Você sabia que, no Brasil, ser a maioria em uma profissão pode significar ganhar menos? Em áreas dominadas por mulheres, como Saúde e Educação, elas chegam a receber 39% menos que seus colegas homens. Entender por que o ‘teto de vidro’ persiste mesmo onde somos maioria é o primeiro passo para romper o ciclo e conquistar o salário que sua dedicação realmente merece.
A presença feminina maior não significa renda maior
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), em 2025, mulheres compunham 74% dos trabalhadores em Educação, Saúde e Serviços Sociais. Ainda assim, ocupam majoritariamente cargos de menor prestígio e remuneração. Isso pode ser percebido, por exemplo, no ensino: enquanto a maioria das professoras atua no ensino infantil — que paga menos — os homens concentram-se em cargos de ensino superior, com salários mais altos.
Na área da saúde, a lógica também se mantém. Homens tendem a ser médicos — remunerados acima da média — enquanto mulheres são maioria entre as enfermeiras, que recebem menos pela função, mesmo quando têm formação semelhante.
Além disso, o impacto da dupla jornada — trabalho formal e obrigações domésticas — limita o tempo disponível para qualificação e ascensão na carreira, o que perpetua a diferença salarial mesmo diante da maior participação feminina.
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Quando a exceção vira vantagem: reflexo estrutural
A única categoria em que a renda das mulheres supera a dos homens é construção, mas elas representam apenas 4% entre os profissionais desse setor. Mesmo recebendo cerca de 50% a mais que os homens, o dado revela outro aspecto da desigualdade: sua presença ainda é marginal, limitada a funções de destaque atípicas para o segmento.
Segundo a pesquisadora Isabela Duarte Kelly, as poucas mulheres que conseguem romper a barreira e ingressar na construção civil acabam ocupando cargos diferenciados, o que distorce a média salarial, mas não representa avanço coletivo. O problema central permanece: a paridade só aparece quando elas ainda são exceção.
Diferença salarial aumenta com o tempo
O estudo da FGV IBRE identificou que, no início da carreira, homens e mulheres recebem salários semelhantes. No entanto, esse equilíbrio se desfaz com os anos. As mulheres acabam sendo preteridas em promoções, muitas param a carreira devido à maternidade ou atribuições domésticas. Isso reduz suas chances de ascensão em comparação aos colegas homens. Em 2025, a diferença média atingiu 21%, chegando a 40% quando se compara homens brancos a mulheres negras.
Como reverter esse cenário na sua carreira?
- Negocie seu salário: Esteja preparada e busque informações sobre o piso salarial da área. Use dados concretos para argumentar em promoções ou novas vagas.
- Invista em qualificação: Cursos, especializações e networking aumentam seu valor no mercado e podem abrir portas para cargos de melhor remuneração.
- Compartilhe tarefas domésticas: Busque dividir responsabilidades familiares, a fim de liberar tempo para crescimento profissional.
- Procure setores em expansão: Áreas onde a presença feminina é menor podem valorizar sua formação e experiência, mas estude a cultura da empresa antes de aceitar desafios.
- Lute por igualdade de gênero na sua empresa: Participe ou incentive comitês, iniciativas e políticas de equidade. Resultados são mais consistentes quando há apoio institucional.
Compreender as raízes da desigualdade salarial é o primeiro passo para transformar essa realidade estrutural em uma trajetória de valorização pessoal. Ao investir em si mesma e ocupar espaços de decisão, você não apenas melhora sua própria renda, mas contribui para que as próximas gerações encontrem um mercado mais equilibrado.
Para continuar se informando sobre carreira, direitos trabalhistas e desenvolvimento profissional, acompanhe os conteúdos do Blog Pensar Cursos.











