Uma nova fase de empreendedorismo vem tomando conta do Brasil, e ela tem uma protagonista bem definida: a classe C. Quase metade dos empreendedores e donos de negócios do país pertence a este grupo, frequentemente chamado de classe média. Essa descoberta, feita pelo Instituto Locomotiva em parceria com o Sebrae, marca uma mudança de mentalidade importante para o país.
Se antes empreender era visto como última alternativa, hoje para muitos da classe C tornou-se sinônimo de futuro promissor, autonomia e melhoria de vida. Os motivos para esse movimento vão desde o desejo de conquistar ascensão social até a perda de atratividade do tradicional trabalho com carteira assinada. Para muita gente, abrir um negócio próprio parece mais atrativo do que enfrentar jornadas extensas, deslocamentos cansativos e ambientes de trabalho tóxicos.
Ser dono do próprio negócio mexe com o imaginário de brasileiros e brasileiras determinados a criar oportunidades para si e para toda a comunidade em que vivem. A paixão por transformar dificuldade em prosperidade, principalmente quando não há tantas opções no mercado de trabalho, faz da classe C a principal força de transformação neste cenário econômico.
Ascensão da classe C: como o empreendedorismo ganhou espaço.
Os últimos anos foram marcados por mudanças no mercado de trabalho brasileiro. O estudo destaca que o desejo de autonomia vem crescendo, acompanhado também por uma maior percepção dos limites impostos pelo trabalho tradicional.
A flexibilidade, o aumento no potencial de ganhos e o desejo de melhores condições de vida tornaram-se os principais fatores para que tantas pessoas da classe C enxergassem o empreendedorismo como alternativa viável e até mesmo desejável.
Além disso, a pandemia de 2020 acelerou processos que vinham acontecendo em ritmo lento: o home office, a busca por negócios próprios, a valorização do trabalho remoto e dos pequenos negócios de bairro redefiniram o que é ser bem-sucedido profissionalmente para muitos.
Segundo Décio Lima, presidente do Sebrae, esses novos negócios não beneficiam apenas o próprio empreendedor, mas movimentam a economia de bairros e cidades inteiras, criando empregos e gerando inclusão social.
Motivações: da necessidade ao sonho de crescer
A análise do economista Euzébio de Sousa, da FESPSP, ressalta que nem toda iniciativa por conta própria representa inovação. Segundo ele, é comum que parte dos CNPJs abertos ou serviços prestados se enquadre em modelos de sobrevivência, frente à falta de emprego ou proteção social adequada.
O chamado “empreendedorismo por necessidade” surge especialmente em períodos de desemprego, informalidade elevada e salários reduzidos. Essas atividades garantem a subsistência, mas muitas vezes não geram crescimento ou inovação.
Imagem: Prefeitura de Queimados
Para Sousa, políticas públicas de apoio só trarão efeito duradouro se incentivarem negócios inovadores — que gerem produtividade e desenvolvimento econômico. Isso pede a distinção clara entre iniciativas inovadoras e estratégias defensivas de sobrevivência.
O papel das políticas públicas e do fomento à inovação
Segundo o Sebrae, para o setor continuar crescendo, é fundamental garantir acesso facilitado a crédito, inovação e capacitação. Sem políticas públicas que apoiem a classe C em sua busca por autonomia e crescimento, o país pode perder o ritmo acelerado de novos negócios e, consequentemente, de geração de renda e empregos.
É fundamental entender que o crescimento sustentável depende de um ambiente legal estável, da ampliação de linhas de crédito e do incentivo ao uso de tecnologia e boas práticas empresariais. Quanto mais estrutura existir para apoiar o pequeno empreendedor, maior será a capacidade da classe C em transformar sonhos em negócios lucrativos e competitivos.
Próximos passos para quem pretende empreender
Os dados indicam que o perfil do empreendedor brasileiro mudou, principalmente entre os pertencentes à classe C. A tendência é que, nos próximos anos, negócios próprios continuem sendo caminho para parte dos brasileiros que buscam ascensão financeira e mais autonomia.
Especialistas reforçam a importância de diferenciação no mercado e do acesso facilitado à capacitação, crédito e políticas públicas de fomento. Ficar atento às novidades, investir em qualificação e buscar informações confiáveis são recomendações básicas para quem deseja ter sucesso com o próprio negócio.
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