Em um mundo que frequentemente mede o valor de uma pessoa por suas conquistas na carreira e status social, uma nova obra literária desafia essa perspectiva. O segredo da felicidade, segundo os psicólogos e pesquisadores Sonja Lyubomirsky e Harry Reis, não reside no sucesso profissional, mas sim na profunda e consistente sensação de ser amado. Esta ideia é o pilar do livro recentemente lançado “How to Feel Loved: The Five Mindsets That Get You More of What Matters Most“, pela editora Harper.
A obra, fruto de décadas de estudo sobre bem-estar e vínculos humanos, argumenta que existe uma diferença fundamental entre ser amado por alguém e, de fato, perceber e internalizar esse afeto. Para os autores, muitas pessoas vivem rodeadas de carinho, mas falham em reconhecê-lo.
“Muita gente é amada, mas não se sente assim. E, se você não sente esse amor, é como se ele simplesmente não existisse na sua experiência”, afirma Lyubomirsky, professora da Universidade da Califórnia e uma das principais especialistas em felicidade do mundo.
A ciência por trás da sensação de amor
O livro baseia-se em mais de 50 anos de pesquisas acumuladas que apontam para uma conclusão clara: pessoas felizes tendem a se sentir amadas. A ênfase, no entanto, está no verbo “sentir”. A ausência de felicidade, segundo a pesquisa, nem sempre indica uma falta de afeto no ambiente, mas sim uma dificuldade em processar os sinais de cuidado, validação e compreensão que recebemos no dia a dia.
Harry Reis, professor da Universidade de Rochester e especialista em relacionamentos interpessoais, complementa que a sensação de ser amado pode ser ativamente construída. Não se trata de esperar passivamente pelo afeto alheio, mas de cultivar interações que fazem o outro se sentir visto, compreendido e valorizado. Este movimento, segundo ele, cria um ciclo positivo onde o amor circula e o bem-estar floresce. “Sentir-se amado não está fora do seu controle”, destaca Reis.
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Imagem: Reprodução Instagram @sonjalyubomirsky
Como construir relações mais fortes: Mudando a conversa
A proposta central do livro é libertadora: não é preciso se reinventar ou se tornar alguém mais interessante para merecer amor. A chave, defendem os autores, está em transformar a qualidade das suas conversas diárias, seja com um parceiro romântico, um familiar ou um colega de trabalho.
“Não se trata de mudar a si mesmo nem de mudar o outro. Trata-se de mudar a conversa, porque um relacionamento é, essencialmente, uma série de conversas”, explica Lyubomirsky.
Para isso, eles apresentam algumas mentalidades ou posturas práticas que podem ser aplicadas para aprofundar os vínculos. Entre elas, destacam-se atitudes simples, mas poderosas:
- Abrir-se com intenção: Em vez de respostas automáticas como “tudo bem”, a sugestão é compartilhar algo genuíno, ainda que pequeno, como “hoje não foi um dia fácil”. Esses pequenos gestos de vulnerabilidade criam pontes de conexão.
- Ouvir para aprender: A recomendação é praticar uma escuta com curiosidade genuína, sem apenas esperar a vez de falar. Uma frase simples como “Me conta mais” pode mudar completamente o rumo de uma interação.
- Acolher as complexidades: Reconhecer que todos somos feitos de qualidades e limitações fortalece o vínculo. Aceitar as contradições do outro e de si mesmo aumenta a sensação de ser amado incondicionalmente.
- Estar presente: A atenção plena sustenta a troca e funciona como uma forma de cuidado. Estudos citados na obra mostram que até mesmo a presença de um celular sobre a mesa pode diminuir a qualidade da conversa, pois o cérebro interpreta o objeto como um sinal de possível distração.
Vínculos reais vs. Conexões digitais
Os autores também abordam os limites das interações digitais. Embora tecnologias como chatbots possam simular empatia, eles afirmam que apenas relações humanas autênticas oferecem reciprocidade verdadeira, com suas escolhas, conflitos e crescimento mútuo. É justamente essa troca, imperfeita mas real, que alimenta a sensação de ser amado e, consequentemente, a sua felicidade.
A obra contesta a lógica de que é preciso ser mais bem-sucedido ou atraente para garantir o afeto dos outros. Em vez disso, o investimento deveria ser na construção de conexões onde a escuta ativa e o envolvimento emocional são protagonistas. A felicidade, neste contexto, emerge como uma consequência natural de relacionamentos de alta qualidade.
A discussão levantada por Lyubomirsky e Reis convida a uma reflexão sobre suas prioridades. Em uma sociedade focada em metas e conquistas, a qualidade dos seus relacionamentos pode ser o fator mais determinante para uma vida plena.
Diante desses argumentos, surge uma questão importante: o verdadeiro sucesso está na posição que você ocupa profissionalmente ou na certeza de ser amado? A resposta pode ser diferente para cada pessoa, mas a ciência aponta um caminho claro. E você, qual é a sua opinião sobre isso? Compartilhe nos comentários!
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