30% dos universitários querem pesquisa — e os dados mostram por que a carreira acadêmica resiste.
Quando o assunto é futuro profissional, muita gente imagina que os jovens de hoje só pensam em virar influenciador ou criar uma startup do zero. Mas um levantamento divulgado em março de 2026 derrubou esse estereótipo com números concretos: quase um terço dos estudantes de universidades no Brasil ainda considera a carreira acadêmica como seu principal destino.
O que está por trás dessa escolha — e o que ela diz sobre o que os jovens realmente valorizam?
O que diz a pesquisa sobre carreira acadêmica no Brasil?
A 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, produzida pelo Instituto Semesp e divulgada em março de 2026, trouxe dados atualizados sobre as pretensões profissionais de estudantes de cursos presenciais, divididos por tipo de instituição: faculdades, centros universitários e universidades.
O estudo considerou respostas de participantes do Congresso Nacional de Iniciação Científica (CONIC-SEMESP) de 2025 e apresentou um panorama que contraria a narrativa de que os jovens abandonaram os caminhos tradicionais.
As três principais escolhas dos jovens universitários
As opções mais citadas pelos estudantes foram: o ingresso no mercado de trabalho com carteira assinada (CLT), empreendedorismo e carreira acadêmica voltada à pesquisa.
Cada perfil de instituição revelou prioridades diferentes — e entender essas diferenças ajuda a compreender o que orienta as decisões dos jovens hoje.
Carreira acadêmica: quem mais quer seguir esse caminho
Universidades lideram o interesse pela pesquisa
Entre os estudantes de universidades, 30,4% afirmaram querer seguir a carreira acadêmica, voltada para pesquisa e atuação em instituições de ensino superior. Esse percentual coloca a opção praticamente empatada com o emprego formal nesse grupo — um dado relevante.
Centros universitários e faculdades também aparecem
Nos centros universitários, o interesse pela carreira acadêmica chegou a 20,4%, enquanto nas faculdades o índice foi de 17,3%.
Esses números indicam que a pesquisa científica ainda é vista como um horizonte possível — e desejável — por uma parcela expressiva dos jovens, mesmo fora das universidades tradicionais.
CLT ainda lidera, mas carreira acadêmica surpreende
Emprego formal é o caminho mais escolhido
O ingresso no mercado de trabalho com carteira assinada (CLT) foi a opção mais citada no geral. Entre alunos de faculdades, 48,6% optaram por esse caminho. Nas universidades, o índice foi de 35,9%, e nos centros universitários, de 31,4%.
Empreendedorismo ocupa o segundo lugar
O empreendedorismo apareceu como segunda alternativa. Nos centros universitários, 31,0% disseram querer abrir um negócio próprio ou uma startup. Entre estudantes de faculdades, o índice foi de 23,8%, e nas universidades, de 19,6%.
O que chama atenção nesse comparativo é que, nas universidades, a carreira acadêmica (30,4%) ficou muito próxima do empreendedorismo (19,6%) — e ambos disputaram espaço com a CLT (35,9%).
O que é o Mapa do Ensino Superior do Semesp
O Mapa do Ensino Superior no Brasil é um estudo anual do Instituto Semesp, organização que reúne mantenedoras de instituições de ensino superior do país. O levantamento analisa dados sobre educação superior, perfil dos estudantes, tendências do setor e expectativas profissionais dos jovens brasileiros.
Na 16ª edição, os dados incluem novas informações sobre o comportamento dos estudantes, suas preferências profissionais e perspectivas de carreira — um retrato útil para quem quer entender como os jovens planejam o futuro.
Carreira acadêmica: o que envolve essa escolha na prática
Optar pela carreira acadêmica significa, em geral, seguir um caminho que passa por:
- Graduação em uma área de interesse
- Mestrado e doutorado — etapas que podem durar de 4 a 6 anos adicionais
- Publicações científicas e participação em congressos
- Atuação como professor universitário ou pesquisador em laboratórios e institutos
Esse percurso exige comprometimento de longo prazo, mas oferece estabilidade, prestígio acadêmico e a possibilidade de contribuir diretamente para a produção de conhecimento. Para estudantes que já estão inseridos em ambientes universitários e tiveram contato com pesquisa, essa trajetória tende a fazer mais sentido — o que explica o maior interesse entre quem já estuda em universidades.
Carreira acadêmica vale a pena financeiramente?
Essa é uma das perguntas mais frequentes entre jovens que se interessam pelo tema — e a resposta depende muito da área de atuação.
Remuneração de professores universitários no Brasil
Professores de universidades federais ingressam pela carreira do Magistério Superior, com salários que variam conforme a titulação e o regime de dedicação:
- Professor Auxiliar (sem mestrado): a partir de R$ 3.100
- Professor Adjunto (doutor): entre R$ 8.900 e R$ 13.000
- Professor Titular: acima de R$ 14.000
Na rede privada, os salários variam bastante por instituição e curso. Áreas como Medicina, Engenharia e Direito costumam ter remunerações mais altas.
Bolsas de pesquisa durante a formação
Durante o mestrado e o doutorado, é possível obter bolsas de órgãos como CNPq e CAPES, que variam de R$ 2.100 (mestrado) a R$ 3.300 (doutorado) mensais — valores que muitas vezes são o único rendimento do pesquisador nessa fase.
Indecisão também faz parte do cenário
Uma parcela dos estudantes ainda não definiu o rumo profissional. Nos centros universitários, 13,7% disseram não saber o que pretendem fazer. Nas universidades, esse índice foi de 9,7%, e nas faculdades, de 7,5%.
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