A estagnação na trajetória profissional é uma realidade enfrentada por pessoas com deficiência contratadas por empresas no Brasil. Em 2025, 67% dos trabalhadores com deficiência e neurodivergentes relataram nunca ter sido promovidos, mesmo após mais de três anos atuando na mesma organização.
O índice, quatro pontos percentuais acima do registrado em 2024, reforça a existência de uma barreira estrutural à progressão interna desses profissionais. O levantamento faz parte do relatório Radar da Inclusão 2025, que aponta que manter-se empregado não significa, necessariamente, ter acesso a oportunidades de crescimento na carreira. Confira a seguir!
Presença sem crescimento
Mesmo com os avanços promovidos pela Lei de Cotas, que amplia o acesso ao emprego formal ao exigir reserva de vagas para pessoas com deficiência, a permanência não se converte em oportunidades de ascensão. Para esse grupo, a progressão na carreira ainda é uma promessa não cumprida na maior parte das empresas.
A pesquisa, realizada pela Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e o Instituto Locomotiva, evidencia com clareza a dimensão desse desafio. Segundo o levantamento, 41% dos participantes estão empregados há mais de três anos, enquanto dois em cada três afirmam nunca ter recebido uma promoção. Apenas 14% conseguiram alcançar duas ou mais promoções ao longo da carreira.

Imagem: Magnific
Entraves à ascensão: além da contratação
A Lei de Cotas consolidou o acesso ao mercado, mas não impactou de maneira relevante o desenvolvimento na carreira. Boa parte dos entrevistados apontou que as empresas ainda contratam pessoas com deficiência principalmente para cumprir a legislação, relegando-os a cargos de entrada e dificultando a progressão.
A percepção de falta de oportunidades não se restringe à ausência de promoções. De acordo com os dados, 28% acredita que o ambiente de trabalho não é completamente adequado para suas necessidades.
Fatores identificados como barreira ao crescimento
Diversos elementos dificultam a mobilidade interna, incluindo barreiras de acessibilidade física e digital, falta de políticas estruturadas para inclusão e desafios comunicacionais no ambiente corporativo. Além disso, o capacitismo se mantém presente: 49% afirmam não ter sido promovidos por conta de sua deficiência ou de serem neurodivergentes.
Somado a isso, há relatos consistentes de experiências negativas, como desvalorização, colegas despreparados para a inclusão e dificuldades para acessar treinamentos em formatos acessíveis. Tais obstáculos limitam o acesso a programas de desenvolvimento e formação, essenciais para a evolução profissional.
Impacto emocional e relações no ambiente corporativo
A exclusão da mobilidade interna não impacta apenas a trajetória de carreira. Muitos dos entrevistados relataram dificuldades para formar vínculos e acessar redes de apoio dentro do ambiente de trabalho. Cerca de 35% das pessoas com deficiência não contam com nenhum apoio interno e 45% não possuem amizades na equipe.
O sentimento de isolamento se intensifica diante da ausência de oportunidades para crescimento. Essa realidade pode afetar o bem-estar emocional, aumentando a sensação de desvalorização e insegurança psicológica. Além disso, 57% dos colaboradores revelaram desconforto para dialogar sobre saúde mental com líderes e setores de recursos humanos.
Falta de acessibilidade em treinamentos e desenvolvimento
Outro ponto destacado pelo estudo é a dificuldade de acesso a programas de desenvolvimento profissional em condições iguais para todos. Quase metade dos trabalhadores relata enfrentar barreiras, seja pela falta de adaptações nos treinamentos, seja por formatos que não atendem adequadamente às suas necessidades.
A inexistência de materiais acessíveis, as limitações físicas dos espaços de aprendizagem e o pouco conhecimento das lideranças sobre as necessidades específicas desse público agravam ainda mais o cenário.
Esses fatores acabam restringindo a participação dessas pessoas em iniciativas de capacitação, o que impacta diretamente suas oportunidades de crescimento e protagonismo profissional.
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