Existe um sinal que pode revelar se a pessoa à sua frente tem tendências manipuladoras — e ele está bem na frente dos olhos. Uma pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, conduzida pelos pesquisadores Soren Wanio-Theberge e Jorge Armony, aponta que a postura corporal pode indicar traços de manipulação e até de psicopatia. Não é preciso ser especialista em linguagem corporal para perceber. Basta saber o que observar.
O estudo analisou 608 adultos jovens e chegou a conclusões que desafiam o senso comum: a postura não é apenas uma questão de saúde ou educação. Ela pode revelar como alguém se posiciona — literalmente — dentro de uma hierarquia social. Quem quer dominar, domina com o corpo primeiro.
O que a ciência descobriu sobre postura e manipulação
A pesquisa que conectou corpo e comportamento
Os pesquisadores da Universidade McGill analisaram estudos anteriores sobre a relação entre personalidade e postura. Em quatro deles, participantes foram fotografados em pé, em posição natural. Em outro, compareceram a um laboratório para medições fisiológicas.
Os resultados foram claros: pessoas com postura mais ereta apresentaram pontuações mais altas em traços associados à psicopatia e à manipulação. Mais do que isso, essas características se mantinham estáveis ao longo do tempo — não eram momentâneas.
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O que cada postura pode revelar
O estudo também identificou padrões específicos de postura ligados a emoções e comportamentos:
- Punhos levantados: associados à raiva
- Tronco inclinado para trás: ligado ao medo
- Parte inferior das costas curvada (postura lordótica): relacionada à receptividade sexual em mamíferos
- Postura aberta, ereta e expansiva: padrão observado em indivíduos com tendências manipuladoras
- Postura fechada, levemente curvada: mais comum em pessoas com tendência a ceder
Como identificar um manipulador pela linguagem corporal
A postura expansiva como sinal de alerta
Segundo o estudo, indivíduos com traços dominantes e manipuladores tendem a ocupar mais espaço com o corpo. A postura é aberta, o peito projetado para frente e o tronco levemente inclinado para trás. Essa configuração não é aleatória — ela comunica superioridade e serve como forma de intimidar quem está ao redor.
Em experimentos práticos, quando os participantes eram orientados a simular um comportamento dominante, adotavam instintivamente essa postura: eretos, quadris projetados, tronco levemente recuado. Ao simular submissão, inclinavam o corpo para frente e se fechavam.
Outros traços que aparecem na postura
Além da manipulação, a pesquisa identificou que traços como competitividade exacerbada e crença rígida em hierarquias sociais também se manifestam na postura. Pessoas com essas características tendem a manter a postura ereta com um esforço consciente ou inconsciente, como forma de projetar superioridade.
Os pesquisadores concluíram que indivíduos com tendências dominantes consideram intolerável ocupar posições subordinadas. Isso gera um ciclo de retroalimentação: quanto mais a pessoa sente que precisa se impor, mais rígida e expansiva fica sua postura.
Postura ereta sempre indica manipulação?
Nem sempre: o contexto importa
Essa é uma ressalva importante que os próprios pesquisadores fizeram. Pessoas que mantêm postura ereta por conta de atividade física, esporte ou hábito saudável tendem a variar naturalmente de posição. Elas não mantêm a postura como estratégia de dominação.
O diferencial está na rigidez e na constância: quem usa a postura como ferramenta de controle raramente a abandona na presença de outras pessoas. Já quem tem boa postura por questões de saúde ou condicionamento físico demonstra variações naturais ao longo do dia.
Participantes com pontuações mais baixas nos traços considerados indesejáveis apresentaram uma gama mais ampla de posturas — sem a necessidade constante de aparentar força ou autoridade.
Limitações do estudo
Os pesquisadores foram transparentes sobre os limites da pesquisa. A amostra foi composta majoritariamente por estudantes universitários jovens, o que deixa em aberto a influência de fatores culturais sobre a relação entre postura e psicopatia.
Outro ponto: por focar em adultos jovens, o estudo não levou em conta o envelhecimento. A perda natural de massa muscular com a idade pode dificultar que pessoas mais velhas mantenham posturas expansivas, mesmo que tenham tendências dominantes.
Como usar esse conhecimento no dia a dia
Observe, mas não julgue pela postura isolada
A postura é um dado a mais — não o único. Para identificar um manipulador com mais precisão, é útil observar a consistência do comportamento ao longo do tempo: a pessoa mantém essa postura rígida sempre que interage com outros? Ela parece incomodada quando não ocupa o centro da atenção? Usa o espaço corporal para intimidar ou interromper?
Esses padrões combinados oferecem um quadro mais completo do que uma única observação isolada.
O que fazer ao identificar esses sinais
Reconhecer o padrão é o primeiro passo. O segundo é ajustar a própria postura — manter-se firme, sem recuar o corpo como sinal de submissão, pode ajudar a equilibrar a dinâmica na comunicação com pessoas dominadoras. Isso não significa entrar em confronto, mas não sinalizar vulnerabilidade por meio do corpo.
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