A palavra “doutor” é muito comum nos hospitais e tribunais, o que faz com que se associe quase exclusivamente a médicos e advogados. No entanto, essa prática, embora comum, levanta uma questão importante: quem, de fato, tem o direito de usar esse título? O uso do título de doutor no Brasil é mais complexo do que parece.
Enquanto um é conquistado por meio de anos de pesquisa, o outro é mantido por uma tradição. Continue sua leitura e veja as origens e as regras que definem o uso correto do termo, mostrando quais profissionais, além dos já conhecidos, podem ser chamados de doutores.
O que significa ser doutor no sentido acadêmico?
Na sua essência, o título de doutor é o mais alto grau concedido por uma instituição de ensino superior. Ele é atribuído a um profissional que concluiu um curso de doutorado. Esse percurso acadêmico exige a elaboração de uma tese original, fruto de uma pesquisa aprofundada, que deve ser defendida publicamente perante uma banca de especialistas.
É fundamental diferenciar os níveis de formação para entender a hierarquia do conhecimento formal:
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- Bacharel/Licenciado: Quem completa um curso de graduação.
- Mestre: Indivíduo que finaliza um programa de mestrado.
- Doutor: Profissional que conclui com êxito um doutorado.
Portanto, sob a ótica estritamente acadêmica, qualquer pessoa que tenha um doutorado, independentemente da área de atuação — seja em Biologia, Letras ou Engenharia —, é um doutor.

Imagem: Freepik
Tradição histórica para Advogados e Médicos
A popularização do tratamento de “doutor” para advogados e médicos no Brasil não está, na maioria dos casos, ligada à conclusão de um doutorado, mas sim a costumes e legislações antigas.
Advogados
A prática de chamar advogados de doutores remonta a um decreto do Imperador Dom Pedro I, a Lei de 11 de agosto de 1827. Essa lei, que criou os primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais no país, concedia o título de doutor aos bacharéis em direito. Embora a legislação educacional atual não mantenha essa prerrogativa, o costume permaneceu e se consolidou na cultura jurídica brasileira.
Médicos
Para os médicos, o uso do título é uma tradição social amplamente aceita e reforçada pelo respeito à profissão. É um tratamento que denota autoridade e confiança, sendo utilizado pela sociedade e pelos próprios profissionais, independentemente de possuírem um doutorado acadêmico. O Conselho Federal de Medicina (CFM) não proíbe a prática, considerando-a um costume consolidado.
Quais profissionais podem usar o título de doutor?
Deixando as tradições de lado e focando na definição formal, a regra é clara: o título pertence a quem tem um doutorado. Isso abre o leque para uma vasta gama de profissionais que investem em pesquisa e contribuem para o avanço do conhecimento em suas áreas.
Assim, profissionais de diversas categorias podem, por direito acadêmico, usar o título:
- Área da Saúde: Médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, biomédicos e fonoaudiólogos que completaram um programa de doutorado.
- Área do Direito: Advogados e juristas com doutorado em Direito.
- Outras Áreas: Professores universitários, pesquisadores, engenheiros, administradores, jornalistas e muitos outros especialistas que alcançaram o mais alto nível de formação acadêmica.
Como conquistar o título acadêmico de Doutor?
O caminho para se tornar um doutor é um processo de imersão científica. Geralmente, inicia-se após a conclusão de um mestrado, embora alguns programas permitam o ingresso direto do bacharelado, dependendo do desempenho do candidato. O processo envolve:
- Pesquisa aprofundada: Dedicação a um tema específico de estudo.
- Elaboração de tese: Produção de um trabalho original que contribua com novo conhecimento para a área.
- Defesa perante banca: Apresentação e argumentação dos resultados da pesquisa para uma comissão de avaliadores.
A questão sobre quem pode ser chamado de doutor mostra uma curiosa mistura na cultura brasileira: é um lugar onde tanto a tradição quanto o reconhecimento acadêmico se misturam e, às vezes, uma acaba se sobrepondo à outra.
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