Em 2026, pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) desenvolveram a inteligência artificial (IA) Tupann, uma tecnologia que consegue prever chuvas locais com até três horas de antecedência, mesmo em regiões sem cobertura de radar terrestre.
Como funciona a IA brasileira para previsão do tempo
A ferramenta Tupann, desenvolvida pela equipe de doutorandos liderada por Leonardo Voltarelli, processa sequências de imagens de satélite como se fossem quadros de um vídeo, aprendendo com dados históricos a prever o que ocorre nas próximas horas.
Durante o treinamento, o sistema analisou múltiplos eventos de chuva para construir padrões de progressão e aplicar cálculos específicos a partir das primeiras imagens recentes fornecidas.
Segundo o Impa, a principal vantagem da IA é gerar previsões rápidas, reduzindo o tempo de análise exigido de meteorologistas humanos. A decisão sobre alertar ou não para chuvas iminentes é, assim, baseada numa modelagem matemática eficiente treinada em eventos reais de precipitação.
Casos recentes de uso do Tupann no Brasil e no exterior
O Tupann foi testado inicialmente no Rio de Janeiro e em Manaus, cidades frequentemente afetadas por chuvas intensas e eventos extremos. Fora do país, avaliações ocorreram em La Paz (Bolívia), Toronto (Canadá) e Miami (Estados Unidos), cidades com condições climáticas variadas, de acordo com informações do Impa.
Esses testes buscam validar a robustez do modelo em diferentes cenários climáticos, ajustando parâmetros e ampliando o banco de dados para treinar continuamente a ferramenta.
Impactos da IA da previsão do tempo em setores estratégicos
A adoção do Tupann tem potencial de impactar diretamente setores como agricultura e aviação. Pequenos e médios produtores rurais podem se beneficiar da maior precisão para planejar plantio e colheita, enquanto companhias aéreas e aeroportos podem ajustar operações em função de avisos antecipados de chuvas.
A previsão de chuva com antecedência de três horas amplia as margens para ações de prevenção, como alertas a moradores de áreas de risco ou ajustes em operações logísticas sensíveis a mudanças rápidas no clima.
Próximos passos e ampliação dos testes
De acordo com o Impa, está previsto para os próximos meses a ampliação dos testes do sistema na Ásia e na África, visando adaptar o Tupann a diferentes contextos climáticos e aumentar ainda mais a janela de antecedência das previsões.
O acompanhamento dos resultados no Rio de Janeiro segue como referência para futuras implementações em cidades brasileiras de menor porte ou regiões vulneráveis, segundo informaram os pesquisadores.
A ferramenta segue em desenvolvimento para expandir sua cobertura, com parcerias em negociação para integração do Tupann aos sistemas municipais e estaduais de alertas de desastres.
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