O fim da escala 6×1 está cada vez mais próximo de se tornar realidade no Brasil. A CCJ do Senado aprovou uma PEC que prevê a redução da jornada de trabalho para até 36 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado. A medida pode gerar mais de 4 milhões de empregos e trazer mudanças para milhões de trabalhadores CLT em todo o país.
A proposta ganhou força após ampla mobilização popular, com mais de 2 milhões de assinaturas em abaixo-assinado. O texto ainda precisa passar pelo plenário do Senado e pela Câmara dos Deputados, mas a expectativa é de avanços em 2026.
Setores sindicais, o governo federal e parte do empresariado já demonstram apoio à mudança. Mas afinal, o que muda na prática? Como será a transição? E quais os impactos para a economia brasileira?
O que é a Escala 6×1?
A escala 6×1 é um modelo de jornada de trabalho em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem direito a apenas um dia de descanso. Esse formato é comum em setores como comércio, supermercados, restaurantes, hotéis, indústrias e serviços em geral.
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Atualmente, a Constituição Federal permite jornadas de até 44 horas semanais, distribuídas em até seis dias. A escala 6×1 é considerada exaustiva por defensores da proposta e, em muitos casos, associada ao aumento do estresse e da dificuldade de conciliar trabalho com vida pessoal.
O que prevê a PEC aprovada na CCJ?
PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela CCJ do Senado em 10 de dezembro de 2025. O texto prevê duas mudanças principais:
Redução para 36 horas semanais
A duração do trabalho normal não poderá ser superior a oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em até cinco dias por semana. A compensação de horários e a redução da jornada podem ocorrer mediante acordo ou convenção coletiva.
Dois dias de descanso remunerado
O repouso semanal remunerado passará a ser, no mínimo, de dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos. Isso representa o fim da escala 6×1 tradicional.

Como será a transição para a nova jornada?
Para que as empresas possam se adaptar, o texto prevê um período de transição gradual que pode durar até cinco anos. Veja o cronograma previsto:
- Até 31 de dezembro do ano de aprovação: jornada máxima de 44 horas semanais
- A partir de 1º de janeiro do ano seguinte: limite de 40 horas semanais, com dois dias de descanso
- Anos subsequentes: redução de uma hora por ano até atingir 36 horas semanais
Impactos na economia e no mercado de trabalho
Estudos indicam que a mudança pode trazer benefícios econômicos. A economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp), aponta que a medida pode gerar entre 4 e 4,5 milhões de novos postos de trabalho, principalmente em setores como comércio e serviços.
Além disso, a redução da jornada para 36 horas semanais poderia gerar um ganho de produtividade em torno de 4,5%. Com mais pessoas empregadas e com maior tempo de descanso, cresce a tendência de movimentação da economia em áreas como alimentação, transporte, lazer e compras.
Por outro lado, parte do setor empresarial teme o aumento de custos, principalmente em segmentos que operam com margens menores. A necessidade de reorganizar escalas de trabalho pode resultar em dificuldades logísticas para garantir a continuidade das atividades.
Quais são os próximos passos?
Após a aprovação na CCJ, a PEC seguiu para o plenário do Senado. O texto precisa ser aprovado em dois turnos no Senado e em dois turnos na Câmara dos Deputados, com quórum qualificado de 3/5 dos votos em cada Casa.
Por se tratar de uma PEC, o texto não vai à sanção presidencial. O próprio Congresso Nacional promulga a emenda após aprovação nas duas Casas. A expectativa é que a proposta avance em 2026.
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