Após sete dias com os canais de atendimento fora do ar e a suspensão dos atendimentos presenciais, os serviços do Instituto Nacional do Seguro Social voltaram a operar normalmente — e o simulador de aposentadoria do INSS já pode ser acessado pelo site ou aplicativo, a partir desta quarta-feira (4).
A ferramenta faz sete tipos de cálculos, comparando as diferentes regras da Previdência para apontar quanto falta para atingir a idade mínima ou completar o número de contribuições exigidas. Para quem está até cinco anos da aposentadoria, o sistema também mostra uma previsão do valor do benefício.
Porém, especialistas em direito previdenciário fazem um alerta: em muitos casos, o simulador não revela automaticamente as informações corretas. O motivo é: dados desatualizados ou incompletos no cadastro do contribuinte.
Como acessar o simulador de aposentadoria do INSS
O acesso à ferramenta é gratuito e pode ser feito pelo computador ou pelo celular. Confira o passo a passo:
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- Acesse o site Meu INSS ou abra o aplicativo Meu INSS (disponível para Android e iOS)
- Faça login com sua conta Gov.br, utilizando CPF e senha
- No menu principal, clique em “Simular aposentadoria”
- A plataforma exibirá os dados já cadastrados no sistema
- Se encontrar alguma informação incorreta, clique no ícone de lápis para editar
- Após ajustes, clique em “Recalcular”
- O sistema apresentará as opções de aposentadoria disponíveis, o tempo restante e a estimativa de valor
Por que o simulador de aposentadoria pode mostrar dados incorretos?
O problema está no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), de onde o sistema puxa as informações para calcular o benefício. Esses dados podem estar desatualizados ou incompletos.
Além disso, o simulador não considera algumas particularidades dos contribuintes que garantem a aposentadoria mais cedo, como o caso de professores, de pessoas com deficiência ou que atuam expostas a algum agente nocivo à saúde.
Por isso, antes de entrar com o pedido, é preciso checar e atualizar as informações do CNIS no próprio site do INSS e ter em mãos todos os documentos para comprovar possíveis condições especiais.

Vínculos de trabalho sem data de saída: como resolver
O CNIS reúne os vínculos de trabalho, contribuições previdenciárias e salários do segurado. Um dos erros mais comuns nesse cadastro é a presença de vínculos trabalhistas abertos, explica a advogada Janaína Braga, do ecossistema jurídico Declatra.
“Às vezes, a pessoa se desliga da empresa, mas a data de saída acaba não constando no cadastro. Então, a calculadora não computa aquele período e o tempo de contribuição aparece menor.”
Para solucionar esse problema, basta ajustar as datas manualmente no sistema (clicando no lápis), e o trabalhador poderá obter um resultado mais preciso no simulador do INSS, orienta Adriane Bramante, presidente da Comissão de Direito Previdenciário da OAB-SP.
Também é possível alterar os salários recebidos em cada período, se estiverem incorretos, e incluir contribuições autônomas ou possíveis vínculos de trabalho que não foram computados.
“No caso de quem já trabalhava antes de 1976, quando o CNIS começou, o sistema não vai encontrar esse vínculo. Ou também pode não aparecer alguma empresa para a qual o trabalhador fez um serviço temporário”, comenta Bramante.
“Já em relação aos salários de antes de julho de 1994, o contribuinte nem precisa se preocupar em corrigir, porque eles não entram no cálculo do valor da aposentadoria”, continua a especialista.
Atenção na hora do pedido oficial
Apesar da facilidade para alterar os dados no simulador, na hora de entrar, de fato, com o pedido de aposentadoria, o segurado vai precisar comprovar as informações incluídas com a apresentação da carteira de trabalho ou outros documentos trabalhistas.
“Ao apresentar a carteira de trabalho no pedido, com todas as páginas, o servidor que faz a análise vai poder fazer a correção no CNIS, se tiver qualquer erro”, explica Janaína Braga.
Quando a empresa não pagou o INSS
Outra situação que pode prejudicar o cálculo da aposentadoria no simulador é quando a empresa para a qual o segurado trabalhou não pagou corretamente o INSS ao longo dos anos, afirma Elimar Mello, sócio do escritório Badaró Almeida & Advogados Associados.
“Então, apesar de ter a anotação do vínculo na carteira de trabalho, não vai ter o registro no CNIS. Se a pessoa trabalhou 10 anos em uma empresa que nunca recolheu, esses 10 anos não vão constar na calculadora.”
Nesse caso, para a simulação do benefício, também basta incluir as informações no sistema. Já para entrar com o pedido de aposentadoria, é necessário que o trabalhador apresente os registros do serviço na carteira de trabalho.
“O recolhimento do INSS é obrigatório para as empresas, então, se o vínculo estiver na carteira de trabalho, isso é um meio para a pessoa provar que exerceu aquela atividade”, explica Mello.
Aposentadoria especial: professores, PCD e trabalhadores expostos a agentes nocivos
Em alguns casos, estar com o CNIS atualizado com os vínculos de trabalho, contribuições e salários não é suficiente para um cálculo preciso no simulador do INSS.
Vários segurados possuem condições especiais de aposentadoria, ou seja, não precisam seguir as regras gerais da previdência de tempo de contribuição e idade mínima. É o caso de:
- Professores (redução de 5 anos na idade mínima)
- Pessoas com deficiência
- Trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde
Documentos para organizar antes de pedir a aposentadoria
Confira a lista de documentos recomendados:
- Carteira de Trabalho (física e digital)
- Termos de rescisão de contrato
- PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário)
- Contracheques e holerites
- Guias de recolhimento (para autônomos)
Para mais informações sobre direitos previdenciários e benefícios, acesse o Pensar Cursos.
Assista ao vídeo abaixo e confira as novas regras de aposentadoria do INSS em 2026:
















