O Rio de Janeiro vai ter um processo eleitoral diferente de tudo que o país conheceu nos últimos anos. Pela primeira vez, a escolha do governador e do vice-governador do estado não será feita pelo voto popular — a decisão ficará nas mãos dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Entender como isso vai funcionar é importante para qualquer cidadão que acompanha a política brasileira.
O que são eleições indiretas e por que o Rio de Janeiro vai adotá-las
A diferença entre eleição direta e indireta
Na eleição direta, cada cidadão vota individualmente no candidato de sua preferência. Já na eleição indireta, um grupo de representantes eleitos — no caso, os deputados estaduais — é quem escolhe o governante. Esse modelo é previsto na Constituição Federal para situações específicas, como quando há vacância simultânea dos cargos de governador e vice.
Por que o Rio de Janeiro chegou a esse ponto
A situação no Rio é resultado de uma série de eventos políticos encadeados:
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que as eleições para os cargos de governador e vice-governador do Rio deverão ser de forma indireta, conduzidas pela Alerj.
- A confirmação veio após a Corte eleitoral corrigir a certidão do julgamento que condenou o ex-governador Cláudio Castro à inelegibilidade até 2030.
- O texto da certidão passou a mencionar expressamente “realização de eleições indiretas”; antes, constava apenas “novas eleições”.
A linha de sucessão que explica a crise no governo do Rio
O vice que deixou o cargo
A eleição indireta se tornou necessária porque o ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado. Com a vacância do posto de vice, a linha de sucessão passou a depender da presidência da Alerj.
O presidente da Alerj e o impedimento do STF
O próximo na linha de sucessão seria o presidente da Alerj, o deputado estadual Rodrigo Bacellar. No entanto, ele está afastado da presidência por decisão do Supremo Tribunal Federal, em virtude de possível envolvimento com o ex-deputado TH Joias, suspeito de intermediar a compra de armas para uma facção criminosa.
Quem governa o Rio agora
O governador em exercício do Rio de Janeiro é o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do estado, que aguarda a definição das regras para a realização da eleição.
Como funcionará a eleição indireta na Alerj
O papel dos deputados estaduais
Com a vacância dos dois cargos do Executivo estadual, a Constituição do Rio de Janeiro prevê que a Alerj assuma a responsabilidade de eleger o novo governador e vice. Os deputados estaduais votarão entre candidatos que se habilitarem dentro do prazo legal.
As regras em disputa no STF
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, enviou ao plenário virtual da Corte a decisão com a qual derrubou trechos da lei do estado do Rio de Janeiro que estabelecia regras para a eleição indireta.
Fux reafirmou seu entendimento — proferido em liminar na semana anterior — ao suspender o trecho que autorizava a votação aberta, nominal e presencial na Alerj, e também o trecho que reduzia para 24 horas o prazo para desincompatibilização dos interessados em concorrer aos cargos.
Quando o julgamento será concluído
O julgamento no STF estava previsto para ser finalizado na segunda-feira seguinte à divulgação da notícia. A decisão final da Corte definirá as regras definitivas do processo eleitoral na Alerj.

Eleições indiretas no Brasil: contexto histórico e legal
O modelo de eleição indireta para governadores não é novidade absoluta no Brasil. A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 80 (aplicado analogicamente aos estados), que situações de vacância simultânea dos cargos do Executivo exigem que o Legislativo assuma o processo de escolha.
Em 2022, o estado do Tocantins também enfrentou uma situação similar, quando o Legislativo estadual precisou intervir em razão de decisões judiciais. O caso do Rio, porém, ganha destaque pela gravidade dos motivos que levaram à vacância dos cargos.
O que isso significa para os cidadãos fluminenses
O impacto na governança do estado
A eleição indireta no Rio de Janeiro significa que, pelo menos por um período, o estado será administrado por um governador escolhido por 70 deputados estaduais — e não pelos mais de 12 milhões de eleitores do estado. Essa situação coloca em pauta o debate sobre representatividade e legitimidade democrática.
O que muda no dia a dia
Para o cidadão comum, a mudança no comando do governo estadual pode impactar áreas como segurança pública, saúde e educação, dependendo das prioridades do novo governante eleito pelos parlamentares. O acompanhamento das próximas etapas desse processo é fundamental para a participação cidadã.
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