O programa Pé-de-Meia se tornou um dos principais mecanismos de incentivo à permanência dos alunos no ensino médio da rede pública. Em 2026, o debate em torno dessa política voltou aos holofotes, especialmente diante das movimentações do governo federal para incluir ainda mais estudantes. Mas será possível ampliar o benefício para mais jovens mesmo diante do cenário orçamentário atual?
Cenário orçamentário de 2026 e impacto no Pé-de-Meia
A discussão sobre a ampliação do Pé-de-Meia ganhou ênfase após a aprovação do Orçamento de 2026 pelo Congresso Nacional. O texto, que prevê um superávit de R$ 34,5 bilhões e direciona R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, trouxe cortes relevantes em diversos programas sociais e educacionais. Entre os setores mais afetados pelo enxugamento está a educação, que viu o Pé-de-Meia perder meio milhão de reais em recursos para este ano.
Esse corte evidencia o desafio que será manter — e ampliar — o programa diante de restrições fiscais. Outros programas importantes, como o Farmácia Popular, também sofreram reduções, em um contexto de inflação elevada e aumento dos preços de medicamentos.
O objetivo de universalizar o alcance do Pé-de-Meia
Apesar do corte, declarações do governo federal indicam a intenção de tornar o Pé-de-Meia ainda mais abrangente. A meta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é incluir pelo menos 6 milhões de estudantes, número superior aos cerca de 4 milhões de jovens atualmente atendidos. A universalização é vista como fundamental para combater o abandono escolar, problema que afeta muitas famílias cuja renda depende do trabalho dos filhos em idade escolar.
Veja Também: 2200 Cursos GRÁTIS para você emitir seu Certificado
Segundo o presidente, a aprovação e a expansão do programa são temas constantes em reuniões com o Ministério da Fazenda e o Ministério da Educação. Lula argumenta que deixar estudantes fora da escola por falta de incentivo financeiro seria um retrocesso social inaceitável para o país.
Redução de verbas: um desafio para a educação pública
Os cortes impostos ao Pé-de-Meia não são isolados. Bolsas voltadas à formação de professores, como as do CAPS, perderam R$ 300 milhões em repasses. O cenário é marcado pela disputa entre diferentes prioridades: de um lado, a necessidade de garantir políticas públicas voltadas para estudantes e educadores; de outro, a destinação de altos valores para emendas parlamentares e financiamento eleitoral, especialmente em ano pré-eleitoral.
Essa realidade mostra o dilema enfrentado por gestores públicos ao tentar equilibrar demandas imediatas do processo político com necessidades estruturais da população.
A redução da evasão escolar e a importância do incentivo financeiro
Embora a restrição orçamentária represente um obstáculo, o impacto positivo do Pé-de-Meia já pode ser observado na redução da evasão escolar. Dados mencionados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, apontam que, em quase dois anos de funcionamento do programa, o abandono no ensino médio caiu pela metade. Antes do programa, cerca de 480 mil jovens deixavam a escola pública do ensino médio no Brasil anualmente, número que reduziu significativamente desde sua implementação.
Segundo o Censo Escolar de 2023, o ensino médio continua sendo a etapa da educação básica com maior taxa de evasão, chegando a 5,9%. Essa taxa é ainda mais elevada entre meninos (7,3%) e em estudantes da educação especial (6,2%), o que evidencia a necessidade de ampliar políticas de permanência.

Redistribuição orçamentária: escolhas e consequências
Os recursos antes direcionados para programas como o Pé-de-Meia e Farmácia Popular foram realocados para emendas parlamentares e o fundo eleitoral em 2026. A analista Larissa Rodrigues revelou que, apesar dos cortes parecerem pequenos individualmente, o montante total deslocado afetou diretamente os programas sociais.
Essa movimentação ocorre em um contexto de eleições próximas, quando o volume destinado a emendas aumentou de modo expressivo para alimentar partidos e candidaturas no próximo ano eleitoral.
O futuro do Pé-de-Meia: universalização é possível?
Se por um lado há determinação política para avançar na universalização do programa, por outro existe a realidade de um orçamento comprimido por outras prioridades. O discurso oficial aponta para o desejo de assegurar o direito de todos os estudantes do ensino médio público ao incentivo financeiro, sem distinção por poucos centavos de renda familiar.
Entretanto, qualquer ampliação real dependerá de negociações intensas no Legislativo e de possíveis revisões orçamentárias. Até agora, não há confirmação de calendário ou volume de recursos extras para 2026 que garantam a inclusão de mais 2 milhões de alunos no programa, como gostaria o governo.
Gostou de saber dessa notícia? Continue acompanhando o Pensar Cursos para mais novidades como essa.
Perguntas Frequentes
- O que é o programa Pé-de-Meia? Incentivo financeiro pago a estudantes do ensino médio da rede pública, voltado à permanência na escola.
- Quantos estudantes são atendidos atualmente? Aproximadamente 4 milhões, segundo informações do governo federal.
- Qual a meta do governo para 2026? Ampliar o programa para beneficiar pelo menos 6 milhões de estudantes.
- Como o orçamento de 2026 impactou o Pé-de-Meia? Houve corte de meio milhão de reais na verba destinada ao programa.
- Por que ampliar o Pé-de-Meia é importante? O programa ajuda a reduzir o abandono escolar, que ainda é alto no ensino médio.
- O programa será universalizado? O governo pretende universalizar, mas depende do orçamento e das negociações no Congresso.













