Mulheres com um círculo de amigas feminino chegam a cargos duas vezes mais altos, e isso não é impressão. É o resultado de uma pesquisa que analisou 4,5 milhões de e-mails de profissionais formados em MBA. A conclusão muda a forma de enxergar redes de apoio no trabalho.
O que a ciência diz sobre amizade feminina e carreira
Um estudo feito pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revelou que mulheres têm mais chances de alcançar o sucesso em suas carreiras quando possuem um grupo de amigas que as apoiam e as incentivam.
Os dados demonstraram que as mulheres que tinham um círculo interno de amizade dominado por outras mulheres foram capazes de conquistar posições de liderança até duas vezes mais altas em níveis de autoridade e remuneração, quando comparadas aos grupos que não se encaixavam nesse perfil.
Para chegar a esse resultado, foram analisados 4,5 milhões de e-mails enviados por jovens graduados em MBA em uma das principais universidades estadunidenses.
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Por que esse padrão não se repete entre os homens?
O pesquisador Brian Uzzi, um dos autores do estudo, explica: a composição de gênero dos círculos masculinos não importava para a colocação profissional. Esse padrão ocorre, provavelmente, porque os homens não precisam do tipo de informação privada relacionada ao gênero que as mulheres precisam para navegar em profissões dominadas por homens.
Em outras palavras, mulheres enfrentam barreiras específicas no mercado de trabalho — e outras mulheres são quem melhor ajuda a superá-las.
Como o apoio entre mulheres funciona na prática
Quando mulheres enfrentam situações desafiadoras vindas de homens, como preconceito ou assédio, a possibilidade de conversarem com outras mulheres em busca de compreensão e acolhimento faz com que o compartilhamento da experiência as ajude a encontrar as melhores formas de enfrentar tais situações.
Não se trata apenas de suporte emocional. Trata-se de inteligência coletiva aplicada à carreira: trocar informações, se preparar para cenários hostis e tomar decisões com base em experiências reais de quem já passou pelo mesmo.
Amizade feminina e sucesso profissional: o papel da sororidade
A sororidade é o conceito que dá nome a essa prática. A psicóloga Letícia Gomes Gonçalves define como irmandade e cumplicidade entre mulheres — em que uma ajuda a outra, livre de julgamentos. Nas palavras dela: “Só uma mulher é capaz de compreender as dificuldades e dores que ser mulher implica em nossa sociedade.”
Sororidade vai além do apoio pessoal
O propósito dessa relação é gerar empatia e buscar a união para alcançar objetivos em comum — como direitos iguais, espaços de liderança e reconhecimento profissional. Segundo a psicóloga, essa relação ajuda as mulheres a “terem mais força para mudar toda uma sociedade machista e patriarcal.”
Na prática, isso se traduz em atitudes concretas:
- Indicar uma colega para uma vaga ou projeto
- Compartilhar informações sobre salários para reduzir desigualdades
- Criar redes de mentoria entre mulheres de diferentes níveis
- Defender publicamente o trabalho de outra mulher em reuniões
Rivalidade feminina: o obstáculo que precisa ser nomeado
Se a amizade feminina impulsiona carreiras, a rivalidade entre mulheres funciona no sentido oposto. A competição estimulada pela escassez de vagas para mulheres em posições de destaque cria um ambiente em que parece que só há espaço para uma — e isso beneficia apenas quem quer manter as estruturas como estão.
Homens têm 25% mais chances de ter um patrocinador profissional. Sem esse apoio estratégico, torna-se mais difícil para as mulheres ganharem visibilidade e ascenderem na hierarquia corporativa.
Como construir uma rede de apoio feminina que funciona de verdade
Saber que a amizade feminina impacta a carreira é um passo. Construir esse círculo ativamente é o próximo. Algumas estratégias concretas:
Busque ambientes de troca intencional
Grupos de networking feminino, comunidades online, eventos de liderança para mulheres — esses espaços reúnem pessoas com objetivos parecidos. A proximidade de contexto acelera a criação de vínculos reais.
Invista em mentoria
Mulheres que já percorreram caminhos semelhantes carregam informações que podem poupar anos de tentativa e erro. Buscar uma mentora — ou ser uma — é uma das formas mais diretas de fazer a rede funcionar de forma prática.
Cultive a reciprocidade
Redes saudáveis não são unilaterais. Compartilhar conquistas, indicar pessoas, dar crédito onde ele é devido — essas atitudes criam o ciclo de confiança que sustenta qualquer conexão duradoura.
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