deixado de ser um assunto secundário para se tornar uma questão urgente dentro das empresas.
O impacto dos riscos psicossociais nas organizações
O ambiente corporativo, historicamente, se preocupava mais com riscos físicos e acidentes de trabalho. No entanto, fatores como pressão excessiva, metas inalcançáveis, liderança despreparada e falta de reconhecimento têm provocado sofrimento emocional e prejuízos amplos à saúde mental de colaboradores.
Entre os quadros mais frequentes está a Síndrome de Burnout, caracterizada por esgotamento extremo, irritabilidade, lapsos de memória e queda significativa de rendimento.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 12 bilhões de dias úteis são perdidos anualmente ao redor do planeta devido a transtornos como ansiedade e depressão, gerando um prejuízo econômico global próximo de um trilhão de dólares. Reflexos desse cenário são afastamentos prolongados, alta rotatividade, custos legais e redução da produtividade.
Saúde emocional no trabalho: relatos e regulamento

O tema saúde emocional no trabalho ganhou destaque principalmente após relatos como o da médica dermatologista Paula Sian, que viveu uma relação abusiva com sua ex-chefe durante o período da pandemia.
Ela descreve episódios de gritos, humilhações e falta de clareza nas demandas, o que resultou em um ambiente de alta tensão emocional, insônia generalizada, crises de ansiedade e o uso constante de medicação para dormir entre os colegas de equipe.
O relato de Paula evidencia o custo humano de ambientes tóxicos e chama atenção para uma mudança importante: empresas de todo o país precisam avaliar obrigatoriamente os riscos emocionais e psicossociais no local de trabalho — conforme atualização da Norma Regulamentadora número 1, promovida pelo governo.
A obrigatoriedade surge diante de dados alarmantes. Somente em 2025, quase meio milhão de afastamentos por transtornos mentais foram formalmente registrados pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, principalmente devido à ansiedade e depressão.
Exigências legais e adaptações nas empresas
Com a atualização da NR-1, feita em maio de 2025, identificar e prevenir riscos emocionais deixa de ser uma iniciativa opcional e passa a ser obrigatória nas empresas brasileiras.
Segundo a especialista em psicologia organizacional Daniele Caetano, “a empresa vai precisar identificar situações que causam estresse, adoecimento emocional e conflitos no dia a dia. Excesso de cobranças, metas irreais, lideranças despreparadas e ambientes tóxicos agora precisam ser monitorados e tratados, com ações concretas de orientação, treinamentos e programas de apoio em saúde mental”.
O objetivo dessa obrigatoriedade é a promoção de um ambiente laboral mais saudável, produtivo e acolhedor, repercutindo diretamente na redução de afastamentos, processos trabalhistas e demissões. Empresas que não investirem na gestão dos riscos psicossociais tendem a sofrer consequências financeiras e de imagem, além de prejudicar a qualidade de vida dos trabalhadores.
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