A rotina de trabalhar seis dias para descansar apenas um é uma realidade para milhões de brasileiros. No entanto, uma discussão que ganha força no Congresso Nacional pode alterar profundamente este cenário. A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 avança e acende um debate sobre produtividade, qualidade de vida e os rumores das relações de trabalho no país. A seguir, entenda os detalhes deste projeto e os desafios para sua aprovação.
O que propõe uma mudança na carga horária de trabalho?
No centro da discussão está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015. O texto sugere uma alteração na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelecendo duas mudanças principais:
- A redução da carga horária máxima de trabalho semanal, passando das atuais 44 horas para 36 horas.
- O aumento do descanso semanal remunerado de um para dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos.
É importante ressaltar que a implementação não seria imediata. A PEC estabelece um período de transição gradual. No ano de publicação da emenda, as regras atuais deveriam ser mantidas. A partir do ano seguinte, a carga horária começaria a ser reduzida e o segundo dia de descanso seria implementado. Apenas seis anos após a promulgação é que os novos direitos estariam plenamente em vigor.
Um ponto fundamental da proposta é a manutenção do salário. Os empregados ficariam proibidos de reduzir os salários dos funcionários como forma de compensar a redução das horas trabalhadas.
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Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Quem será beneficiado pela nova regra?
A medida possui um alcance relevante e, segundo pesquisas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), relatadas na justificativa do relatório aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), estima-se que cerca de 37% dos trabalhadores que declararam ter alguma ocupação em 2024 poderão ser diretamente beneficiados.
Além deste grupo, outras categorias também foram atendidas pela nova legislação:
- Servidores sim;
- Empregadas domésticas;
- Trabalhadores de portos e outros avulsos.
Trabalhadores contratados como pessoa jurídica (PJ) não têm direito direto à nova carga horária. Contudo, especialistas apontam que uma mudança poderia criar um novo padrão no mercado de trabalho, influenciando indiretamente todos os modelos de contratação.
O caminho da proposta no Congresso Nacional
A PEC já foi aprovada na CCJ do Senado, mas seu percurso até a aprovação final é longo. O texto precisa passar por duas votações no Plenário do Senado e mais duas na Câmara dos Deputados, exigindo um quórum qualificado.
Na Câmara, a tramitação enfrenta um cenário político complexo. O deputado Paulo Azi (União-BA) foi nomeado relator na CCJ, um movimento que gerou cautela entre os defensores da proposta, visto que a liderança de seu partido já sinalizou a intenção de barrar o projeto original. Há uma articulação para que a proposta seja alterada, possivelmente elevando o limite para 40 horas semanais em vez das 36 propostas inicialmente.
A expectativa é que o relatório seja apresentado até o final de março, com uma votação na Câmara prevista para maio. O processo evidencia a tensão entre diferentes interesses políticos e a busca por capitalizar uma pauta popular em ano eleitoral.
Impactos econômicos e pressão empresarial
Embora a proposta agrade aos trabalhadores, o setor empresarial demonstra grande preocupação. Representantes da indústria, comércio e serviços iniciaram uma experiência contra o projeto, argumentando que a redução da carga horária de trabalho traria custos adicionais e poderia levar a uma onda de demissões para compensar a perda de produtividade.
Essa preocupação foi ecoada no Senado. O senador Izalci Lucas (PL-DF) questionou o impacto financeiro da medida, especialmente para as pequenas empresas que operam com uma margem reduzida e menos funcionários.
O presidente da CCJ da Câmara, Leur Lomanto Júnior (União-BA), afirmou que o tema será tratado com cautela, evitando a realização de audiências públicas para ouvir todos os lados envolvidos, incluindo os empresários.
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