1,29 milhão de brasileiros caíram na malha fina em 2025 — e a maioria por erros que poderiam ser evitados.
O prazo da declaração do Imposto de Renda 2026 começou hoje, 23 de março, e vai até 29 de maio. São pouco mais de dois meses para prestar contas ao Fisco — e um único dado errado pode travar a restituição por tempo indeterminado ou gerar multa de até 75% do imposto devido.
A Receita Federal nunca cruzou tantos dados quanto em 2026. Pela primeira vez, o sistema consegue verificar 100% das despesas médicas declaradas pelos contribuintes. Bancos, empregadores, imobiliárias e planos de saúde alimentam o sistema automaticamente. Qualquer inconsistência entre o que o contribuinte informa e o que essas fontes enviam ao Fisco resulta em retenção.
A boa notícia: os erros que mais levam à malha fina são conhecidos, previsíveis e, na maioria das vezes, fáceis de evitar. Basta saber onde estão.
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Os erros mais comuns na declaração do Imposto de Renda
1. Omissão de rendimentos
Este é o erro que mais retém declarações. Rendimentos de aluguéis, trabalhos eventuais, aplicações financeiras, atividades como autônomo e pensões precisam ser declarados — inclusive os valores de um emprego deixado ao longo do ano-base.
A Receita cruza informações de empresas, bancos e imobiliárias, identificando facilmente essas omissões. Nem os valores menores escapam: o Fisco recebe os dados diretamente das fontes pagadoras.
2. Despesas médicas incorretas ou não dedutíveis
Despesas com saúde lideram os motivos de malha fina. O problema está tanto em declarar valores diferentes dos recibos quanto em informar gastos que simplesmente não são dedutíveis.
O que não pode ser deduzido
Despesas com massagista, nutricionista, enfermeiros particulares, compra de óculos, medicamentos e vacinas não são dedutíveis, a menos que estejam incluídas na conta de uma unidade de saúde reconhecida pela Receita. Além disso, só é possível abater despesas médicas de terceiros se estes estiverem declarados como dependentes na mesma declaração.
Atenção ao Receita Saúde em 2026
Neste ano, pela primeira vez, a Receita conseguirá cruzar 100% das despesas médicas declaradas pelos contribuintes com os dados compartilhados via Receita Saúde, um recibo eletrônico de prestação de serviços de saúde obrigatório. Qualquer valor que não conste nesse sistema pode ser questionado automaticamente.
3. Dependentes declarados de forma incorreta
Incluir um dependente que já consta em outra declaração gera inconsistência imediata. Outro erro frequente é esquecer de declarar os rendimentos dos próprios dependentes — como salário de estágio de filhos ou aposentadoria de pais.
Ao incluir um dependente na declaração, é obrigatório informar todos os rendimentos que ele tenha recebido, como salários de estágio, bolsas de estudo ou pensões. Muitos contribuintes declaram o dependente para obter a dedução, mas se esquecem de sua renda.

4. Aluguéis não declarados
Muitos proprietários desconhecem que o aluguel é renda tributável e deve constar na declaração. Quando pago por empresa ou administradora, entra como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Se vier de pessoa física, deve constar na ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior.
Locadores que receberam mais de R$ 2.259,20 por mês são obrigados a preencher mensalmente o Carnê-Leão, o sistema de recolhimento mensal do Imposto de Renda.
5. Confusão entre PGBL e VGBL
As contribuições para um PGBL podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto, até o limite de 12% da renda bruta tributável anual. Já o VGBL não permite essa dedução. Trocar um pelo outro leva a uma declaração incorreta.
6. Ganhos com apostas esportivas (bets)
Contribuintes que obtiveram rendimentos com apostas de quota fixa (bets) superiores a R$ 28.467,20 deverão declarar os valores no IRPF 2026. A tributação desses ganhos segue alíquota de 15% sobre o prêmio líquido, conforme previsto na Lei nº 14.790/2024. Saldos em plataformas acima de R$ 5 mil em 31 de dezembro de 2025 também precisam ser informados.
7. Erros de digitação e incompatibilidade patrimonial
Equívocos simples, como inversão de números ou posicionamento incorreto de vírgulas, podem gerar diferenças relevantes e levar à retenção da declaração. Quando a renda declarada não acompanha a evolução do patrimônio ou do padrão de vida, o sistema da Receita identifica o descompasso de forma automática.
Como evitar a malha fina: dicas práticas para o IR 2026
Especialistas recomendam que a organização financeira comece bem antes do prazo de entrega. As principais orientações são:
- Reúna os documentos durante o ano, não apenas em março
- Confira se os informes de rendimentos batem com os valores que serão declarados
- Guarde recibos e comprovantes por no mínimo cinco anos
- Evite preencher a declaração com base apenas na memória
- Revise todas as informações com antecedência para corrigir inconsistências a tempo
- Busque orientação contábil em casos de rendas variadas ou patrimônio relevante
- Utilize a declaração pré-preenchida, que já importa diversas informações diretamente da base de dados do governo — mas a conferência de todos os dados ainda é indispensável antes do envio.
O que fazer se a declaração do Imposto de Renda for retida
Para saber se a declaração está retida, o contribuinte deve acessar o e-CAC, ir em “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)” e verificar a seção “Pendências de malha”.
Caso a declaração seja retida, ainda é possível regularizar a situação por meio de declaração retificadora, desde que o erro seja identificado e as informações corretas sejam apresentadas. Quanto antes o problema for tratado, menores são os riscos de multa e complicações adicionais.
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Assista ao vídeo abaixo para conferir como funciona a isenção do IR neste ano:













