Mesmo exercendo as mesmas funções que os homens, muitas mulheres ainda enfrentam salários menores, menos oportunidades de promoção e dificuldades para alcançar cargos de liderança.
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho continua sendo um desafio no Brasil, afetando a participação feminina na força de trabalho e o acesso a posições de maior poder dentro das organizações.
Dados do estudo “Estatísticas de Gênero”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024, mostram que a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho permanece menor do que a dos homens. Enquanto pouco mais de 50% das mulheres estavam inseridas na força de trabalho, a taxa masculina ultrapassou 70% no mesmo período.
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Divisão desigual das tarefas domésticas impacta a carreira
O estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que as mulheres dedicam quase o dobro do tempo que os homens aos cuidados com pessoas e às tarefas domésticas. Esse fator tem impacto direto na disponibilidade de tempo para atividades profissionais, qualificação e progressão na carreira.
A combinação entre trabalho remunerado e responsabilidades familiares pode dificultar a permanência das mulheres no mercado de trabalho ou limitar suas oportunidades de crescimento profissional.
Essa realidade também influencia o acesso a treinamentos, participação em reuniões estratégicas e chances de assumir cargos de liderança.
Caminho até cargos de liderança ainda apresenta barreiras
Mesmo quando possuem qualificação e experiência, muitas mulheres relatam enfrentar obstáculos adicionais para alcançar posições de chefia.
Gisele Souza, executiva de direitos humanos, diversidade, equidade e inclusão de um banco público, afirma que a trajetória até ocupar um cargo de liderança não foi simples. Ela é a primeira mulher negra retinta a ocupar essa função na instituição.
Segundo a executiva, ao longo da carreira houve momentos em que recebeu negativas, mesmo apresentando resultados e desempenho reconhecidos.
Gisele destaca que, muitas vezes, o desafio não está na falta de competência ou preparo profissional, mas na dificuldade de reconhecimento por parte de quem ocupa posições decisórias dentro das organizações.
Apesar disso, ela afirma que a presença de mulheres em posições estratégicas tem avançado gradualmente em algumas instituições.
“Eu tenho muito orgulho de ocupar essa posição, mas ela não foi uma jornada simples e fácil. Vários momentos nessa trajetória eu tive o não. E esse não é porque faltava algo. Não era o resultado, porque eu tinha o resultado, eu tinha o desempenho. Eu tinha a validação dos meus pares. Mas aquele que era o detentor da alçada, da nomeação, da oportunidade, não enxergava”, diz Gisele.
Empresas buscam ampliar participação feminina na liderança
Em algumas organizações, metas internas têm sido adotadas para aumentar a presença feminina em cargos de liderança.
No banco em que atua, por exemplo, a meta é alcançar 50% de mulheres em posições de liderança até 2030. Atualmente, elas ocupam cerca de 28,9% desses cargos, o que mostra que ainda há um caminho considerável até atingir o equilíbrio.
A ampliação da diversidade nas lideranças tem sido apontada por especialistas como um fator importante para melhorar a representatividade e promover ambientes de trabalho mais inclusivos.
Estereótipos ainda influenciam o acesso à liderança
A professora de comportamento organizacional e liderança da Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Liliane Furtado, explica que parte da desigualdade está relacionada aos estereótipos associados ao perfil de liderança.
“Está muito relacionado aos atributos que se associam à liderança e ao gênero feminino, masculino. Normalmente, o modelo mental de liderança, quando as pessoas pensam na figura do líder, se atribui a essa figura alguns atributos que, na sociedade, tradicionalmente, são atribuídos aos homens”.
Segundo ela, o imaginário coletivo ainda costuma associar características de liderança a atributos tradicionalmente ligados ao gênero masculino.
Esse modelo mental pode influenciar decisões dentro das organizações, afetando a avaliação de candidatos para posições estratégicas.
Para a especialista, compreender essas percepções e discutir o tema dentro das empresas é um passo importante para reduzir as desigualdades no ambiente corporativo.
“Existem países, o Brasil, inclusive, é um deles, que pensam políticas públicas ou iniciativas mesmo governamentais para tentar intervir e reduzir de forma acionada por um agente, para reduzir essa desigualdade. Existe toda uma discussão também, social, que tem sido estabelecida já há algum tempo para se questionar, entender e avançar essa agenda não só dentro das organizações, mas dentro da própria sociedade”, diz Liliane.
Debate sobre igualdade de gênero avança no Brasil e no mundo
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho não é uma realidade do Brasil. O tema tem sido discutido em diversos países, com iniciativas voltadas à promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.
Entre essas iniciativas estão políticas públicas, programas de inclusão corporativa e ações voltadas à ampliação da participação feminina em cargos de decisão.
Lei busca garantir igualdade salarial
No Brasil, uma das medidas recentes voltadas à redução dessas desigualdades foi a criação da lei que estabelece a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres, sancionada em 2023.
A legislação determina que empresas devem garantir remuneração igual para profissionais que desempenham a mesma função, além de adotar medidas para prevenir discriminação no ambiente de trabalho.
A igualdade de gênero também integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que inclui metas voltadas ao empoderamento feminino e à redução das desigualdades sociais.
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