Milhões de trabalhadores brasileiros podem estar próximos de conquistar dois dias de folga por semana. O ministro Guilherme Boulos afirmou nesta terça-feira (27) que o governo espera aprovar o fim da escala 6×1 ainda neste semestre. A mudança reduziria a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem credução de salário.
“Eu espero que isso possa ser pautado, aprovado e promulgado pelo presidente Lula neste primeiro semestre, para que os trabalhadores brasileiros tenham paz, tenham descanso e possam ter tempo com a sua família”, declarou o ministro.
A proposta divide opiniões no Congresso. Sindicatos comemoram mais tempo livre, enquanto empresários apontam preocupações com custos. Veja o que se sabe sobre a tramitação e como essa mudança pode afetar sua rotina.
O que é a escala 6×1 e por que ela pode acabar
A escala 6×1 consiste em seis dias de trabalho por um de folga. Esse modelo está na Constituição, que permite jornadas de até 44 horas semanais. Trabalhadores de comércio, indústria e serviços convivem com essa realidade há décadas.
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O movimento pelo fim desse regime ganhou força após um vídeo viral no TikTok. Rick Azevedo, caixa de farmácia, descreveu a rotina como escravidão moderna. A repercussão levou a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) a apresentar a PEC nº 8/2025, com 226 assinaturas.
Propostas em discussão
Duas propostas tramitam em paralelo. A PEC de Erika Hilton prevê jornada de 36 horas em quatro dias. Já o governo defende escala 5×2 com 40 horas semanais. O Executivo exige três condições: fim da 6×1, jornada máxima de 40 horas e salários mantidos.
Fim da escala 6×1: quando a votação pode acontecer
Boulos mantém conversas frequentes com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para incluir na pauta a votação. A expectativa é que o texto seja aprovado e promulgado pelo presidente Lula ainda no primeiro semestre de 2026.
Questionado sobre a resistência de empresários, Boulos foi direto: “O grande empresário ser contra não é nenhuma surpresa. Quando foi que grande empresário foi a favor de direito do trabalhador? Se dependesse deles, seria escala 7×0”.
Em dezembro de 2025, a CCJ do Senado aprovou proposta que reduz gradualmente a jornada de trabalho. O texto estabelece máximo de 40 horas no primeiro ano e redução progressiva até chegar a 36 horas. Os dois dias de descanso seriam, preferencialmente, sábado e domingo.

Impacto na produtividade: o que dizem os estudos
Uma crítica comum ao fim da escala 6×1 é o possível impacto negativo na economia. Porém, Boulos apresentou dados que contradizem essa preocupação. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas de 2024 analisou 19 empresas brasileiras que reduziram a jornada. Os resultados surpreenderam: 72% tiveram aumento de receita e 44% melhoraram o cumprimento de prazos.
A Islândia reduziu para 35 horas semanais em 2023 e viu a economia crescer 5%. A Microsoft no Japão adotou escala 4×3 e registrou aumento de 40% na produtividade individual dos trabalhadores.
Por que trabalhadores descansados rendem mais
Profissionais exaustos cometem mais erros e produzem menos. Com apenas um dia de descanso, muitos usam a folga para tarefas domésticas ou compromissos pessoais. O tempo livre também permite investir em qualificação profissional.
O que já mudou no Palácio do Planalto
Em dezembro de 2025, o governo federal eliminou a escala 6×1 para terceirizados na Presidência da República. Funcionários de copa, limpeza e outros serviços passaram a trabalhar, no máximo cinco, dias por semana.
“São centenas de trabalhadores no Palácio do Planalto. Todos estão no máximo na escala 5×2”, garantiu Boulos.
A proposta transcende divisões ideológicas no Congresso. O senador Cleitinho (Republicanos-MG), ligado ao ex-presidente Bolsonaro, defendeu o fim da 6×1 no plenário do Senado. Em discurso emocionado, contou que seu pai trabalhou na escala 7×0 até os 70 anos e morreu sem tempo para conviver com a família.
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