antes de verbo ou escrever “concerteza” junto — esses erros gramaticais aparecem em mensagens, e-mails e até em textos profissionais de pessoas que dominam bem o português.
A língua falada influencia diretamente a escrita, e construções informais acabam sendo levadas para contextos que exigem a norma culta. O resultado? Deslizes que se repetem por hábito e passam despercebidos.
A boa notícia é que identificar esses erros gramaticais já é metade do caminho para corrigi-los. A seguir, confira os 12 deslizes mais frequentes, com exemplos práticos e explicações simples para não errar mais.
Por que erros gramaticais são tão comuns no português?
A língua portuguesa é rica em detalhes. São regras de concordância, regência, acentuação e ortografia que, somadas às exceções, formam um conjunto desafiador para qualquer falante.
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A influência da fala na escrita
Grande parte dos erros gramaticais acontece porque as pessoas escrevem da mesma forma como falam. Na oralidade, construções como “pra mim fazer” ou “fazem dois anos” soam naturais. No papel, porém, ferem a norma culta e podem comprometer a clareza do texto.
Falta de contato com a leitura formal
Quando a exposição a textos bem escritos é limitada, os erros se consolidam como hábitos difíceis de corrigir. Livros, artigos e até boas reportagens ajudam o cérebro a internalizar as estruturas corretas da língua de forma natural.
Os 12 erros gramaticais mais comuns no dia a dia
Abaixo estão os deslizes que mais aparecem na escrita dos brasileiros. Cada um vem acompanhado de exemplo e explicação direta.
1. “Sessão”, “seção” ou “cessão”
- Errado: A sessão de livros fica no segundo andar.
- Certo: A seção de livros fica no segundo andar.
Sessão é um período de tempo (sessão de cinema). Seção é uma divisão ou departamento. Já cessão significa o ato de ceder (cessão de direitos).
2. “Ver”, “vir” e “vier”
- Errado: Quando ele ver amanhã, conversaremos.
- Certo: Quando ele vier amanhã, conversaremos.
O verbo ver (enxergar) no futuro do subjuntivo é vir: “Quando você o vir, avise-me.” Já o verbo vir (deslocar-se) no futuro do subjuntivo é vier: “Quando eu vier, trarei o livro.”
3. “A” ou “há” para indicar tempo
- Errado: Moro aqui a cinco anos.
- Certo: Moro aqui há cinco anos.
Para indicar tempo passado, o correto é usar há (do verbo haver). Já o “a” indica tempo futuro: “A reunião começa daqui a duas horas.”
4. “Senão” ou “se não”
- Errado: Estude, se não vai reprovar.
- Certo: Estude, senão vai reprovar.
Senão (junto) significa “caso contrário”. Se não (separado) é usado quando há uma condição negativa: “Se não chover, iremos ao parque.”

5. Crase antes de verbo
- Errado: Comecei à estudar cedo.
- Certo: Comecei a estudar cedo.
A crase resulta da fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”. Como verbos não são precedidos por artigo, nunca se usa crase antes deles. Para quem tem dúvidas sobre o tema, vale conferir mais detalhes no Pensar Cursos.
6. “Entre eu e você”
- Errado: Isso fica entre eu e você.
- Certo: Isso fica entre mim e você.
Após preposições como “entre”, “para” e “de”, o pronome correto é a forma oblíqua: mim, e não “eu”.
7. Concordância nominal com “grama”
- Errado: Comprei quinhentas gramas de queijo.
- Certo: Comprei quinhentos gramas de queijo.
A palavra grama, quando se refere à unidade de medida, é masculina. Portanto, o numeral deve concordar no masculino.
8. Regência do verbo “assistir”
- Errado: Assisti o filme ontem.
- Certo: Assisti ao filme ontem.
No sentido de “ver” ou “presenciar”, o verbo assistir exige a preposição “a”. É um dos erros de português mais frequentes no Brasil.
9. Plural de “haver” e “fazer” com sentido de tempo
- Errado: Fazem três anos que não nos vemos.
- Certo: Faz três anos que não nos vemos.
Quando indicam tempo decorrido, os verbos haver e fazer são impessoais — ou seja, ficam sempre no singular.
10. “Tem” ou “têm”
- Errado: Eles tem muitas dúvidas.
- Certo: Eles têm muitas dúvidas.
A forma têm (com acento circunflexo) é usada no plural. Já tem (sem acento) vale para o singular: “Ele tem razão.”
11. “Ao invés de” ou “em vez de”
- Ao invés de indica oposição: “Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.”
- Em vez de indica substituição: “Em vez de ir de ônibus, fui de bicicleta.”
Na dúvida, em vez de funciona em ambos os casos e é a opção mais segura.
12. Os quatro “porquês”
- Por que → usado em perguntas: “Por que saiu cedo?”
- Por quê → no final de frase ou sozinho: “Saiu cedo por quê?”
- Porque → usado em respostas: “Saí porque estava cansado.”
- Porquê → é substantivo, vem com artigo: “Não entendi o porquê da pressa.”
Esse é um dos erros gramaticais que mais gera confusão e aparece com frequência em redações, e-mails e redes sociais.
Palavras que quase todo mundo escreve errado
Além dos erros de regra, existem palavras cuja grafia confunde até quem lê muito. Confira algumas das mais comuns:
Como evitar erros gramaticais na prática
Corrigir esses deslizes não exige decorar regras. Algumas atitudes simples fazem diferença:
- Leitura frequente — livros, artigos e reportagens ajudam a fixar as estruturas corretas.
- Revisão de textos — reler antes de enviar identifica erros que passam despercebidos.
- Consulta a dicionários online — ferramentas digitais resolvem dúvidas de ortografia e regência em segundos.
- Anotação de dúvidas — registrar os erros recorrentes cria um material de consulta rápida.
- Prática de escrita — escrever regularmente, mesmo textos curtos, fortalece o domínio da norma culta.
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