5 motivos para você ler a obra de Carolina Maria de Jesus

 

Uma das escritoras mais importantes do Brasil é Carolina Maria de Jesus.

Autora sem formação formal (ela estudou só até a 4ª série), a mineira, nascida em Sacramento, em 1914 e morta em 1977, viveu grande parte de seus dias na extrema pobreza, e só teve seus escritos descobertos em 1960, pelo jornalista Audálio Dantas.

Mesmo assim, Carolina é uma das grandes escritoras do Brasil. Sua obra tem sido reconhecida apenas recentemente. Antes, a autora fora alvo de duras críticas da academia mais ortodoxa.

Hoje, entretanto, tem sido cada vez mais elogiada. Isso se deve, principalmente, ao fato de que sua escrita tem sido reavaliada.

Além disso, suas visões sobre racismo e protagonismo feminino têm sido estudados por grupos e movimentos sociais, de forma que vestibulares, como o da UNICAMP pediram seus livros nas provas.

Assim, listamos aqui 5 motivos para você ler a obra de Carolina Maria de Jesus.

 

1.      Uma escritora Existencialista

O Existencialismo de Albert Camus, é uma corrente da Filosofia ocidental, em que, à grosso modo, constitui-se do questionamento do sentido e papel da existência do ser, em meio às suas identidades individuais e sociais.

Em sua escrita, a autora questiona sobre sua condição, sobre seu papel social na cidade, a construção de seu contexto social, entre outros.

Carolina, vale dizermos, lia diversos escritores de sua época, principalmente por meio de livros que ela encontrava nas latas de lixo. Então podemos supor que ela leu Camus.

Logo, de certa forma, sua obra é Existencialista.

 

2.      A escritora ativista política

A escrita de Carolina Maria de Jesus é profundamente politizada. Isso porque a autora lança diversos questionamentos sobre as gestões públicas de seu tempo, além de discutir discursos racistas, e questionamentos sobre a misoginia.

Dessa forma, sua obra traz diversos apontamentos políticos, que ecoam as lutas de movimentos sociais do final do século 20 e início do século 21.

Já grupos feministas leem seus diários como um relato sobre o empoderamento de uma mulher, diante das exclusões sociais.

 

3.      Documento de uma época

Os diários de Carolina constituem um importante documento sobre uma época. Suas descrições da cidade são cheias de detalhes e sutilezas, que faltam à relatos históricos tradicionais.

Além disso, seu ponto de vista, de não-Historiadora, contribui para que os diários formem documentos de História Oral, sobre a vida cotidiana, e as transformações urbanas de São Paulo.

 

4.      Um humor peculiar

Dona de uma prosa, por vezes irônica e mordaz, Carolina e uma autora que cativa os leitores, por criar relatos, por vezes, cômicos e intimistas.

Isso é, seu humor peculiar, e sua visão bastante diferente sobre o mundo a sua volta fazem com que sua escrita seja divertida de se ler.

 

5.      Um Brasil ignorado

Carolina foi uma mulher negra de favela, e escreveu sobre essa condição em uma época em que ninguém comentava sobre isso.

Sua escrita é um relato vanguardista, sobre um Brasil ignorado pela classe política de sua época.

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