O discurso mudou, mas, a escolha não: jovens ainda querem emprego formal.
Em meio ao crescimento dos aplicativos e novas formas de renda, uma pesquisa recente revela um cenário que contraria o senso comum: a maioria dos jovens brasileiros ainda prefere a segurança da carteira assinada.
Os dados são da 67ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em abril de 2026. O levantamento, realizado com 2.008 pessoas em todo o país, mostra que o emprego formal segue liderando a preferência entre quem busca trabalho — especialmente entre os mais jovens.
Mas, o que explica essa escolha em um momento em que a liberdade e a flexibilidade parecem dominar o mercado? Os dados da pesquisa revelam fatores importantes por trás dessa preferência — e podem mudar a forma como enxergamos o futuro do trabalho no Brasil. Continue a leitura e entenda tudo.
O mercado de trabalho mudou — mas, nem tudo mudou junto
Nos últimos anos, o mercado de trabalho brasileiro passou por transformações profundas. O trabalho por aplicativos cresceu, o trabalho remoto se consolidou e novas formas de geração de renda ganharam força — desde serviços digitais independentes até motoristas de aplicativo. Esse cenário criou a impressão de que o modelo tradicional de emprego estaria perdendo espaço na preferência dos trabalhadores, especialmente dos mais jovens.
Mas, os números contam uma história diferente. Apesar de toda essa transformação, o desejo por estabilidade, direitos garantidos e proteção social continua sendo uma prioridade — e os jovens estão na linha de frente dessa escolha.
O que os brasileiros realmente querem quando buscam emprego
Segundo o levantamento da CNI, mais de um terço dos brasileiros — 36,3% — que estavam ocupados e buscaram trabalho apontaram o emprego formal com carteira assinada como o tipo de oportunidade mais atrativa.
Na sequência aparecem outras modalidades, mas com índices bem menores:
- Trabalho autônomo: 18,7%
- Emprego informal: 12,3%
- Trabalho por plataformas digitais: 10,3%
- Abertura do próprio negócio: 9,3%
- Contrato como pessoa jurídica (PJ): 6,6%
Ou seja, mesmo com toda a ascensão do trabalho por aplicativos e do empreendedorismo, a CLT ainda vence de longe quando o assunto é a preferência dos trabalhadores.
Por que os jovens lideram essa preferência pela CLT
Entre os trabalhadores de 25 a 34 anos, a preferência pelo emprego formal chegou a 41,4% — índice superior à média geral. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 38,1% também apontaram a CLT como a melhor opção, reforçando a busca por estabilidade e segurança profissional.
Para Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, a explicação é direta: “O emprego formal traz mais segurança para os jovens, que procuram maior estabilidade no início da carreira profissional.”
Quem está começando a vida profissional, muitas vezes sem reservas financeiras e ainda construindo sua trajetória, tende a valorizar o que o emprego informal simplesmente não oferece: férias remuneradas, 13º salário, FGTS, acesso ao seguro-desemprego e contribuição previdenciária.
E o trabalho por aplicativos? Complemento, não carreira
Um dos pontos mais reveladores da pesquisa diz respeito ao trabalho por plataformas digitais — modalidade que cresceu muito nos últimos anos, mas, ainda não conquistou o status de projeto de carreira na mente da maioria dos trabalhadores.
Para a maioria dos entrevistados, esse tipo de trabalho é visto apenas como estratégia emergencial, complementação de renda ou transição — e não como projeto de carreira de longo prazo. Apenas 30% dos que demonstraram interesse em trabalhar por meio de plataformas digitais veem nessa modalidade de emprego a principal fonte de sustento.
Em outras palavras: dirigir por aplicativo ou fazer entregas pode ser uma saída em momentos de necessidade, mas, raramente é o sonho profissional de quem está no mercado de trabalho.
Satisfação alta, mobilidade baixa
Outro dado que chama atenção na pesquisa é o alto nível de satisfação dos trabalhadores brasileiros com o emprego atual. Nada menos que 95% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos com o trabalho, sendo 70% muito satisfeitos.
Esse cenário ajuda a explicar por que tão poucos trabalhadores buscam ativamente novas oportunidades. Apenas um em cada cinco trabalhadores ocupados — 20% — buscou ativamente uma nova colocação nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Entre os jovens, no entanto, a movimentação é maior: 35% dos trabalhadores de 16 a 24 anos procuraram outro emprego no período, percentual que cai para apenas 6% entre pessoas com mais de 60 anos. Isso reflete uma geração ainda em construção de carreira, explorando possibilidades e buscando o melhor encaixe profissional.
Estabilidade ainda vale mais do que liberdade
Os dados da CNI deixam claro que, na hora de escolher onde trabalhar, os jovens brasileiros não estão se deixando levar apenas pelas narrativas de liberdade e flexibilidade que dominam as redes sociais.
Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam sendo um diferencial relevante mesmo em um contexto de maior flexibilização das relações de trabalho.
Para quem está ingressando agora no mercado, a CLT não é apenas um contrato de trabalho — é uma rede de segurança. E, ao que tudo indica, essa rede ainda importa muito.
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