Uma profissão com mais de um século de história enfrenta hoje sua maior transformação. Com a inteligência artificial organizando dados e algoritmos sugerindo leituras, surge a pergunta que 45 mil bibliotecários registrados no Brasil precisam responder: o que sobra para o profissional humano quando as máquinas assumem o catálogo?
A resposta, segundo especialistas, é mais complexa do que parece.
O que faz um bibliotecário hoje
A imagem do bibliotecário entre estantes empoeiradas não reflete mais a realidade da profissão. Atualmente, esses profissionais atuam na gestão da informação em sentido amplo, muito além dos livros físicos.
Entre as atividades do dia a dia estão:
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- Catalogação e indexação de documentos físicos e digitais
- Gestão de acervos híbridos
- Mediação de leitura e orientação a usuários
- Organização de bases de dados institucionais
- Curadoria de informação em empresas, escolas e órgãos públicos
O campo de atuação inclui universidades, centros de pesquisa, arquivos públicos, editoras e até empresas privadas que lidam com grandes volumes de dados.
Como a tecnologia mudou a rotina da profissão
Automação de tarefas operacionais
Ferramentas digitais passaram a executar tarefas que antes demandavam horas de trabalho manual. Indexação automática, recomendação de leitura por algoritmos e catalogação digital integrada já fazem parte do cotidiano das bibliotecas modernas.
Isso reduziu o tempo gasto em atividades repetitivas, mas não eliminou a necessidade de supervisão técnica. Sistemas automatizados precisam de profissionais que definam padrões de classificação e validem os dados gerados.
Bibliotecas digitais e acervos online
Muitas instituições adotaram acervos híbridos, com livros físicos e digitais, sistemas de empréstimo online e bases de dados acadêmicas. O bibliotecário passou a atuar como intermediário entre o usuário e essas plataformas, orientando sobre como acessar, filtrar e avaliar fontes.
Bibliotecário na era digital: a profissão vai desaparecer?
O que dizem os especialistas
Especialistas da área de Biblioteconomia afirmam que a tendência não é o desaparecimento, mas a mudança de funções. Mesmo com sistemas automatizados, a organização da informação exige critérios técnicos e validação humana.
Três publicações recentes aprofundam esse debate:
- “O futuro do profissional bibliotecário: desmistificando previsões exageradas”, de Jorge Santa Anna, da Universidade Federal do Espírito Santo
- “Bibliotecas na Era da Inteligência Artificial”, publicado pelo Conselho Federal de Biblioteconomia
- “RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação”, volume 23, publicado em 2025 no SciELO Brasil
O problema da desinformação favorece a profissão
Com o crescimento do volume de dados disponíveis na internet, a curadoria de informação ganha importância para evitar desinformação e facilitar o acesso a fontes confiáveis.
Nesse cenário, o bibliotecário assume um papel que nenhum algoritmo executa com precisão: o julgamento crítico da qualidade e a relevância das fontes.
Novos campos de atuação para bibliotecários
A transformação digital abriu portas para áreas que, há dez anos, não existiam como opções concretas de mercado. Entre os campos em expansão estão:
- Gestão de dados científicos em universidades e centros de pesquisa
- Organização de repositórios acadêmicos institucionais
- Preservação de acervos digitais
- Gestão de documentos em empresas (compliance e auditoria)
- Curadoria de conteúdos para plataformas educacionais
Essas funções integram o chamado gerenciamento do conhecimento, área que estrutura e disponibiliza informação em ambientes digitais corporativos e acadêmicos.
Dia do Bibliotecário: uma data com novo significado
O Dia do Bibliotecário é celebrado em 12 de março no Brasil. A data marca o nascimento de Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário concursado do país.
Em 2025, a data chega com um debate mais aceso do que nunca sobre o futuro da profissão. Mas os números do mercado mostram que a demanda persiste: especialistas apontam que a procura por gestão qualificada de informação continua presente em universidades, empresas, órgãos públicos e centros de pesquisa.
Habilidades que o mercado passa a exigir
Competências técnicas em alta
O profissional da informação precisa combinar conhecimento tradicional com novas ferramentas. As habilidades mais buscadas atualmente incluem:
- Uso de sistemas de gestão de bibliotecas digitais (como Koha e DSpace)
- Familiaridade com metadados e padrões de catalogação digital
- Análise de dados e uso de ferramentas de visualização
- Conhecimento em direito autoral e acesso aberto
Soft skills que a automação não substitui
Comunicação, pensamento crítico e capacidade de mediar conflitos de informação seguem sendo atributos humanos. O bibliotecário como educador informacional — aquele que ensina o usuário a distinguir fontes confiáveis de desinformação — é uma função que cresce em importância.
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